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domingo, 7 de fevereiro de 2010

GUERRA AO TERROR

Da diretora Kathryn Bigelow, Guerra Ao Terror (The Hurt Locker, 2008) é um dos mais fortes candidatos ao Oscar 2010, batendo de frente com seu ex-marido, o também diretor James Cameron, e seu Avatar, ambos com 9 indicações às estatuetas.
Indicado, entre outras categorias, para melhor direção, melhor roteiro original e melhor filme, Guerra Ao Terror narra a rotina de combatentes norte-americanos na infindável Guerra do Iraque, em uma divisão anti-terrorismo especializada no desarmamento de bombas. O filme se sobressai aos filmes de guerra produzidos nos últimos anos, sobretudo ao fugir do heroísmo incondcional do exército estadunidense e da instituição de uma tirania inimiga - a sensibilidade da diretora ignorou as já cansativas manobras políticas de guerra e acrescentou humanidade à trama. Não há uma tentativa de reflexão sobre as causas o conflito. Há, sim, uma demonstração do horror e da destruição causados no país - na paisagem e na população -, da pressão sobre os soldados, da gravidade do seu ofício e do impacto que isso causa em suas mentes. Uma frase mais que conveniente abre a primeira cena da fita: "A guerra é uma droga" - vicia, alucina, mata...
No elenco, o indicado Jeremy Renner interpreta o soldado William James, um desarmador de bombas destemido, que quebra protocolos e se arrisca pessoalmente nas situações de perigo extremo. Junto a ele, atuam diretamente o sério Sargento JT Sanborn (Anthony Mackie) e o atormentado novato Owen Eldridge (Brian Geraghty). Com pontas de Guy Pearce, David Morse, Ralph Fiennes e Evangeline Lilly (a Kate de Lost), a história é exclusivamente focada nas missões da unidade e no perigo envolvido - a tensão que sai da tela prende o expectador à poltrona do início ao fim, com pouco espaço para respirar.
Até então pouco falado no circuito internacional, o filme chamou a atenção de sindicatos e críticos, colocando-o no centro das grandes premiações deste ano e elevando-o a um patamar de reconhecimento merecido. Trata-se de um filme muito bem feito, escrito e dirigido. Sem levantar bandeiras, sua mensagem é sutil e muito mais assustadora quando se lê nas entrelinhas das imagens, das cidades em ruínas, do povo oprimido, do chão sem verde e das atitudes de homens comuns que se tornam soldados da noite para o dia, entregam-se de corpo e alma e parecem não ter mais nada a perder.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DEBAIXO D'ÁGUA

O Ano Novo mal começou. Para muita gente, o Ano Novo começou mal. Desde o dia 31 de dezembro, os noticiários não falam em outra coisa: enchentes, inundações, resgates, flagelados, mortos e feridos. A água está castigando nossa pátria querida. A água e as consequências de nosso próprio comportamento enquanto cidadãos.
Trágico e triste foi o que aconteceu durante o feriadão no Rio de Janeiro, sobretudo na cidade de Angra dos Reis. Também trágico e triste foi o que aconteceu de ontem para hoje no interior do Rio Grande do Sul. Aquecimento global, efeito estufa, força da natureza, descaso das autoridades, pura fatalidade... em quem pôr a culpa?
Não é novidade a instabilidade do clima mundial nos últimos anos, com verões cada vez mais longos e rigorosos, estações de grande escassez de chuva e outras de demasiado exceso. A natureza tem vontade própria. Abalada pela poluição, pelo desmatamento e pela má administração do lixo produzido no planeta, essa vontade se desequilibra e potencializa fenômenos que quase sempre terminam em calamidades, onde quem paga é a própria humanidade.
Ondas, desmoronamentos, ciclones, terremotos e outras fatalidades são impossíveis de deter e muitas vezes impossíveis de prever. Políticas ruins de consumo, incentivos ao desperdício, mal aproveitamento de recursos, descasos com o meio ambiente - esses são fatos evidentes, não necessitam previsões e são totalmente reversíveis, onde todos podemos fazer nossa parte, por menor que seja.
Não há como duelar contra a força da ntureza, mas com cuidado podemos conter parte de sua fúria, pois, no fim das contas é contra nós mesmos que ela poderá se voltar. Entre tantas promessas furadas de Ano Novo, pense um pouco em cuidar do planeta, começando por sua casa. Jogue o lixo no lixo, feche bem a torneira, desligue o seu PC, apague a luz ao sair e agradeça por estar são e salvo das catástrofes que estão abalando o mundo lá fora.
Tenha um feliz 2010!

