terça-feira, 15 de setembro de 2009

ADRIANA CALCANHOTTO EM QUALQUER COISA DE INTERMÉDIO

Quem teve o privilégio de assistir nesta terça-feira (14/09) ao espetáculo Qualquer Coisa de Intermédio de Adriana Calcanhotto na edição 2009 do festival Porto Alegre em Cena, saiu do Theatro São Pedro, na capital gaúcha, maravilhado. Adriana proporcionou à platéia uma noite em Portugal. Segundo a própria cantora, esse show especial até então havia sido apresentado uma única vez, em Paris, em 2007.
A cantora gaúcha radicada no Rio mostrou um espetáculo cênico, musicalmente diferente e competentemente produzido: figurino, cenografia, iluminação e banda - tudo em perfeita harmonia! No repertório, entre outras preciosidades, interpretações para Fernando Pessoa e Mario de Sá-Carneiro, poesia provençal, um pouco de nossa MPB e muito fado da "terrinha", incluindo a participação mais que especial da fadista portuguesa Mísia, em um trabalho emocionante.
Adriana, linda em um vestido de malha preto até os pés, mostra que tem presença de palco também como intérprete teatral - assim como canta, lê e incorpora as letras e os poemas. Sempre contida, sua bela e suave voz não se intimida nem mesmo ante à voz poderosa de sua convidada portuguesa e nos presenteia com alguns belos duetos. Em momentos de descontração, Calcanhotto se dirige com simpatia ao público, agradece, conta passagens curiosas e até ensina: ela explica, por exemplo, que o fado é uma música que se pode colocar outra letra em cima da melodia, sem precisar alterá-la.
A música e a poesia lusitana se fundem neste belíssimo espetáculo, deixando algumas brechas para Adriana homengear ainda mestres de nossa música que flertam com a música portuguesa, como Caetano Veloso (em Os Argonautas) e Chico Buarque (em Fado Tropical). De seu repertório, somente o recente sucesso Três (Marina Lima / Antônio Cícero) e a divertida Formiga Bossa-Nova (do álbum Adriana Partimpim, cuja gravação do seu sucessor a cantora confessou em primeira mão ter finalizado no último final de semana).
Como comentado após o show, seria bem-vindo um registro oficial. Por enquanto, prefiro acreditar que foi uma oportunidade especial poder presenciar uma apresentação ímpar, que, assim como os amores dos poemas portugueses, deixa uma lembrança cheia de saudades.

»JUKEBOX: Este post foi escrito ao som do álbum mais recente de Adriana Calcanhotto, "Maré", lançado em 2008.«


»MAURICIOPÉDIA 1: A expressão "Qualquer Coisa De Intermédio", que dá nome ao show, foi extraída do poema "O Outro", de autoria do poeta português Mario de Sá-Carneiro. O poema foi escrito em 1914, musicado por Adriana e registrado em seu álbum ao vivo "Público", de 2000.«


»MAURICIOPÉDIA 2: Aos interessados, o site oficial da fadista Mísia é http://www.misia-online.com

