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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CINEMA: AMANHECER - PARTE I

A exemplo do capítulo final da franquia Harry Potter, que produtores e fãs fervorosos juram de pés juntos que não havia como retratar em um único filme, a entitulada Saga Crepúsculo achou por bem (sobretudo de suas finanças) dividir o último livro também em duas partes. Amanhecer - Parte I (Breaking Dawn - Part I, EUA, 2011) poderia perfeitamente se chamar Aborrecer - Parte I, a julgar pela chatice que ocupa 90% da fita e promete mais uma dose cavalar de abobrinhas para a pretensiosa segunda parte que estreará somente em 2012.

Para um fechamento de franquia, a produção deixou muito a desejar: faltou emoção no tão esperado casamento entre Bella (a coelha Kristen Stewart) e o vampiro Edward (Robert Pattinson), a tão badalada passagem do casal em lua-de-mel pelo Rio de Janeiro foi um mero arremedo e se resumiu ao confinamento em uma ilha que poderia ser em qualquer lugar do planeta e, por fim, além de prometer uma guerra mal formada entre lobos e vampiros, na hora "H" tudo esmoreceu e durou pouco mais de dois minutos, resolvendo-se da maneira mais imbecil possível. O desenlace do triângulo amoroso entre a mortal, o vampiro e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner, que, apesar de meio canastra, sempre se sobressai nas interpretações dos filmes da franquia), que seria outra promessa da história, foi também pífio e mal aconteceu.

A única salvação desta primeira parte é a chegada do bebê de Bella e Edward. Não era nenhum segredo que isso aconteceria, pois o próprio trailer denunciava a gravidez, que, por sinal, acabou por se tornar um show de horrores, com direito a copos de refresco com sangue para Bella beber e cenas bizarras de parto. No mais, é o mesmo feijão com arroz que se viu nos três filmes anteriores: um discurso pudico e assexuado, vampiros bundões maquiados com pomada Minâncora, donzelas insossas, meninos-lobos rebeldes sem causa e diálogos toscos que se levam a sério. Não era de se esperar nada melhor de uma autora como Stephenie Meyer, seguidora de doutrinas religiosas que pregam virgindade e outras virtudes politicamente corretas, que pensa ser possível alterar toda uma mitologia macabra e sexual como a vampiresca sem soar, no mínimo, incoerente. O triste é saber que muita gente morde essa isca... Assim, em certos momentos não se pode culpar só o filme: a narrativa extraída do livro prefere solucionar tudo do modo mais fácil e bonitinho, sem maiores dramas ou qualquer vislumbre de inteligência.

O que se tem como produto final é um filme ruim, tampouco bom tecnicamente ou dramaturgicamente falando, mas que vai forrar o bolso de muita gente envolvida e vai continuar perpetuando uma cultura comercial mastigada e de fácil (porém amarga) digestão. Apesar das críticas negativas à franquia, as multidões peregrinam cada vez mais aos cinemas em cada lançamento - a maioria cinéfilos de ocasião - e ainda saem satisfeitas querendo mais. Não dá para negar que o filme contém todos os elementos pop chamativos para as grandes plateias da atualidade e usa isso ao seu favor: personagens jovens e bonitos, romance, lutas, tensão e piadinhas que, embora cretinas e muitas vezes constrangedoras e descabidas, ainda causam muitas gargalhadas nos espectadores.

Depois de ter assistido esta primeira parte, me pergunto se será realmente necessária a quebra em dois filmes, visto que quase todos os fatos importantes da trama foram resolvidos agora, restando aparentemente, somente o confronto final com o Clã Volturi - ao meu ver, um gancho fraco ao qual nenhum dos filmes anteriores deu muita importância. Mas isso é outra história para daqui a mais ou menos um ano!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CINEMA: O PREÇO DO AMANHÃ