»MAURICIOPÉDIA: Debaixo D'Água foi composta por Arnaldo Antunes e faz parte de seu álbum de 2001, Paradeiro. Foi gravada também por Maria Bethânia em Mar De Sophia, de 2006.«

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COISAS DO MUNDO, MINHA NÊGA

O ônibus escolar estacionado na frente da escola, ao lado da pista de corrida na qual eu transitava. De passageiros, somente crianças de no máximo segunda ou terceira série. Em duas janelas consecutivas, dois meninos com a cabeça para fora. Um deles, do qual desconheço o nome, da janela mais à frente, dirige-se a uma coleguinha que estava fora do ônibus:
- Gabriela, o Henrique disse que transou com a Daphne.

Henrique, o menino na janela imediatamente atrás, retruca:
- É mentira! Cala a boca!

E o outro lhe devolve:
- Cala a boca já morreu - quem manda em minha boca sou eu!

"Transar"? "Cala a boca"? "Quem manda em minha boca sou eu"? Considerando as idades, essa é meramente mais uma deplorável amostragem da criação e da educação que essa molecada de hoje está recebendo...

Pais, educadores, adultos, onde estão vocês? Chinelo, sabão, vidro de pimenta, onde estão vocês? E não me tragam didática ou psicologia!

Coisas do mundo, minha nêga... Sinais de novos tempos ou sinais do fim dos tempos?


»MAURICIOPÉDIA: Coisas Do Mundo, Minha Nêga é uma canção composta e gravada pelo mestre do samba Paulinho Da Viola. Embora nada tenha a ver com o assunto abordado no post, o título é mais que cabível.«

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

IN(DIG)NAÇÃO

É indiscutível! O futebol é o esporte nacional, o ópio de uma grande parcela do povo, a única alegria de muita gente, a razão de viver de alguns, o ganha-pão de uns poucos privilegiados - no Brasil respira-se futebol e é difícil ficar indiferente a isso. Eu não gosto. Repito: eu não gosto, mas respeito, afinal, antes de qualquer outra coisa, futebol é esporte, é saúde, é educação, é profissão, é brincadeira, é competição, é dignidade. Ou era para ser?
O trechinho de Jornal Nacional que assisti no dia de hoje foi o suficiente para me motivar a escrever este tanto sobre o lamentável incidente, se é que assim pode-se chamar aquela barbárie, que ocorreu no Estádio Couto Pereira (Curitiba/PR) neste último domingo, após o empate de 1 a 1 do Coritiba, o time da casa, com o Fluminense, acarretando no rebaixamento do time paranaense para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Desde a senhora que voltava do trabalho em um ônibus que foi cercado por torcedores (ou melhor, terroristas) e que teve arrancados 3 dedos de sua mão na explosão de uma bomba, ao rapaz que levou um tiro na cabeça de um torcedor (leia-se bandido) dentro do próprio estádio, passando pelo árbitro da partida que foi agredido e o soldado da PM que foi atingido por um banco em pleno gramado, durante o cumprimento dever, o quebra-quebra mandou algumas dezenas de pessoas para o hospital, pouquíssimas para a cadeia e foi notícia no país inteiro, talvez até maior do que a conquista da vitória do campeonato pelo Flamengo.
O que pode pensar de um episódio desses? Como não se indignar, e... como não se envergonhar?
Eu não sou torcedor, acompanho futebol em terceiro ou quarto plano, nunca vou a jogos, mas temo pelo que acontece nos estádios. Das pequenas confusões às mobilizações de torcidas, a violência que se vê com frequencia não só é uma mancha no esporte, mas também um braço da criminalidade e da brutalidade que consomem nossas ruas. Bandidos, vândalos e assassinos na pele de torcedores encontram justificativas na devoção por um time para desencadear tragédias e ainda acham que está tudo bem. Conheço pessoas que adoram futebol mas nunca frequentam estádios por medo do que pode acontecer - um medo de suas próprias torcidas onde, para a casa cair, basta uma cerveja a mais, basta uma piada mal digerida, basta um empate do time. Ninguém está livre no Brasil. Como já disse no início, aqui respira-se futebol - mas já sufoca-se com tanta violência e ignorância.
Paz.
»MAURICIOPÉDIA: In(Dig)Nação, a canção cujo título emprestou-se para encabeçar este post, é de autoria de Samuel Rosa e Chico Amaral e foi sucesso no primeiro CD do Skank, lançado em 1993. O CD também foi a trilha sonora do dia.«