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

FAMOSOS QUE DESAFIARAM DEUS

Chega a ser engraçado comentar um Power Point que recebi por e-mail hoje, entitulado "Famosos que Desafiaram Deus". Nele, histórias sobre pessoas que blasfemaram ou debocharam de alguma forma contra Deus, Jesus Cristo ou o cristianismo e que acabaram vítimas de tragédias ou derrotas. Espertamente, a apresentação não puxa o assado para a brasa de nenhuma religião em específico, tampouco contém os créditos do ocupadíssimo autor que a criou.
Curioso como ainda tem gente que acredita nesse Deus tirano e vingativo. Cometemos erros e blasfêmias diariamente - ainda assim, como dizer que estamos sempre sendo castigados por Deus, quando muito do que acontece de ruim conosco, muitas vezes são consequencias do que nós mesmos desencadeamos? Se Deus fosse aniquilar a todos que um dia blasfemaram, fizeram alguma piada sobre Ele ou que usaram Seu santo nome em vão, só sobrariam os crentes fervorosos, e ainda assim eu tenho minhas dúvidas!
Nos dias de hoje, onde a liberdade religiosa é um direito adquirido, cada um acredita no que quiser. E é exatamente através desse gancho que alguns religiosos fanáticos (ou mal intencionados) criam sua prerrogativa para a manutenção da fé: crime e castigo, inferno, purgatório e sofrimento eterno para aqueles que se desviam dos caminhos "do Senhor" - muitos instituídos pela própria religião, e sem fundamento. É importante ter fé e acreditar em algo além do material, eu acho, mas o que questiono é a fé cega: uma fé sem dúvidas e sem incertezas do que é verdadeiro, sem uma distinção exata do que é certo ou errado perante Deus e perante nós, os "irmãos" na Terra.
Se Deus existe (e eu acredito que exista mesmo, diferente da forma de um velhinho de barba que fica em cima de uma nuvem), que outro seria o nosso propósito neste planeta, senão o aprendizado e a evolução? Deve existir punição em algum outro plano para o qual vamos, mas a punição é retroativa ao que fizemos de mal aos outros ou a nós mesmos e não ao que fizemos que vá contra qualquer crença ou pregação. Para os vitimados, que outra explicação senão a fatalidade ou o próprio destino? Não esqueçamos que o acaso também existe! Ou, por essa visão, as vítimas das guerras, dos acidentes e da violência que vemos diariamente nada seriam além de um bando de pecadores que, em côro, ofenderam a Deus?
Segundo essa "Teoria da Conspiração Celestial", John Lennon tomou 5 tiros porque disse que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo, e não porque um doido varrido resolveu matá-lo gratuitamente. O Titanic afundou porque seu construtor afirmou que nem Deus o afundaria, e não porque colidiu contra um iceberg. A mais cômica de todas afirma que Brizola não se elegeu presidente em 1990 porque disse que seria até capaz de aceitar o apoio do diabo para ganhar a disputa - parece que a alta rejeição dele como candidato, seu histórico de desafetos, a pouca força de seu partido na eleição e a preferência popular por Collor não contaram. Aparecem na lista também Marilyn Monroe, Cazuza e Tancredo Neves, entre outros - e faltou Kurt Cobain que escreveu na letra de "Stay Away" a frase "God is gay (Deus é gay)".
Madonna que se cuide! Se por muito menos esses famosos tiveram finais trágicos, imagina o que a espera, tendo um caso com Jesus...

»MAURICIOPÉDIA: A citada "Stay Away" foi gravada pelo próprio Nirvana, banda da qual Kurt Cobain foi líder, vocalista e guitarrista. A canção encontra-se no álbum "Nevermind", de 1991, considerado um dos maiores álbuns de rock de todos os tempos.«

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ESTIQUE O BRAÇO

O comercial anuncia mais ou menos assim: "Porto Alegre tem um novo sinal de trânsito. Em faixas de segurança que não têm sinaleira, estique o braço, espere os carros pararem e atravesse com segurança. E se você estiver dirigindo, ao identificar o sinal, pare e dê a preferência ao pedestre.".
Sim, um braço é a solução que a prefeitura achou para garantir a segurança na travessia de pedestres, desafiando máquinas motorizadas e comandadas por seres conscientes da preferência do pedestre, mas apressados, sem paciência com o trânsito cada vez mais intenso e com uma tradição antiga de só parar em sinaleira - e olhe lá!
Trata-se de uma campanha "furada" e dispendiosa, na tentativa de repassar ao cidadão o trabalho de estabelecer parte da ordem no trânsito, em detrimento dos profissionais designados para isso, que provavelmente estão mais ocupados aplicando multas para cumprir suas metas mensais.
Será que alguém mais enxerga o perigo disso? Se na maioria das vezes os veículos não param para um corpo inteiro sobre a faixa de segurança, o que será de um mísero braço? O que chamam de solução agora, pode terminar sendo um problema a mais...
A chave para o fim do problema, se há mesmo um problema, deve começar na educação individual do cidadão, para aí sim se pensar em educação no trânsito. Em um país onde se joga lixo no chão, se fura fila, se fala no celular dentro do cinema e do teatro e se compra CDs e DVDs piratas como se fosse normal, sem o sofrimento de punição alguma, como esperar que um motorista vá ceder vez ao pedestre por causa de um sinal de braço?
A solução está em um membro mais acima no nosso corpo, chamado cabeça. O dia que ela for usada corretamente, ninguém vai precisar do braço para atravessar a rua.
Quer um trânsito melhor? Opte e contribua com o incentivo à educação dos motoristas e pedestres, e não ao crescimento desenfreado do número de carros nas ruas.
Para mais informações sobre a campanha, acesse o site oficial: http://www.novosinal.com.br/.

»JUKEBOX: Este post foi escrito ao som de "Nos Botequins Da Vida", álbum de Beth Carvalho de 1977.«


»MAURICIOPÉDIA: "Estique O Braço" é também o nome de uma música do conjunto de pagode/axé Patrulha do Samba, sucesso popular do final da década de 90.«

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

GLEE: SERÁ QUE VAI PEGAR?