"Tempo é dinheiro" é um argumento forte no futuro aqui retratado: a humanidade mutou geneticamente, de modo que o indivíduo pára de envelhecer aos 25 anos e, deste ponto em diante, recebe um único ano a mais de tempo de vida, que pode ser ampliado de acordo com suas aquisições, trabalhos ou, em casos extremos, roubado de outros. O tempo é a moeda de troca para tudo, onde os pobres sucumbem e os ricos sobressaem-se às suas custas (uma espécie de alfinetada ao capitalismo do mundo atual).
Neste cenário é contada a história de Will Salas (Justin Timberlake, firme na carreira de ator e o mais recente queridinho de Hollywood), um operário que vê a mãe (Olivia Wilde) cair morta em seus braços pelo esgotamento de seu tempo. Após conhecer um homem cansado de viver por tanto tempo que lhe conta certas verdades sobre o mundo onde vivem, Will resolve ir à forra contra os poderosos e no caminho cruza com Sylvia (Amanda Seyfried), a filha de um banqueiro do tempo, a quem acaba sequestrando e posteriormente tomando por amante e cúmplice em sua jornada de Robin Hood do relógio.
Assim, O Preço Do Amanhã (In Time, EUA, 2011) é um filme de argumento interessante, mas mal desenvolvido. Seguindo a introdução da ideia central, tem-se o o enlace entre os personagens que desencadeia na sequência linear de eventos a ser percorrida até o final da narrativa e nada mais. O roteiro não reserva surpresas ou reviravoltas na trama, nem mesmo se pode identificar com certeza um clímax - a partir de um certo ponto, tudo se resume a um corre-corre incessante, movido a tiroteios em uma espécie de jogo de gato e rato entre a dupla de protagonistas e os agentes do tempo, estes liderados pelo personagem interpretado por Cillian Murphy (Batman Begins e A Origem). Em algumas partes o filme assume semelhanças gritantes com outro título recente, Os Agentes Do Destino (The Adjustment Bureau, EUA, 2011) - melhorzinho, diga-se de passagem.
O diretor e também roteirista Andrew Niccol (O Senhor Das Armas, S1m0ne e Gattaca) ateve-se em contar somente a história, sendo econômico nas alegorias de produção. Mesmo tratando-se de uma trama ambientada no futuro, não houve abuso de invencionices tecnológicas, como robôs, máquinas voadoras ou supercomputadores, o que talvez tenha salvo o filme de um desastre total. Os efeitos especiais não são exagerados e, não fosse a fita de ficção científica em sua essência, seria até bem convincente. O filme se assume como diversão pura e não tenta se levar a sério com metáforas aprofundadas sobre imortalidade, tempo e existência, o que também lhe garante certo crédito e o torna merecedor de uma audiência descompromissada.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CINEMA: OS TRÊS MOSQUETEIROS

Vendido como uma releitura cinematográfica "moderna" do clássico literário de Alexandre Dumas (1802-1870), esta nova versão de Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers , de Paul W.S. Anderson, 2011) nada mais é do que um enlatado sem-vergonha com pretensões de franquia, cheio de invencionices tecnológicas, canastrices de elenco e reviravoltas na trama de tontear até barata - ainda carrega consigo a marca do 3D, outro embustre tecnológico que virou status diferencial para muito filme sem muito mais o que oferecer.
Logan Lerman, quem também vive no cinema o personagem Percy Jackson, aqui é o protagonista D'Artagnan e... Nossa! Não tinha notado ainda como ele é ruim: fora a péssima atuação, de carona ganhou um aplique "caminho de rato" nos cabelos que mais parece comprado na 25 de março. Em sua companhia, os 3 mosqueteiros do título são vividos pelos atores Matthew Macfadyen (Athos), Ray Stevenson (Porthos) e Luke Evans (Aramis) e não sãos mais que meros apetrechos caricatos. A primeira dama Milla Jovovich encarna a espiã Milady de Winter e, embora esteja confortável no papel e de certa forma seja interessante sua versão "Resident Evil" para a personagem, esmorece com a trama pífia repleta de traições e trocas de lados - a única e mais fácil saída encontrada pelos roteiristas.
Junte a isso o meia-boca Orlando Bloom, um Christoph Waltz afetadíssimo (aliás, o que mais esse cara fez de prestável, além de Bastardos Inglórios?) e uma dupla rei afeminado / rainha palerma (Freddie Fox e Juno Temple) e tem-se um desastre total, numa história que reúne os mosqueteiros e D'Artagnan no resgate de uma jóia que pode desencadear a guerra entre a França e a Inglaterra - e nessa gincana dá-lhe navios voadores (quê?), explosões e tiros sem fim no lugar dos duelos de espadas, Leonardo DaVinci e outros absurdos fora de contexto, para no fim ficar um maldito gancho que pode transformar esse despautério no primeiro capítulo de uma triologia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CINEMA: CONTRA O TEMPO

