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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CINEMA: O FILME DOS ESPÍRITOS

O Filme Dos Espíritos (Brasil, 2011), dirigido pela dupla André Marouço e Michel Dubret, é mais um título que pega carona na onda espírita, iniciada em 2008 com a produção Bezerra De Menezes: O Diário De Um Espírito, cuja temática visa atrair adeptos da doutrina, simpatizantes, curiosos e os próprios fãs de cinema em geral. Como o próprio título sugere, o filme tem como inspiração O Livro Dos Espíritos, publicado por Allan Kardec em 1857, inspiração que, além de se valer de alguns trechos do escrito, emprega "lições" ensinadas pela doutrina e utiliza o próprio objeto livro como personagem para a história que é contada.
No centro da narrativa encontra-se Bruno Alves (Reinaldo Rodrigues), um homem atormentado por uma vida de dificuldades e alcoolismo, à beira do suicídio que, em um dado momento entra em contato com o livro de Kardec e passa a ter descobertas que mudarão o rumo de sua vida. Há algumas outras histórias paralelas que são contadas, na intenção de depois juntar tudo através do cruzamento dos personagens em alguns cenários e situações, mas de modo geral têm muito pouca importância se comparadas à atenção dada para a história do protagonista - é o caso da história do Dr. Levi e sua esposa Gabi (Nelson Xavier e Ana Rosa, respectivamente - dois atores que nos últimos tempos se tornaram figurinhas fáceis em filmes desta temática), que poderia ser melhor explorada, mas finda mais por servir de acessório do que de segmento de trama.
A narrativa não se assume doutrinária, porém soa como tal em diversos momentos: o simples fato do personagem Bruno andar com o livro por toda a parte já dá pistas da pretensão, assim como citações soltas de trechos da obra utilizadas para ilustrar certas cenas. As imagens em flashback apresentadas tornam as revelações da trama óbvias e não surpreendem nem mesmo o espectador mais distraído. Como função social, cumpre papel ao divulgar o importante trabalho das Casas André Luiz, clínicas de assistência a portadores de doenças mentais, local onde trabalha o Dr. Levi e que passa a ser visitado frequentemente por Bruno.
O filme tem suas pontas soltas e leva o fim da história um pouco além do necessário: a velha mania de explicar tudo tim-tim por tim-tim. A produção tem seus defeitos, mas consegue um conceito regular, com alguns méritos. A temática é pesada de um modo geral, tratando quase que por unanimidade com a morte, a doença, a perda e a solidão, mas a direção sabe em alguns momentos brilhantes ser sutil, abrandando o peso de forma sugerida, sem ser explícita demais. Um atrativo no mínimo curioso para uma conferida é a participação de Luciana Gimenez (hein? sim, ela mesma!) no papel de uma velha, quase irreconhecível - se ela fez bonito ou não, tirem suas próprias conclusões.

terça-feira, 25 de maio de 2010

CINEMA: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

Co-produção entre Suécia, Dinamarca, Alemanha e Noruega, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor) é a versão cinematográfica do primeiro livro da Triologia Millennium, escrita pelo jornalista investigativo Stieg Larsson pouco tempo antes de sua morte. Sucesso na Europa, o livro de Larsson serviu de inspiração para este thriller policial e de suspense e chamou atualmente a atenção dos estúdios hollywoodianos, interessados em refilmar a obra a sua maneira.
A trama inicia com a busca por Harriet Vanger (Ewa Fröling), uma moça desaparecida nos anos 60, aos 16 anos. Desde então, durante todos esses anos, seu tio Henrik (Sven-Bertil Taube) vem recebendo quadros com flores, que acredita serem presentes do assassino da moça. Com todas as buscas já feitas e ainda sem respostas, Henrik contrata, como última alternativa, os seviços de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista investigativo de muito prestígio que está enfrentando um processo por difamação de uma grande empresa. Mikael penetra então em um mundo de segredos familiares, onde crimes violentos de cunho racial, religioso e sexual acabam por vir à tona. Em parceria com a perturbada hacker Lisbeth Salander (Noomi Rapace), o jornalista se envolve em um jogo perigoso de perseguição, onde as pistas do crime o levam cada vez mais para perto da morte.
Dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, o thriller é uma boa obra de mistério - consegue envolver o espectador com sua história, sem necessitar de um festival de efeitos especiais ou de ação incessante. Com um toque característico do bom cinema europeu, a trama é direta e o espectador não é poupado dos diálogos fortes e das cenas chocantes. O final justo e surpreendente permite que a fita agrade os apreciadores de histórias policiais e de investigação. Resta saber no que se tornará se os direitos do livro cairem mesmo nas mãos de Hollywood...

