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domingo, 13 de junho de 2010

O SUCESSO DE GLEE

No início de setembro passado Glee estreava na TV americana como uma aposta alta e ousada da rede Fox e do produtor de séries Ryan Murphy, responsável também pela recém findada Nip/Tuck. Lembro que na ocasião dediquei um post a meditações sobre as possibilidades de sucesso e fracasso da série, lançando a pergunta "Glee: será que vai pegar?". Justamente 9 meses depois, uma gestação, só há uma resposta a ser dada: "Pegou!".
Fenômeno de sucesso nos EUA, a série já expandiu sua fama mundo afora e cativou adolescentes e adultos com a dramédia musical que tem como pano de fundo um clube de cantoria em uma escola de ensino médio no interior do estado de Ohio. Formado por alunos excluídos e impopulares, o clube enfrenta dificuldades e preconceitos, assim como seus membros, que veem na música um meio de se integrarem e de fazerem novas amizades, se apaixonarem, se aceitarem e se encontrarem no mundo.
O sucesso televisivo foi tamanho que, inicialmente prevista para ter 13 episódios, a história ganhou outros 9, retornando de um hiato que durou de dezembro a abril e fechando na última terça-feira, 8 de junho, pouco depois do final oficial da fall season. A produção se saiu muito bem no mercado fonográfico também: neste curto período de 9 meses foram lançados nada menos que 5 álbuns com as músicas apresentadas na TV, sendo que dois deles foram EP's específicos de episódios e, dos outros 3, um saiu em versão normal e em versão deluxe, com direito a faixas adicionais. As vendas foram boas e tanto os álbuns quanto os singles atingiram posições respeitosas nas paradas da Billboard - um feito grandioso para um repertório exclusivo de covers variadas em estilos, artistas e épocas.
Finalizada com o episódio Journey, fazendo alusão à banda de mesmo nome e também ao termo "jornada", a primeira temporada encerrou deixando saudades e levando consigo um desafio para o setembro próximo de manter o padrão de qualidade e o sucesso obtidos até aqui. Com renovação garantida por pelo menos mais dois anos, a equipe de produção, que já teve até a permissão de Madonna para fazer um episódio só com suas canções (veiculado lá fora em 20/04 e entitulado The Power Of Madonna), tem um universo musical inteiro para explorar e para adaptar ao canto dos competentes atores cantantes do elenco. Que as imitações mantenham-se longe e que, mesmo com toda a inocência jovial e instável que rege a atmosfera da trama, possamos nos deleitar por bastante tempo ainda com os "losers" cantores, suas desventuras e até mesmo com seus divertidos vilões.
(No Brasil já está disponível para venda o box em DVD com os primeiros 13 episódios e somente os volumes 1 e 2 em CD. A estreia da segunda parte da temporada na TV a cabo é prevista para o mês de julho).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

FALL SEASON 2009/2010: IMPRESSÕES

Nas linhas a seguir farei um apanhado das séries que estou acompanhando atualmente, em sincronia com a exibição nos Estados Unidos. São 2 séries estreantes e 6 que já podem se considerar veteranas, organizadas por ordem de antiguidade.
Ainda não consegui chegar em Nip/Tuck, que já tem 2 episódios novinhos em folha para assistir, mas em breve corrigirei esse lapso. E isso sem contar que quando janeiro chegar tem mais uma rodada de Damages e em fevereiro tem a última temporada de Lost!

DESPERATE HOUSEWIVES (6ª TEMPORADA)

Há quem ache que Desperate Housewives já esteja merecendo um encerramento. Entrando na 6ª temporada, a série que conta as desventuras de um grupo de donas-de-casa em um subúrbio americano não mostra grandes evoluções já faz um bom tempo: tudo gira em torno do casa/descasa das senhoras, filhos infernizantes e vizinhos misteriosos ou psicopatas que vêm e vão a cada ano. O clima de mistério que se tinha no início, a graça que havia nas trapalhadas do quarteto Susan (Teri Hatcher), Lynette (Felicity Huffman), Bree (Marcia Cross) e Gaby (Eva Longoria Parker) e as sutilezas que a série levantava sobre a vida nos subúrbios tornaram-se óbvias demais e repetitivas. As desesperadas continuam com bons índices de audiência lá fora e ainda são uma boa opção de distração, mas não passam disso - a série está cada vez mais próxima do formato novela, com arcos desimportantes e arrastados ocupando espaço das tramas principais e um eterno déjà vu de situações, que progride em uma temporada e volta à mesma estaca zero na seguinte. Para quem já chegou até aqui, não há porque não continuar acompanhando, mas confesso que minha expectativa é bem menor em relação a outras séries que estão bem mais interessantes e promissoras no momento.