Nesta quarta-feira, mais precisamente hoje, entra oficialmente na grade televisiva dos EUA Glee, a nova série do criador Ryan Murphy, o mesmo de Nip/Tuck. Após a boa recepção do episódio-piloto, exibido pela emissora Fox em maio deste ano, o segundo, entitulado Showmance, abre a participação da série na fall season 2009/2010 e dá continuidade semanal a esta primeira temporada, prevista inicialmente para ter 13 episódios.
É difícil julgar uma série por seu piloto, mas através dele já pode-se ter um norte do que está por vir - e neste critério Glee mostrou que tem gás, apresentando um piloto que, depois de 10 minutos iniciais de estranheza, achou o tom e se apresentou de forma competente. Resta saber se esse gás vai longe...
Vamos aos fatos:

1 - A temática da série gira sobre um grupo de estudantes (a maioria estereotipados, discriminados e considerados "perdedores") de uma escola de ensino médio que decidem participar de um coral (o tal Glee Club). Isso pode ser um grande atrativo para os jovens e render boas histórias, mas também pode se tornar apenas mais um clichê, se mal conduzido. A identidade de uma faixa etária pode ainda não chamar a atenção do público adulto, que representa a fatia maior do público televisivo.

2 - Glee é uma dramédia musical. Em tempos em que American Idol e High School Musical são absolutos na preferência do público, as chances da série alcançar seu lugar ao sol da audiência são grandes. Por outro lado, por ser um musical que não segue a fórmula tradicional do gênero, isso pode se virar contra a própria série.

3 - Ryan Murphy tem prestígio e know-how suficientes para segurar a peteca da história. Em contrapartida, Glee é algo tão novo para ele quanto para os espectadores, que estão pela primeira vez vendo uma série nesse formato. Embora no piloto a série dê pistas de que vai se embrenhar no terreno do politicamente incorreto, não há como se aproximar do que é ou do que já foi Nip/Tuck em termos de temática bizarra e ousada, o que significa que não há garantia alguma de que os fãs da série médica vão simpatizar também com o musical.

4 - As estatísticas atualmente lutam contra as séries: devido ao grande número de séries novas despejadas na televisão americana a cada ano (é uma praga muito maior que a disputa das novelas no Brasil), da exigência do público e da sucessiva impressão de déjà-vu deixada por grande parte delas, as chances de qualquer série dar errado são muito maiores do que as chances de dar certo. Ou a série cai na graça do público ou precisa ser muito boa, sendo que o segundo critério também não garante sua permanência no ar (vide, por exemplo, as recente e precocemente finadas Jericho e Pushing Daisies). A produção de séries aumenta a cada ano e o espaço é cada vez mais disputado - as exigências por audiência das redes de TV e a quantidade de opções cresce tanto a cada ano que, se já fosse assim 4 ou 5 anos atrás, possivelmente não haveria a perpetuação de séries hoje consagradas e que seguem firmes e fortes com suas temporadas já bem avançadas na linha do tempo.

5 - Identificação com o elenco: o que se vê é que a molecada canta muito bem, mas o elenco é composto basicamente por anônimos. Alguns rostos são conhecidos por pontas em outras séries (a professora de Ed. Física era também professora de Ed. Física na escola de The New Adventures Of Old Christine, a professora com transtorno obsessivo-compulsivo foi uma garçonete com a habilidade de decorar tudo que lia na primeira temporada de Heroes e a esposa do professor regente do coral era a bruaca e odiada Gina de Nip/Tuck) e mais nada. A série enfrentará o desafio de se firmar como um show popular e também para firmar seu elenco entre os nomes conhecidos do grande público, o que é mais uma evidência de sucesso.

Vamos ver no que dá, pois a caminhada é longa. Acredito que Glee fará uma temporada de estréia bem sucedida, mas não creio que a série vá passar de 3 ou 4 temporadas sem se tornar cansativa, embora eu hoje torça para que possa ir bem mais longe que isso. Nunca se sabe, estou apenas fazendo a minha aposta. Gostei bastante, simpatizei com os personagens, me empolguei com alguns dos números musicais e recomendo a todos que puderem assistir, desde que gostem do gênero musical, é claro!