Quando me perguntaram do que se tratava o filme Contra O Tempo (Source Code, 2011, que entra no Brasil com grande atraso em relação ao resto do planeta - nos EUA e na Europa já foi lançado em Blu-Ray), disse que a trama consistia em um trem que explode e um homem tem a chance de voltar quantas vezes for preciso para aquele momento, até descobrir o autor do atentado, tendo sempre 8 minutos para tal tarefa. Disse ainda que mais do que isso não revelaria, sob pena de estragar o mote deste filme, no mínimo interessante, dirigido por Duncan Jones, diretor novato, cujo filme mais conhecido que dirigiu até então tinha sido Lunar, de 2009.
No início o filme parece meio confuso, mas aos poucos tudo vai se esclarecendo sem grandes tratados teóricos ou necessidades de explanação. É um samba do crioulo doido que mistura ação, suspense, ficção e uma pitadinha de drama, mas que funciona bem quando bem definidas as doses. Jake Gyllenhaal encarna o personagem principal, Colter Stevens, que não lhe exige grande interpretação, mas lhe serve perfeitamente. Michelle Monaghan é Christina e Vera Farmiga é Goodwin, personagens secundários, mas de grande importância às necessidades da história.
Com um tiro curto de 93 minutos, Contra O Tempo cumpre bem o seu papel de entertenimento e até deixa brechas para questões e ideias sobre o desenrolar da trama. A ideia reciclada foi bem aproveitada e tornou-se um título bem interessante, muito acima da média dos lançamentos americanos que tem se visto ultimamente nos cinemas.

CINEMA: SEM SAÍDA

Atualmente Hollywood parece ter poucas alternativas para produzir seus filmes: ou se faz um reboot/continuação/remake de uma fórmula garantida, ou se cria uma megaprodução em cima de uma bomba com potencial para se tornar blockbuster ou se arrisca em algo criativo que tanto pode ser um sucesso como tornar-se um fracasso comercial (opção que tem sido a bem menos utilizada dentre as três). Sem Saída (Abduction, 2011), do diretor John Singleton, é um híbrido das duas primeiras alternativas.
Em cima de uma trama mais que manjada e sem surpresas, a saída foi escalar um elenco conhecido de coadjuvantes (que aí inclui Alfred Molina, Sigourney Weaver e Maria Bello) e encabeçá-lo com um ator sensação do momento - no caso, o lobisomem da saga Crepúsculo Taylor Lautner - mesmo que o maior talento do mesmo seja sua musculatura, que insistentemente os filmes dos quais ele participa fazem questão de mostrar sem pudores. Trata-se de uma ideia pouco original, mas um tiro quase certeiro: se ninguém gostar do filme, pelo menos o lucro dos ingressos das menininhas adolescentes está garantido!
Não é necessário repetir mais que o filme é bem meia-boca. Por incrível que pareça, seu maior defeito não é a falta de inovação ou o roteiro óbvio, e sim o ritmo da trama: com um início até interessante, mesmo que todo revelado nos trailers, há um certo fator interessante até o momento em que Nathan, o personagem de Lautner, descobre através de um site de crianças desaparecidas que seus pais não são quem dizem ser. Segue-se algumas cenas de ação e então a trama quase morre com Nathan e sua namoradinha sem sal Karen (Lily Collins) fugindo de bandidos soviéticos (sempre eles) e de agentes da CIA mal intencionados liderados por um Alfred Molina totalmente sem inspiração.
Daí para a frente é só ladeira abaixo, salvas algumas cenas de ação bem elaboradas e protagonizadas pelo garoto Lautner (verdade que a juventude permite ao astro certas acrobacias dignas de inveja aos Tom Cruises e Denzel Washingtons dos dias de hoje). Com um final irritantemente previsível, o grande mistério é resolvido de maneira fácil e sem graça. Uma ameaça de gancho para uma possível e desnecessária continuação é deixada e nada além deste par de comentários sobra como saldo.