SUPERNATURAL (5ª TEMPORADA)

Já na 5ª temporada de Supernatural, os irmãos Dean (Jensen Ackles) e Sam (Jared Padalecki) Winchester têm que achar uma solução para mandar o próprio Lúcifer de volta para o inferno. Além da eminência do Apocalipse, o caos assolando o planeta e toda a gangue de Satanás aprontando na Terra, a dupla ainda tem que encarar diferenças pessoais, a invalidez do amigo e pai substituto Bobby (Jim Beaver) e a falange dos anjos de Deus, sempre na cola dos dois. Dá para se dizer que a série evoluiu desde sua estréia em 2005: a produção consegue manter um padrão no formato, traz boas piadas, sustos, ação, dramas (embora pequenos) e formou um arco interessante em torno dos demônios, o que tem segurado a audiência e mantido a história no ar com boa aceitação do público, sobretudo o adolescente. Fala-se do término da série nesta temporada. Embora seja cedo para qualquer confirmação, há rumores também do fechamento do arco envolvendo os demônios e da criação de um novo para dar continuidade à série. Se Supernatural seguir os passos de Smallville, sua co-irmã de canal, tão cedo o Impala dos Winchester não descansará da estrada... Aguardemos!

HEROES (4ª TEMPORADA)

Acreditando no dito popular de que "não adianta chorar sobre o leite derramado", Heores promete não perder mais tempo e tenta desfazer a má impressão deixada pelas últimas 2 temporadas. Com uma excelente e empolgante temporada inicial, a série se perdeu na hora de dar a sequencia, com viagens no tempo impossíveis de se entender, uma sobrecarga de personagens que não tinham nada a dizer, amarrações mal feitas, vilões sem carisma e situações impossíveis de se contornar. Com a corda no pescoço, a série começou a sentir o aperto com a queda da audiência, uma avalanche de críticas negativas e o anúncio de uma redução de episódios para a fall season 2009/2010 (serão 19 ou 20 episódios, contra 25 creditados na temporada anterior). Se não houver melhoria na situação, um cancelamento será eminente. Felizmente, o produtor Tim Kring e sua equipe puxaram as mangas e estão trabalhando para colocar a série nos eixos: retomaram como personagens principais praticamente o mesmo grupo da temporada inicial, eliminaram o excesso de bagagem de personagens desnecessários, reduziram as viagens no tempo e as profecias futurísticas, centraram cada "herói" em seu próprio arco e estabeleceram um cenário que, se bem conduzido, promete trazer a excelência que garantiu a Heroes um status de excelência em seu início. A escalação do ator Robert Knepper (o T-Bag de Prison Break) para viver o vilão Samuel Sullivan foi um dos acertos desta nova temporada, que, se continuar evoluindo como o fez nos 7 episódios vistos até aqui, será marcada pelo retorno da diversão, da ação e da expectativa em torno deste interessante grupo de pessoas com habilidades especiais.

BROTHERS AND SISTERS (4ª TEMPORADA)

Depois de um péssimo Season Finale, um dos piores já vistos, Brothers And Sisters retorna para a quarta temporada, por enquanto menos cômica e prometendo uma boa carga dramática para arrebatar os ânimos. A ausência de Tommy (Balthazar Getty), o clímax da temporada anterior, foi preterida pelos demais temas da nova temporada e, embora o personagem continue na história, ainda não deu os ares da graça em nenhum dos 5 capítulos que já foram ao ar. Sarah (Rachel Griffiths) esteve sumida no início da temporada, mas isso em consequencia de sua intérprete ter tido bebê há pouco tempo - a moça já retornou de vez à série. As pontas soltas da terceira temporada se amarram e cedem vez ao casamento de Justin (David Annable) e Rebecca (Emily VanCamp), à adoção de um bebê por Kevin (Matthew Rhys) e Scotty(Luke MacFarlane) e à doença de Kitty (Calista Flockhart), o que tem causado certo derramamento de lágrimas, tanto nos personagens quanto neste que vos escreve. Tramas menores, como a eterna campanha eleitoral de Robert McCallister (Rob Lowe), os problemas financeiros da Ojai Foods nas mãos de Saul (Ron Rifkin) e Holly (Patricia Wettig) e a ambiguidade de conduta de Ryan Lafferty (Luke Grimes) começam a se desenvolver para garantir outros arcos no decorrer dos próximos 6/7 meses. E, com tantos problemas na vida da família Walker, a matriarca Nora (Sally Field) nem mesmo teve a chance de uma história para si - enquanto isso, ela segue ocupada se escabelando para resolver a vida dos filhos.