sábado, 15 de maio de 2010

CINEMA: CHICO XAVIER

Brasil, o país com a maior população de espíritas do mundo, tem na figura do médium Chico Xavier (1910 - 2002) seu maior representante. A cinebiografia entitulada Chico Xavier (2010) e dirigida por Daniel Filho faz um apanhado geral sobre a vida e a trajetória do mineiro, desde sua sofrida infância até seu reconhecimento como o maior médium que o país já conheceu, tendo publicado mais de 400 obras psicografadas.
Nos moldes tradicionais de toda adaptação biográfica, a história contada por Daniel Filho mostra Chico Xavier em 3 fases de sua trajetória: quando criança (o ator mirim Matheus Costa), quando jovem adulto (Ângelo Antônio, a melhor das 3 interpretações) e na etapa mais madura de sua vida (Nelson Xavier). Amparada por um elenco estrelar da Rede Globo, a fita calça a narrativa sobre duas entrevistas dadas por Chico em 1971 no programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi. Há espaço ainda para retratar suas primeiras experiências mediúnicas, o preconceito sofrido pelo espiritismo, a caridade por Chico praticada (o auxílio aos pobres e o consolo dado através de psicografias para pessoas desoladas pela morte de entes queridos) e sua relação com o espírito Emmanuel (André Dias), seu mentor.
Não há como negar que o filme, de certa forma, celebra o espiritismo, mas seria impossível separar a doutrina da história do médium. De qualquer forma, a narrativa é desenvolvida em um nível de fácil entendimento, o tom do drama não é apelativo ou sobrenatural, chegando a ser abrandado com alívios cômicos em algumas partes, para, além de contar a história, também divertir a audiência: tudo foi meticulosamente ajustado para o formato família, para agradar da criança à vovó. Sem julgar o teor propositadamente comercial, o filme tem o seu valor e é no mínimo interessante como biografia e homenagem respeitosa à memória do grande ser humano que foi Chico Xavier, independente de crenças ou intenções.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