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ESTIQUE O BRAÇO

O comercial anuncia mais ou menos assim: "Porto Alegre tem um novo sinal de trânsito. Em faixas de segurança que não têm sinaleira, estique o braço, espere os carros pararem e atravesse com segurança. E se você estiver dirigindo, ao identificar o sinal, pare e dê a preferência ao pedestre.".
Sim, um braço é a solução que a prefeitura achou para garantir a segurança na travessia de pedestres, desafiando máquinas motorizadas e comandadas por seres conscientes da preferência do pedestre, mas apressados, sem paciência com o trânsito cada vez mais intenso e com uma tradição antiga de só parar em sinaleira - e olhe lá!
Trata-se de uma campanha "furada" e dispendiosa, na tentativa de repassar ao cidadão o trabalho de estabelecer parte da ordem no trânsito, em detrimento dos profissionais designados para isso, que provavelmente estão mais ocupados aplicando multas para cumprir suas metas mensais.
Será que alguém mais enxerga o perigo disso? Se na maioria das vezes os veículos não param para um corpo inteiro sobre a faixa de segurança, o que será de um mísero braço? O que chamam de solução agora, pode terminar sendo um problema a mais...
A chave para o fim do problema, se há mesmo um problema, deve começar na educação individual do cidadão, para aí sim se pensar em educação no trânsito. Em um país onde se joga lixo no chão, se fura fila, se fala no celular dentro do cinema e do teatro e se compra CDs e DVDs piratas como se fosse normal, sem o sofrimento de punição alguma, como esperar que um motorista vá ceder vez ao pedestre por causa de um sinal de braço?
A solução está em um membro mais acima no nosso corpo, chamado cabeça. O dia que ela for usada corretamente, ninguém vai precisar do braço para atravessar a rua.
Quer um trânsito melhor? Opte e contribua com o incentivo à educação dos motoristas e pedestres, e não ao crescimento desenfreado do número de carros nas ruas.
Para mais informações sobre a campanha, acesse o site oficial: http://www.novosinal.com.br/.

»JUKEBOX: Este post foi escrito ao som de "Nos Botequins Da Vida", álbum de Beth Carvalho de 1977.«


»MAURICIOPÉDIA: "Estique O Braço" é também o nome de uma música do conjunto de pagode/axé Patrulha do Samba, sucesso popular do final da década de 90.«

domingo, 14 de junho de 2009

EU CANTO EM PORTUGUÊS ERRADO


Os meus conhecimentos em língua portuguesa têm me preocupado um pouco nos últimos tempos. A era da Internet nos trouxe uma série de facilidades e avanços tecnológicos, mas por outro lado, nos incentiva a desaprender cada vez mais - como exemplo definitivo, levanto a questão "para que estudar, se no Google se acha tudo?".

