Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de maio de 2010

CINEMA: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

Co-produção entre Suécia, Dinamarca, Alemanha e Noruega, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor) é a versão cinematográfica do primeiro livro da Triologia Millennium, escrita pelo jornalista investigativo Stieg Larsson pouco tempo antes de sua morte. Sucesso na Europa, o livro de Larsson serviu de inspiração para este thriller policial e de suspense e chamou atualmente a atenção dos estúdios hollywoodianos, interessados em refilmar a obra a sua maneira.
A trama inicia com a busca por Harriet Vanger (Ewa Fröling), uma moça desaparecida nos anos 60, aos 16 anos. Desde então, durante todos esses anos, seu tio Henrik (Sven-Bertil Taube) vem recebendo quadros com flores, que acredita serem presentes do assassino da moça. Com todas as buscas já feitas e ainda sem respostas, Henrik contrata, como última alternativa, os seviços de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista investigativo de muito prestígio que está enfrentando um processo por difamação de uma grande empresa. Mikael penetra então em um mundo de segredos familiares, onde crimes violentos de cunho racial, religioso e sexual acabam por vir à tona. Em parceria com a perturbada hacker Lisbeth Salander (Noomi Rapace), o jornalista se envolve em um jogo perigoso de perseguição, onde as pistas do crime o levam cada vez mais para perto da morte.
Dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, o thriller é uma boa obra de mistério - consegue envolver o espectador com sua história, sem necessitar de um festival de efeitos especiais ou de ação incessante. Com um toque característico do bom cinema europeu, a trama é direta e o espectador não é poupado dos diálogos fortes e das cenas chocantes. O final justo e surpreendente permite que a fita agrade os apreciadores de histórias policiais e de investigação. Resta saber no que se tornará se os direitos do livro cairem mesmo nas mãos de Hollywood...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CINEMA: O MELHOR E O PIOR DE ALICE

O trailer, veiculado nas salas de cinema convencionais e 3D há quase um ano, anunciava: vem aí uma nova versão de Alice No País Das Maravilhas (Alice In Wonderland, 2010), mesclada com o conto Alice Através Do Espelho - e a promessa é de uma versão magnífica e nunca antes imaginada sobre as obras literárias de Lewis Carroll (1832-1898). O comandante? Tim Burton, um diretor conhecido por sua criatividade aguçada e pelo flerte com o sombrio em seus trabalhos - a princípio, o candidato perfeito para conduzir o projeto - a princípio...
A expectativa gerada em torno do filme foi grande, e tornou-se uma espera infindável graças ao adiamento de sua estreia no Brasil em quase 2 meses em relação aos demais países do globo (dizem por aí que o adiamento se deu em detrimento da permanência de Avatar nas salas 3D e de uma expecativa não concretizada da fita de James Cameron arrebanhar os principais prêmios do Oscar 2010). A tão esperada chegada aos nossos cinemas, assim como a brincadeira do telefone sem fio, nos leva a refletir sobre até onde se pode reinventar ou repassar uma história adiante.
A expectativa sobre a visão de Alice nos olhos de Burton tornou-se uma ilusão ainda maior do que a vivida pela personagem nos livros escritos por Carroll no distante século XIX. Boa parte por sua associação aos estúdios Disney na produção do trabalho, Burton, aliado ao roteiro estapafúrdio de Linda Woolverton (prata da casa, responsável, dentre diversos títulos, pelos roteiros de Mulan e do primeiro Rei Leão) tornou um clássico da literatura e, por que não dizer, da filosofia popular, em uma colcha de retalhos sem sentido, onde os personagens estão irreconhecíveis e muito do tempo é desperdiçado em uma aventura medieval enfadonha, nos moldes de O Senhor Dos Anéis e As Crônicas De Nárnia.
O filme é visualmente impecável, nos mínimos detalhes do figurino e da computação gráfica violentamente empregada. O uso do 3D, embora tímido em algumas passagens, quando empregado, chega a ser vertiginoso: a cena da queda de Alice no buraco, os objetos atirados na telona pela Lebre de Março (voz de Paul Whitehouse) e a cena de vôo com Tweedledee e Tweedledum (voz e expressões faciais de Matt Lucas) são incríveis e merecem respeito pela elaboração. O recurso foi bem empregado em algumas cenas também para dar ideia de planos e profundidade.
Os atores estão muito bem na história: embora poucos personagens sejam de carne e osso, a atuação dos dubladores é excelente (o filme conta com nomes do peso de Alan Rickman e Stephen Fry, respectivamente a Lagarta Azul e o risonho Gato de Cheshire). Dentre os personagens reais, a Alice adulta e depressiva escolhida por Burton (a atriz Mia Wasikowska) foi uma escolha felicíssima - Mia é carismática e apática na medida certa para o papel. Embora seja um desparate do diretor querer sobrepor a protagonista com um personagem secundário em prol da escalação de seu ator predileto, a participação de Johnny Depp como o Chapeleiro Louco está mais uma vez impecável - o maior problema do personagem é sua própria composição, sugerida pelo roteiro. Helena Bonham Carter mostra domínio de atuação ao viver a malvada, hilária e cabeçuda Rainha Vermelha (na verdade, um mix da Rainha de Copas do primeiro livro com a própria Rainha Vermelha do segundo), enquanto Anne Hathaway vive uma Rainha Branca esquisitona e sem sal.
A sensação de decepção com boa parte do filme é inevitável: o filme perdeu toda a ironia e a arrogância desde o ponto em que os habitantes do País das Maravilhas, antes psicóticos e malvados, tornaram-se um bando de bichinhos bonzinhos e fofos. O nascimento de uma Alice guerreira e de duas facções de gladiadores sob o comando das duas rainhas coloridas foi a pior escolha possível - na intenção de tornar o filme ainda mais comercial, a investida da Disney arruinou qualquer suspiro de dignidade que a adaptação ainda mantinha.
No fim das contas, esta releitura de Alice No País Das Maravilhas reduz-se a um filme lindo de se ver, mas difícil de engolir.