UM OLHAR DO PARAÍSO

Antes da triologia O Senhor Dos Anéis, Peter Jackson era praticamente um desconhecido no circuito hollywoodiano. Quase 10 anos após o lançamento de A Sociedade Do Anel, o diretor neozelandês, também roteiritsa e produtor, é hoje um dos nomes mais cotados do cinema contemporâneo. É dele também a direção da refilmagem titaniquesca de King Kong (2005) e do recente Um Olhar Do Paraíso (The Lovely Bones, 2009), baseado na elogiadíssima obra literária de mesmo título, lançada em 2002 por Alice Sebold.
Além da competência na direção, Jackson tem feito fama por suas boas escolhas e pelas boas equipes que compõe a cada produção, garantindo sucesso e qualidade às obras - pode-se dizer que em Um Olhar Do Paraíso isso não é diferente: embora o filme não obtenha um mérito grandioso de excelência, a soma de trabalho no roteiro, na produção e no desempenho do elenco garantem um resultado bastante satisfatório e proporcionam alguns momentos de beleza e leve envolvimento ao contar a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan, em ótima atuação), uma menina de 14 anos brutalmente assassinada, cujo espírito fica preso em um lugar entre o céu e a Terra, ansiando por justiça e pelo fechamento de eventos que não conseguiu cumprir em vida.
A trama belisca em assuntos que envolvem a condição do espírito e a questão da vida e da morte, sem defender nenhuma frente ou provocar polêmicas - na verdade, o fator é muito mais espiritual do que religioso, representado belamente (e às vezes até de forma meio confusa) por imagens e metáforas que se apresentam para Susie durante seu período neste "meio do caminho". Abre-se espaço para o suspense e a ação no arco que envolve o assassino de Susie, o vizinho e psicopata George Harvey (Stanley Tucci, amedrontador e quase irreconhecível). Há ainda um alívio cômico garantido por Susan Sarandon, muito bem situada no papel de avó e, por fim, há toda a comoção familiar, de onde saem bons momentos dramáticos protagonizados pelos pais da menina, interpretados por Rachel Weisz e Mark Wahlberg (milagrosamente despido da canastrice habitual).
Com uma certa arrastação e alguns contratempos de história desnecessários que nos remetem a Ghost e outras clicherias de filmes com espíritos, inclusive os de terror, a fita tem um desfecho coerente e consegue emocionar contidamente a platéia, o que já é um mérito, quando se tem uma história que, em mãos erradas, poderia virar um dramalhão sem precedentes e pôr tudo a perder. Trata-se de um trabalho realizado com capricho, com arestas aparadas e com o bom gosto pelo qual Peter Jackson se orgulha de ser reconhecido.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A FESTA DO SANTO REIS

Conta a história que Jesus Cristo nasceu em Belém no dia 25 de dezembro do ano que viemos a conhecer como ano zero. Conta também a história que no dia 6 de janeiro seguinte, o recém-nascido recebeu a visita de 3 Reis Magos vindos do oriente, que chegaram guiados por uma estrela no céu, trazendo-lhe de presente ouro, incenso e mirra. Este dia ficou conhecido como Dia de Reis, mais lembrado pelo povo ocidental como o dia em que desarmamos a árvore e as decorações de Natal.
Uma verdade precisa sobre os 3 Reis Magos não existe. O único volume da Bíblia que os menciona é o Evangelho Segundo São Mateus, sem sequer precisar o número de Reis que vieram visitar Jesus - presume-se que eram 3 pela quantidade de presentes que trouxeram.
Não se sabe nem mesmo se eles eram reis de fato: segundo pesquisas, é mais provável que tenham sido astrólogos ou astrônomos, uma vez que seguiram a estrela que os levou em direção ao Messias. Acredita-se também que fossem sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia, ou conselheiros. Seus nomes seriam Melchior, Gaspar e Baltazar. Eles ganharam a denominação de Santos Reis somente oitocentos anos após o nascimento de Cristo.
A eles é atribuida a tradição da troca de presentes no Natal, embora algumas culturas ainda o façam somente no próprio Dia de Reis. Na antigüidade, o ouro era um presente para reis, o olíbano (incenso) para sacerdotes, representando a espiritualidade, e a mirra, para profetas (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Os Reis Magos são considerados santos pela Igreja Católica e seus fiéis crêem em seu poder para a concessão de pedidos. Em diversos países são celebrados em cultos e festejos religiosos, como a Folia de Reis, festa de origem portuguesa que acontece principalmente no interior do Brasil no período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro.
Embora nenhum fato seja provado, há diversas hipóteses que circulam em torno do nascimento de Cristo e da visita dos Reis Magos. Fiz esta pequena pesquisa na Internet e divido-a aqui com meus leitores. Posso dizer que foi no mínimo culturalmente enriquecedora. Agora que já sei um pouco mais sobre os Reis Magos, vou fazer meus pedidos e desmontar minha árvore de Natal.

Fontes: InfoEscola e Wikipédia.