Já tem um bom tempo que estou afastado dos estudos (mais precisamente desde a metade de 2002, quando concluí a faculdade), minha profissão não demanda conhecimentos avançados em ortografia, sintaxe, semântica e afins (no mínimo 50% do que escrevo é em linguagem técnica ou de programação), não preciso escrever mais nada além de e-mails e pequenas anotações e tudo o que leio é de fácil entendimento, como um romance ou outro, legendas de filmes e séries, blogs e notícias... A conclusão a que chego é de que estou desaprendendo o português!
Sempre falei muita coisa errada, admito que muitas propositalmente (como "cemintério", "alcatre", "usucarpião" e, mais recentemente, "bunécro"), mas nunca escrevi tão mal quanto ultimamente: erro a grafia das palavras, tempos verbais e assim por diante. Hoje mesmo me espantei quando jurei que "campainha" se escrevia "campanhia" e descobri depois que estava errado.
No próximo domingo tenho um concurso para prestar e, dentre outras coisas, vai cair redação e perguntas de língua portuguesa. Já sei o aperto que vou passar, visto que não estudei nada: parte por falta de tempo, parte por falta de vontade. Agora que dei a cara a tapa, vou enfrentar o bicho, mas já entro com meu time desfalcado e até um pouco amedrontado. E, pra ajudar, temos uma reforma ortográfica recentemente instituída no país, para dificultar o que já não era fácil, mas nem é bom eu tocar no assunto, senão passo o resto da noite xingando essa idéia de girico (já estava escrevendo com "j" em vez de "g" e meu amigo Google me salvou de mais esse vexame).
Dizem que a prática leva à perfeição. Vou me esforçar pelo menos para escrever meus posts no presente blog da maneira mais correta possível. Perdoem-me os letrados, mas estou fazendo o melhor que posso!

»JUKEBOX: Este post foi escrito ao som do álbum "The Distance To Here", da banda Live. Trata-se do quarto álbum de estúdio da banda e data de 1999.«


»MAURICIOPÉDIA: O título deste post faz referência a um trecho da música "Meninos E Meninas" da extinta banda Legião Urbana, que diz mais ou menos assim: "Eu canto em português errado / Acho que o imperfeito não participa do passado / Troco as pessoas, troco os pronomes".«

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ENGUIÇO

Carro, faca de dois gumes: te leva aonde for preciso, mas o custo disso nem sempre se resume a alguns litros de combustível.
O desgranido parece ter vontade própria algumas vezes. O meu, hoje, por exemplo, se ajojou com o frio e resolveu não só ficar em casa, mas também tirar um longo cochilo - sem hora para acordar, ou pelo menos até eu substituir a sua bateria arriada. Nem a famosa "chupeta" com outra bateria ligada em paralelo levantou o ânimo do fulano.
Assim como um cão fiel, ele sempre esteve lá em horas que precisei, como dias de chuva violenta ou emergências em horas impróprias - e sem dar um "ai". Hoje o coitado não conteve o cansaço mediante a falha de um órgão vital e mal teve forças para agonizar em um sopro a falta de suas energias.
Se há um problema, há uma solução. E esta, como a maioria das soluções, demanda o difícil sacrifício financeiro. Lá vou eu à cata de uma bateria nova para o carro - barata e boa, de preferência. Enquanto isso, acompanho a Angélica e "Vou De Taxi"...

»JUKEBOX: Este post foi escrito ao som de "Maria Bethânia Ao Vivo", show que data de 1995 e foi baseado no repertório do álbum "As Canções Que Você Fez Pra Mim" (1993) - esse formado exclusivamente por canções de autoria da dupla Roberto Carlos / Erasmo Carlos


»MAURICIOPÉDIA: "Enguiço" é uma canção composta por Adriana Calcanhotto e também o título do álbum de estréia da cantora, de 1990, no qual ela se faz presente.«