CALIFORNICATION (3ª TEMPORADA)

O sucesso do início desta 3ª temporada de Californication já garantiu ao doidão Hank Moody (David Duchovny) a certeza de uma quarta temporada no ano que vem. Lecionando em uma universidade, Hank agora tem um buffet de alunas, secretárias e professoras a sua disposição - e não é preciso ser vidente para sugerir que renderá muita confusão, sexo, sexo, sexo e mais confusão. A dificuldade na relação de Moody com a filha Becca (Madeleine Martin), agora uma adolescente rebelde, marcou como fator dramático os primeiros episódios e dá pistas do caminho que esta temporada, formada por 12 episódios, seguirá. As confusões do engraçado Charlie Runkle (Evan Handler) surgem na tentativa de reconquistar a ex-mulher Marcy (Pamela Adlon) e de escapar dos assédios de sua nova chefe (a monstruosa e "botocada" Kethleen Turner, em participação hilária e desbocada). São notáveis as ausências de Karen (Natascha McElhone, com uma curtíssima aparição até agora), que está em Nova York, e de Mia (Madeline Zima, em saída definitiva para participar de Heroes), que na história viajou para divulgar seu livro. Californication, mesmo pesada, é uma das séries adultas mais irônicas e bem humoradas da atualidade e merece todo o sucesso que vem conquistando - é o tipo de série que só vai terminar o dia que alguém imprescindível da equipe ou do elenco não a quiser mais fazer...

FRINGE (2ª TEMPORADA)

Eis uma série bacana: Fringe. Embora o que mais me agrade nela seja a lembrança da minha saudosa e venerada Arquivo-X, pela complexidade que se forma aqui temo por um novo Lost, cheio de mistérios que nunca terão explicação. Por outro lado, a série foge um pouco do formato com ligações entre todos os episódios, veiculando histórias avulsas em algumas semanas, poupando o desgaste da trama central e dando um fôlego para o público descansar do mesmo tema, conhecer novos mistérios e obter respostas para algumas questões que vão sendo levantadas. A indiferença inicial que havia com alguns personagens se tornou simpatia e, depois de se familiarizar com a série, é quase impossível não torcer pela séria agente Olivia Dunham (Anna Torv) na busca por respostas aos mistérios e aberrações que ela encontra em seu caminho. A 2ª temporada de Fringe segue os rumos da primeira, com um novo mistério envolvendo os personagens e uma nova cadeia de eventos. Está bem interessante e deve trazer mais sustos e ação, além das divertidas tiradas do excelente Dr. Walter Bishop (John Noble) e seu filho, o sombrio Peter Bishop (Joshua Jackson).

GLEE (1ª TEMPORADA)

Glee está cada dia melhor, divertida, cheia de tramas, ironias e críticas à sociedade - é uma série de adolescentes, mas não necessariamente para adolescentes -; sem contar que o formato dramédia musical emplacou e tornou-se um diferencial para a série. Fiquei feliz quando descobri que a 1ª temporada, inicialmente programada para 13 episódios, ganhou mais 9, totalizando os 22 padrões.

FLASH FORWARD (1ª TEMPORADA)

Flash Forward começou devagar e ainda está devagar, mas tem melhorando a cada episódio. Começam a surgir novas pistas e algumas peças estão a se encaixar, mas, em se tratando de uma temporada completa, com 22 episódios ou mais, ainda há muito o que esperar até o fatídico 29 de abril de 2010 prometido na série. Resta acompanhar para se saber se a série vai conseguir segurar o clima de suspense e expectativa sem se tornar monótona ou enrolada demais...


»JUKEBOX: A trilha sonora da postagem deste texto ficou por conta de Más, de Alejandro Sanz. Embora não seja o trabalho de debut do cantor espanhol, o álbum de 1998 foi o primeiro a estourar fora de seu país, por conta do megahit Corazón Partio

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

GLEE: SERÁ QUE VAI PEGAR?