domingo, 20 de junho de 2010

CINEMA: ESQUADRÃO CLASSE A

Derivado da série oitentista de mesmo nome, Esquadrão Classe A (The A-Team, EUA 2010) é puro exagero. Protagonizado por Liam Neeson (A Lista De Schindler), Bradley Cooper (Ele Não Está Tão Afim De Você), Jessica Biel (O Ilusionista), Patrick Wilson (Watchmen), Sharlto Copley (Distrito 9) e pelo lutador Quinton "Rampage" Jackson, o filme narra o encontro de um grupo de militares do exército americano que são atraídos para uma emboscada no Iraque envolvendo uma maleta cheia de placas com modelos para fabricação de dinheiro falsificado e acabam sendo considerados traidores e, consequentemente, fugitivos.
É o tipo de filme que faz escorrer adrenalina e testosterona pela tela do cinema. Até aí nenhum problema, não fosse a sucessão de absurdos contidos na fita, que vão desde tanques de guerra despencando do céu e derrubando caças a tiros até toneladas de contâiners gigantescos despencando por cima de pessoas que escapam sem um arranhão sequer. Os efeitos especiais são bem aplicados e as cenas de ação são assombrosas, mas nada mais se salva.
Apesar do elenco estrelar, a direção de Joe Carnahan não conta muito no produto final, onde nada mais é trabalhado além da pancadaria, do corre-corre e das piadinhas sem graça a que já estamos acostumados em filmes similares. Falta um mínimo de coerência ao roteiro, aos diálogos e até mesmo às mil reviravoltas dadas pela história. Esquadrão Classe A não só falha como filme, mas também como homenagem à matriz, transformando em um grande circo pirotécnico a série tão querida e lembrada até hoje por uma legião de fãs.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PRÍNCIPE DA PÉRSIA: AS AREIAS DO TEMPO

Por certa preguiça, está saindo somente agora o comentário sobre o filme Príncipe Da Pérsia: As Areias Do Tempo (Prince Of Persia: The Sands Of Time, 2010). Em mais uma parceria com a Disney, Jerry Bruckheimer, o fabricante de blockbusters número 1 de Hollywood, produz a história ambientada na Pérsia antiga, derivada do game de mesmo nome que foi um grande sucesso dos PCs na década de 90. Assim como o príncipe do jogo, Jake Gyllenhaal (de Zodíaco e O Segredo De Brokeback Mountain) tem que ser habilidoso na pele do guerreiro Dastan para se pendurar em prédios e muros, se equilibrar em penhascos e desviar de flechas e outros artefatos contra ele arremessados durante as 2 horas do filme - o elenco conta ainda com os nomes famosos de Alfred Molina como um golpista do deserto e Sir Ben Kingsley como Nizam, o tio ambicioso de Dastan.
A fita é aventura pura! Praticamente sem enredo e com um aspecto meio mofado que remete aos filmes de aventura dos anos 80 (a exemplo de Simbad e dos primeiros Indiana Jones), a trama gira em torno da busca por uma adaga mística que, quando preenchida com uma areia especial, dá ao seu portador o poder de fazer o tempo voltar atrás e prever o presente com antecedência. Para isso, o roteiro se vale de conspirações confusas, reviravoltas desnecessárias e muito corre-corre, onde a tal adaga passa de mão em mão. As tentativas de apelo cômico e dramático não colam e o que importa no fim das contas são as acrobacias elaboradas de Dastan, na melhor cópia descarada de Matrix, com direito a câmeras lentas e caminhadas na parede.
A mitologia criada é pouca e o universo de personagens de apoio não chega a ser interessante, o que não leva a crer que vá gerar uma franquia, a não ser que os lucros sejam muito grandiosos. O diretor Mike Newell, de Harry Potter E O Cálice De Fogo e O Amor Nos Tempos Do Cólera fez o que pôde com o material que tinha em mãos e resultado final é um filme bem feito tecnicamente, fraquinho, mas que cumpre seu papel como entretenimento no melhor estilo pipoca.