»JUKEBOX: A trilha do post ficou a cargo de Paraiso Express, o mais recente trabalho do espanhol Alejandro Sanz, saído do forno no final de 2009.«


»MAURICIOPÉDIA: Em alusão à tradicional Festa de Santos Reis, A Festa do Santo Reis foi composta por Márcio Leonardo e é um dos maiores sucessos da carreira do inesquecível soulman Tim Maia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

FAMOSOS QUE DESAFIARAM DEUS

Chega a ser engraçado comentar um Power Point que recebi por e-mail hoje, entitulado "Famosos que Desafiaram Deus". Nele, histórias sobre pessoas que blasfemaram ou debocharam de alguma forma contra Deus, Jesus Cristo ou o cristianismo e que acabaram vítimas de tragédias ou derrotas. Espertamente, a apresentação não puxa o assado para a brasa de nenhuma religião em específico, tampouco contém os créditos do ocupadíssimo autor que a criou.
Curioso como ainda tem gente que acredita nesse Deus tirano e vingativo. Cometemos erros e blasfêmias diariamente - ainda assim, como dizer que estamos sempre sendo castigados por Deus, quando muito do que acontece de ruim conosco, muitas vezes são consequencias do que nós mesmos desencadeamos? Se Deus fosse aniquilar a todos que um dia blasfemaram, fizeram alguma piada sobre Ele ou que usaram Seu santo nome em vão, só sobrariam os crentes fervorosos, e ainda assim eu tenho minhas dúvidas!
Nos dias de hoje, onde a liberdade religiosa é um direito adquirido, cada um acredita no que quiser. E é exatamente através desse gancho que alguns religiosos fanáticos (ou mal intencionados) criam sua prerrogativa para a manutenção da fé: crime e castigo, inferno, purgatório e sofrimento eterno para aqueles que se desviam dos caminhos "do Senhor" - muitos instituídos pela própria religião, e sem fundamento. É importante ter fé e acreditar em algo além do material, eu acho, mas o que questiono é a fé cega: uma fé sem dúvidas e sem incertezas do que é verdadeiro, sem uma distinção exata do que é certo ou errado perante Deus e perante nós, os "irmãos" na Terra.
Se Deus existe (e eu acredito que exista mesmo, diferente da forma de um velhinho de barba que fica em cima de uma nuvem), que outro seria o nosso propósito neste planeta, senão o aprendizado e a evolução? Deve existir punição em algum outro plano para o qual vamos, mas a punição é retroativa ao que fizemos de mal aos outros ou a nós mesmos e não ao que fizemos que vá contra qualquer crença ou pregação. Para os vitimados, que outra explicação senão a fatalidade ou o próprio destino? Não esqueçamos que o acaso também existe! Ou, por essa visão, as vítimas das guerras, dos acidentes e da violência que vemos diariamente nada seriam além de um bando de pecadores que, em côro, ofenderam a Deus?
Segundo essa "Teoria da Conspiração Celestial", John Lennon tomou 5 tiros porque disse que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo, e não porque um doido varrido resolveu matá-lo gratuitamente. O Titanic afundou porque seu construtor afirmou que nem Deus o afundaria, e não porque colidiu contra um iceberg. A mais cômica de todas afirma que Brizola não se elegeu presidente em 1990 porque disse que seria até capaz de aceitar o apoio do diabo para ganhar a disputa - parece que a alta rejeição dele como candidato, seu histórico de desafetos, a pouca força de seu partido na eleição e a preferência popular por Collor não contaram. Aparecem na lista também Marilyn Monroe, Cazuza e Tancredo Neves, entre outros - e faltou Kurt Cobain que escreveu na letra de "Stay Away" a frase "God is gay (Deus é gay)".
Madonna que se cuide! Se por muito menos esses famosos tiveram finais trágicos, imagina o que a espera, tendo um caso com Jesus...

»MAURICIOPÉDIA: A citada "Stay Away" foi gravada pelo próprio Nirvana, banda da qual Kurt Cobain foi líder, vocalista e guitarrista. A canção encontra-se no álbum "Nevermind", de 1991, considerado um dos maiores álbuns de rock de todos os tempos.«