Nesta quarta-feira, mais precisamente hoje, entra oficialmente na grade televisiva dos EUA Glee, a nova série do criador Ryan Murphy, o mesmo de Nip/Tuck. Após a boa recepção do episódio-piloto, exibido pela emissora Fox em maio deste ano, o segundo, entitulado Showmance, abre a participação da série na fall season 2009/2010 e dá continuidade semanal a esta primeira temporada, prevista inicialmente para ter 13 episódios.
É difícil julgar uma série por seu piloto, mas através dele já pode-se ter um norte do que está por vir - e neste critério Glee mostrou que tem gás, apresentando um piloto que, depois de 10 minutos iniciais de estranheza, achou o tom e se apresentou de forma competente. Resta saber se esse gás vai longe...
Vamos aos fatos:

1 - A temática da série gira sobre um grupo de estudantes (a maioria estereotipados, discriminados e considerados "perdedores") de uma escola de ensino médio que decidem participar de um coral (o tal Glee Club). Isso pode ser um grande atrativo para os jovens e render boas histórias, mas também pode se tornar apenas mais um clichê, se mal conduzido. A identidade de uma faixa etária pode ainda não chamar a atenção do público adulto, que representa a fatia maior do público televisivo.

2 - Glee é uma dramédia musical. Em tempos em que American Idol e High School Musical são absolutos na preferência do público, as chances da série alcançar seu lugar ao sol da audiência são grandes. Por outro lado, por ser um musical que não segue a fórmula tradicional do gênero, isso pode se virar contra a própria série.

3 - Ryan Murphy tem prestígio e know-how suficientes para segurar a peteca da história. Em contrapartida, Glee é algo tão novo para ele quanto para os espectadores, que estão pela primeira vez vendo uma série nesse formato. Embora no piloto a série dê pistas de que vai se embrenhar no terreno do politicamente incorreto, não há como se aproximar do que é ou do que já foi Nip/Tuck em termos de temática bizarra e ousada, o que significa que não há garantia alguma de que os fãs da série médica vão simpatizar também com o musical.

4 - As estatísticas atualmente lutam contra as séries: devido ao grande número de séries novas despejadas na televisão americana a cada ano (é uma praga muito maior que a disputa das novelas no Brasil), da exigência do público e da sucessiva impressão de déjà-vu deixada por grande parte delas, as chances de qualquer série dar errado são muito maiores do que as chances de dar certo. Ou a série cai na graça do público ou precisa ser muito boa, sendo que o segundo critério também não garante sua permanência no ar (vide, por exemplo, as recente e precocemente finadas Jericho e Pushing Daisies). A produção de séries aumenta a cada ano e o espaço é cada vez mais disputado - as exigências por audiência das redes de TV e a quantidade de opções cresce tanto a cada ano que, se já fosse assim 4 ou 5 anos atrás, possivelmente não haveria a perpetuação de séries hoje consagradas e que seguem firmes e fortes com suas temporadas já bem avançadas na linha do tempo.

5 - Identificação com o elenco: o que se vê é que a molecada canta muito bem, mas o elenco é composto basicamente por anônimos. Alguns rostos são conhecidos por pontas em outras séries (a professora de Ed. Física era também professora de Ed. Física na escola de The New Adventures Of Old Christine, a professora com transtorno obsessivo-compulsivo foi uma garçonete com a habilidade de decorar tudo que lia na primeira temporada de Heroes e a esposa do professor regente do coral era a bruaca e odiada Gina de Nip/Tuck) e mais nada. A série enfrentará o desafio de se firmar como um show popular e também para firmar seu elenco entre os nomes conhecidos do grande público, o que é mais uma evidência de sucesso.

Vamos ver no que dá, pois a caminhada é longa. Acredito que Glee fará uma temporada de estréia bem sucedida, mas não creio que a série vá passar de 3 ou 4 temporadas sem se tornar cansativa, embora eu hoje torça para que possa ir bem mais longe que isso. Nunca se sabe, estou apenas fazendo a minha aposta. Gostei bastante, simpatizei com os personagens, me empolguei com alguns dos números musicais e recomendo a todos que puderem assistir, desde que gostem do gênero musical, é claro!


»JUKEBOX: A trilha de hoje foi o álbum mais recente de Zélia Duncan, entitulado "Pelo Sabor Do Gesto". O álbum conta com participações de Fernanda Takai e Chico César. No repertório, a bela "Telhados De Paris", mais conhecida na voz de seu autor, Nei Lisboa


»MAURICIOPÉDIA: "Nip/Tuck" está com seu final previsto para a sexta temporada, que começa a ser exibida no início de 2010.«