sábado, 29 de maio de 2010

FLASH FORWARD: (SEM) FINAL

Surgida no início desta fall season com a promessa de ser a nova sensação televisiva, até mesmo o substituto mais provável para Lost, a série Flash Forward impressionou em sua estreia, mostrando o apagão global de 2 minutos e 17 segundos em que toda a população mundial enxergou seu futuro 6 meses à frente. Uma ideia no mínimo interessante que, mal administrada, transformou-se em um fracasso, provocando seu cancelamento e sepultando-a de vez com o episódio veiculado na última quinta-feira.
O enredo desta primeira e única temporada girou em torno das investigações de um grupo de agentes do FBI, formando um grande quebra-cabeças de eventos e visões futurísticas que recebeu o nome de mosaico. Fatos mal explicados, reviravoltas em demasia, personagens sem carisma e a incursão constante de novidades tornaram o entendimento confuso e foram, pouco a pouco, removendo o que havia de mais interessante na série: o mistério em torno do apagão. Para piorar, a grande quantidade de histórias paralelas, a maioria desinteressantes, prejudicaram ainda mais a evolução da trama, que foi perdendo o rumo. Por fim, um longo hiato de 3 meses deu o golpe fatal na produção - após o retorno, a audiência foi despencando mais a cada semana.
Future Shock foi ao ar para desenrolar a trama tecida nesta reta final de temporada, onde o dia visualizado no apagão estava para chegar e a ocorrência de um novo apagão era eminente. Esperava-se que as conspirações e os motivos fossem revelados e um novo rumo à vida dos personagens fosse dado, mas veio o cancelamento após o episódio já ter sido gravado. O que se viu foi um episódio emocionante, como se esperaria de qualquer season finale, com diversos eventos importantes acontecendo e com um gancho que seria interessante a ser seguido, se a série tivesse recebido a concessão para um segundo ano. No final das contas, ficou um final aberto que não terá mais segmento. Flash Forward ficou mesmo só na promessa e, agora também sem Lost, as fichas da rede ABC estão apostadas em V, que foi eleita para retornar na próxima fall season. Sorte para os ET's, pois os resultados obtidos nesta primeira temporada não foram dos melhores - agora, só o futuro dirá, e não há mais a possibilidade de ocorrer um flash forward que possa prever isso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

LOST: PERDIDO PARA SEMPRE?

Definitivamente o fim. Neste domingo foi ao ar o tão aguardado final preparado para os sobreviventes do voo Oceanic 815. Depois de 6 anos, Lost terminou. Muitas perguntas ficaram no ar e agora é tarde para mais respostas.
É impossível negar que Lost foi a série da década: assim como Arquivo-X esteve para os anos 90, a saga dos náufragos da ilha misteriosa, no ar desde 2004, foi um fenômeno dentro e fora da televisão. Lost bombou na mídia, nos jogos, nas rodas de conversas e, sobretudo, na Internet. Teorias, desfechos e soluções foram dadas para resolver os segredos da ilha e seus fenômenos inexplicáveis. O capítulo final, veiculado com o adequado título de The End (O Fim), era aguardado desde o anúncio do final da série (em 2007) por uma legião de fãs e curiosos, na esperança de respostas para uma infinidade de questões.
Em termos de respostas, muito pouco foi dado: os mistérios da ilha continuam sem explicação - para a indignação de muitos, diversas dessas explicações ficarão a critério da imaginação e da interpretação de cada um. Este episódio final, com duração em torno de 110 minutos, tem em sua primeira metade o mais do mesmo que a série vinha mostrando nesta sexta e última temporada: enrolação e preparação para um clímax. Na segunda metade, sobretudo na última meia hora, a trama começa a correr efetivamente e passa a ter ares de final. Não se pode dizer que a série ficou sem seu final - que pode não ter sido elucidativo, mas ainda assim foi fechado, certeiro e, sob certo ângulo, emocionante e até bonito, onde a melhor solução encontrada foi a distração.
Distração. Na ausência de uma explicação plausível que pudesse justificar a teia de absurdos cultivada em 6 anos de show, a saída foi desviar o foco da audiência. A ilha continuou a ser o palco da ação principal, mas a criação dos chamados flash-sidewyas (algo como realidades paralelas), aparentemente sem pé nem cabeça no contexto inicial, foram tornando-se instigantes e chamando cada vez mais a atenção para si. Desde a aparição dos flash-sideways, os produtotes haviam anunciado que a relação dessas realidades com a história na ilha seria o grande mote da temporada e, consequentemente, do final da série, uma das poucas promessas que foi efetivamente cumprida. Muitas das respostas sobre a ilha ficaram no ar, perdidas com ela no meio do oceano. O desfecho da trama, embora pouco surpreendente, foi armado de forma tão tocante e bela que, naquele momento não sobrou espaço para indignação ou perguntas. O que ficou foi uma sensação de saudade e despedida, com uma pontinha de tristeza. Foi como uma etapa concluída, o fim de uma brincadeira que durou por 6 anos e uma despedida que, além de tardia, era necessária. E mais: uma bela demonstração da mágica da distração, onde não é preciso explicar nada quando se sabe desviar os olhos alheios para o lado. Que Lost descanse em paz, pois as perguntas continuarão a incomodar por muito tempo.

domingo, 23 de maio de 2010

LOST: ESTÁ CHEGANDO A HORA!

