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sexta-feira, 11 de junho de 2010

CINEMA: EM TEU NOME...

Mais um exemplar da boa leva atual do cinema gaúcho, Em Teu Nome... (Brasil, 2010) é um drama político ambientado nos conturbados anos 70, em meio à barbárie que foi a ditadura militar que assolou o Brasil por anos e marcou toda uma geração. O filme é baseado na trajetória de João Carlos Bona Garcia, um estudante que largou a faculdade e renunciou de uma vida de classe média para tornar-se um revolucionário. Junto a personagens reais e fictícios, a história de Boni (o nome dado ao personagem vivido pelo ator Leonardo Machado) é contada desde sua filiação, passando por toda a Via Crucis que muitos de seus companheiros de causa também conheceram, incluindo a nula liberdade de expressão, a insegurança constante, a prisão, as torturas e a tristeza do exílio.
O gaúcho Paulo Nascimento assina o roteiro e a direção - ele é também responsável por trabalhos como Diário De Um Novo Mundo e Valsa Para Bruno Stein. O aspecto técnico é competente, com boas escolhas de elenco (que em sua maioria conta com nomes poucos conhecidos, misturados a grandes nomes como Marcos Paulo e Sílvia Buarque em uma ótima e crescente atuação na história), fotografia, trilha sonora (com participação e aparição do cantor Vitor Ramil) e ambientações - desde as locações fechadas no Brasil para representar as prisões domiciliares em que a população se encontrava, até as belas cenas gravadas no exterior (Chile, Argélia e França) para contar os anos de exílio. A edição se apresenta meio perdida às vezes, intercalando cenas de contexto vago e sem muita importância, mas não compromete o produto final.
Dolorosa, sofrida e sem as apelações panfletárias ou clicherias utópicas de filmes do gênero, a trama é um retrato humano sob o olhar de quem viveu aquele tempo, o qual torna-se impossível ficar alheio e não se envolver emocionalmente. Há muita comoção, há muita indignação e há muita admiração pela coragem com que os jovens ali retratados tiveram ao renunciar de suas vidas, amores e famílias para correr mundo em prol de uma causa que se via perdida.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CINEMA: O ESCRITOR FANTASMA

Do polêmico diretor Roman Polanski, a história de O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, 2010) se baseia no livro do inglês Robert Harris, entitulado O Fantasma. Na trama é tratada a desventura do personagem sem nome de Ewan McGregor, um escritor fantasma (daqueles que escrevem livros para os outros sem levar os créditos) chamado para lapidar a biografia de um poderoso ex-primeiro ministro inglês de origem norte americana, Adam Lang, vivido pelo ex-007 Pierce Brosnan. Após sua chegada a uma praia deserta onde a família mantém uma bela casa, um grande escândalo envolvendo o político estoura na mídia e o escritor se vê envolvido na vida de Lang, o que inclui o convívio com a amargurada e estranha esposa do político, Ruth (Olivia Williams, de Educação), e sua fiel assessora Amelia (Kim Cattrall, a Samantha Jones de Sex And The City).
Com esta pregorrativa o escritor fantasma descobre inúmeros segredos e vai se embrenhando em uma trilha cheia de pistas e perigos, incluindo uma investigação sobre a morte do escritor que o antecedeu no trabalho da biografia. Assim como o mau tempo quase constante na praia, o filme contém um ar pesado: com diálogos excelentes, saídas inteligentes e um trabalho de câmera que nos põe para dentro da tela, o diretor, mesmo à distância, em sua cela onde cumpre pena por abuso sexual, conseguiu realizar uma obra digna de aplausos, apresentando um suspense que foge do convencional e consegue intrigar profundamente o espectador.
O medo, a dúvida e a desconfiança são peças-chaves para a trama, que conta ainda com a particicapação do ator Tom Wilkinson no papel de um professor que é peça-chave para o desfecho do mistério. Polanski consegue traduzir para sua obra uma sensação claustrofóbica pelo qual ele mesmo deve estar passando, estando preso, o que aumenta a atenção, fator necessário para um bom entendimento da história, que torna-se complexa com o avanço dos minutos. A boa escolha do elenco e as atuações contidas dão o toque final à fita que, embora passe longe das grandes bilheterias, é grandiosa em sua composição.