É chegada a grande hora! Esta noite a rede de TV americana ABC leva ao ar o episódio final de Lost, uma das séries mais instigantes e misteriosas (e enroladoras) de todos os tempos. Com o título The End (Parts 1 e 2), o episódio duplo contará com 2 horas de duração e corresponderá aos 17° e 18° capítulos da 6ª e última temporada. Por fim o público descobrirá o desfecho da história dos passageiros do vôo Oceanic 815 que, infortunadamente, caiu naquela misteriosa ilha, habitat de ursos polares, fumaças assassinas, milagres e fenômenos inexplicáveis.
A expectativa é alta para saber quais rumos a história e seus personagens tomarão em seus últimos momentos no ar, mas baixa no que diz respeito às explicações de toda a teia de mistérios e perguntas que a série teceu no decorrer dos seus 6 anos. Há pistas, comentários e conspirações que sugerem que muito do que se vem perguntando não será respondido, o que provocará a indignação de muita gente. Agora, é contar os minutos e conferir o que ainda está por vir. A sorte está lançada!

CINEMA: FÚRIA DE TITÃS

Mais um título da atual onda de reciclagem do cinema dos anos 80, Fúria De Titãs (Clash Of The Titans, 2010) traz às telas a saga do titã Perseu (Sam Worthington, o protagonista de Avatar), filho do deus Zeus com uma mortal. Sua missão é impedir que os deuses do Olympo destruam a humanidade, que neles deixou de acreditar. A premissa é uma deixa para sequências de lutas contras criaturas sinistras, expedições a locais aterrorizantes e encontros com deuses e monstros da mitologia grega.
Longe de honrar o original de 1981, Fúria De Titãs é um filmezinho de fantasia e aventura não mais que mediano - não chega a ser o lixo que a crítica anda pintando, tampouco uma grande coisa. Para quem assistiu recentemente a Percy Jackson E O Ladrão De Raios, vai achar Fúria De Titãs bem parecido, pela repetição de personagens e de situações. No fim das contas, os dois não deixam de ser equivalentes - enquanto o primeiro navega na onda infanto-juvenil no estilo Hary Potter, este apela para o cinema-catástrofe e para a ação fantasiosa, inspirando-se em franquias como A Múmia.
Dirigida por Louis Leterrier (o mesmo de Cão De Briga e do mais recente O Incrível Hulk), a releitura traz benefícios ao espectador no sentido auditivo e visual, sobretudo no que toca os efeitos especiais. No resto, a história é fraca e de um filme deste naipe não há como se esperar grandes diálogos ou interpretações, mesmo com a participação de bons atores como Liam Neeson (Zeus) e Ralph Fiennes (Hades). A desculpa do uso da tecnologia 3D para ampliar o realismo da fita aqui é pura balela: não há praticamente nada 3D! A única diferença que se nota é nas legendas, nos créditos finais e no bolso, onde acaba pesando quase o dobro de uma projeção convencional para se ter as mesmas impressões.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

CINEMA: ROBIN HOOD

Evite comparações deste Robin Hood (Robin Hood, 2010) com aquele de 1991, estrelado por Kevin Costner. Sim, o personagem é o mesmo, a história até é a mesma, porém, esta versão atual de Ridley Scott narra o surgimento do contraditório herói, aquele conhecido por tirar dos ricos para dar aos pobres.
Russell Crowe (parceiro do diretor em outros títulos como Gladiador e Rede De Mentiras) vive o protagonista, desde o soldado Robin Longstride até o forjado Robert Loxley, para finalmente tomar sua definitiva identidade junto à lenda que o cerca. Cate Blanchett (Elizabeth, O Senhor Dos Anéis) é Lady Marion, uma camponesa sem papas na língua e uma mulher visionária, atrevida demais para seu tempo. Seu envolvimento com Robin é de primeira importância para a evolução da história, que se passa logo após as cruzadas do violento Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston), onde o soberano é abatido em combate e seu trono é assumido por seu irmão João (Oscar Isaac), um tirano e injusto rei que, ao dispensar os serviços do fiel William Marshal (William Hurt, em um papel pequeno) cede o posto de conselheiro ao nefasto Godfrey (Mark Strong), um traidor que planeja instaurar uma guerra civil na Inglaterra entre a realeza e o povo, facilitando um ataque surpresa em conluio com o exército francês.
A arena da história que Scott tem para nos mostrar é um espetáculo de imagens, batalhas perfeitamente produzidas, cenários e figurinos perfeitos que remetem para a Inglaterra do século XII, efeitos sonoros ensurdecedores (ou era o som do cinema que estava desregulado) e uma boa trama que, apesar de longa, não deve ser recebida com cansaço ou preguiça. O roteiro contém alguns clichezinhos típicos de filmes de batalhas, como a caracterização piegas de Robin enquanto líder e a incursão do elenco na íntegra durante a luta, onde não faltam crianças e mulheres que sempre conseguem ir escondidas e, mesmo sem preparo algum, ainda vencem qualquer duelo. No mais, o filme se sai muito bem e termina na hora certa.
Se foi proposital ou não, a fita tem passagens que nos servem de metáfora e nos permitem traçar paralelos com nossos tempos. Basta observar as atitudes da coroa para com seus súditos, as motivações das batalhas e os absurdos cometidos em nome da igreja e em nome do rei. É, os tempos mudaram, mas o caráter humano, muito pouco: os pobres continuam sofrendo com fome e opressão, as guerras continuam matando aos milhares, mas agora com bombas e morteiros, as nações continuam querendo engolir umas às outras, mas com estratégias muito mais elaboradas do que séculos atrás. E os governantes... Esses continuam fazendo o que bem entendem, mentindo descaradamente e achando, assim como os reis antigos, que estão acima até mesmo de Deus. É pra rir ou pra chorar?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CINEMA: HOMEM DE FERRO 2

Em cartaz nos cinemas brasileiros desde o dia 30 de abril, Homem De Ferro 2 (Iron Man 2, 2010), não só é uma continuação do filme de 2008, como também um upgrade na atmosfera que envolve a história do herói - esteja ele vestido com a armadura de ferro ou com as roupas Tony Stark (Robert Downey Jr.).
Em termos de qualidade e de ação, ninguém fica devendo nada para ninguém: o que se perde por um lado, ganha-se pelo outro. Em uma via, o personagem de carne e osso vivido por Downey Jr. cresce na fita, em tom afetado e arrogante, de modo que torna-se impossível não amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. Por outra, o roteiro sofreu com alguns furos e alguns pulos dados para diminuir os trâmites da história e focar-se mais na ação. Alguns eventos, como o desenvolvimento do vilão Chicote Negro (Mickey Rourke) e o surgimento da Máquina De Guerra (Don Cheadle) parecem em certos momentos imediatos demais e desprovidos de uma motivação maior. Acertos como as participações contidas de Sam Rockwell como o ambicioso Justin Hammer, Scarlett Johansson na pele da Viúva Negra e a reprise de Gwyneth Paltrow como Virgínia "Pepper" Potts, em detrimento de um espaço maior para o protagonista, foram providenciais para dar gás ao filme e não atê-lo a uma gama de tramas paralelas desnecessárias.
Homem De Ferro 2 cumpre bem o seu papel e com certeza será uma das maiores bilheterias deste ano no verão americano, que já iniciou sua temporada de blockbusters. O ator/diretor Jon Favreau soube repetir a fórmula de sucesso do primeiro filme e, de canja, ainda deu os ares da graça no papel de Happy Hogan, o motorista e braço direito de Stark. Um terceiro volume está encomendado e em fase de elaboração, possivelmente para 2012, o ano em que também deveremos ver o Homem De Ferro lutando ao lado de Hulk, Thor e Capitão América em Os Vingadores (The Avengers), dos quais os dois últimos heróis, além de estarem com seus filmes próprios em fase de produção, ainda deixam pistas de sua eminente chegada nesta película aqui comentada. Esperem até depois dos créditos para ver!