»JUKEBOX: A trilha de hoje foi o álbum mais recente de Zélia Duncan, entitulado "Pelo Sabor Do Gesto". O álbum conta com participações de Fernanda Takai e Chico César. No repertório, a bela "Telhados De Paris", mais conhecida na voz de seu autor, Nei Lisboa


»MAURICIOPÉDIA: "Nip/Tuck" está com seu final previsto para a sexta temporada, que começa a ser exibida no início de 2010.«

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ANTICRISTO

A falta de tempo e a preguiça me deixaram mais de um mês sem escrever, mas agora volto para dar uma pincelada em algo que acho que vale a pena ser dividido com meus 2 ou 3 leitores.
Sem paciência para esperar alguma sala de cinema em Porto Alegre se prestar a colocar em cartaz Anticristo, o novo filme do diretor (e fera, em minha humilde opinião) Lars Von Trier, recorri mais uma vez à Internet para saciar a minha curiosidade.
Após saber sobre o frisson causado no último Festival de Cannes e ler duas críticas positivíssimas de imprensa especializada (revista Veja e site Omelete), a expectativa ficou grande em torno da nova cria do diretor dinamarquês, que envolvia sexo explícito, drama e terror psicológico. Isso sem contar a quebra de paradigma do próprio Von Trier, que deixou de lado a estética do movimento Dogma 90 e optou por um formato convencional para contar a sua história, com direito a trilha sonora e efeitos visuais.
Também de autoria do diretor, Anticristo narra a história de um casal que perde o único filho ainda bebê e, como forma experimental de terapia para conter a depressão em que a esposa se afunda, o marido decide isolá-los em uma cabana no meio da floresta. E é lá que mora o tão prometido terror...
Protagonizada por Willem Dafoe (mais conhecido por ser o Duende Verde da franquia Homem-Aranha) e pela francesa Charlotte Gainsbourg, a história, dividida em atos (a exemplo dos recentes Dogville e Manderlay, também do mesmo diretor), é realmente assustadora no quesito psicológico e no que dói aos olhos - desespero, psicose e cenas impressionantes andam lado a lado por todos os 109 minutos de duração da película.
Ponto para Von Trier que, embora não tenha acertado muito a mão desta vez e criado um conto bizarro demais e, por que não dizer, de difícil compreensão, ainda assim o fez do seu modo: diferente, pesado e envolvente para o espectador. Embora as cenas de sexo e de violência ainda sejam menos do que é vendido no boca-a-boca, já são suficientes para arrepiar a espinha de qualquer um.
Não há conclusões. Achei melhor escrever enquanto o filme estava fresquinho na memória. Em uma oportunidade mais propícia pretendo reassistí-lo para chegar mais próximo de um veredito diferente de "confuso". Quem sabe se estrear por aqui? Por enquanto vou tentando esquecer algumas coisas, principalmente no que diz respeito aos animaizinhos que aparecem vez ou outra para chocar ainda mais...

»JUKEBOX: A criação deste post teve como trilha sonora o álbum de debut do cantor Seal, de 1991. Entre os sucessos, "Killer", "Future Love Paradise" e, é claro, a matadora "Crazy".«

terça-feira, 4 de agosto de 2009

LEI DA SELVA

Para quem me conhece de perto, sabe que tenho certa resistência a televisão. Dizer que não gosto é forte demais, afinal, muito do que assisto de séries e desenhos vem do formato televisivo. De um modo geral, o que acho é que tem muita porcaria, muita repetição e muito absurdo - em quantidades mais que desiguais, se eu comparar com o que realmente me agrada.
Gostaria de escrever um pouco sobre os tão na moda reality-shows, mais precisamente sobre o No Limite, que ressurgiu na telinha do Plim-Plim na última quinta-feira, 30 de julho. Lembro que assisti o primeiro, não vi o segundo e até então ignorava a existência de um terceiro que chegou a existir. Na tentativa de lutar contra a concorrência cada vez mais acirrada do canal da Igreja Universal do Reino de Deus (Aleluia, Irmãos!), o Seu Globo trouxe de volta a competição, até então considerada extinta da grade da programação, para uma quarta edição, desta vez no estado do Ceará, com um número maior de competidores (agora são 20) e com maior veiculação (o formato semanal foi trocado por 2 dias - quintas e domingos - e pequenos flashes nos demais, durante o horário ainda chamado nobre).
De maravilhoso o programa não tem nada, mas é bem mais interessante do que o já manjado Big Brother (uma praga lucrativa que nunca vão tirar do ar) e o mais recente A Fazenda, o concorrente pelo qual No Limite foi tirado do limbo na guerra pela audiência. Embora o prêmio seja bem menor (apenas 500 mil reais - metade do que é oferecido nos demais - e sem a distribuição de carros e viagens às pampas para participantes que só coçam o traseiro e fazem futrico o dia inteiro), no game de sobrevivência o pessoal sofre de verdade, dizem, seja com a fome, o frio, a chuva, o sol de rachar ou com os conflitos entre os grupos e as habituais votações para eliminar os participantes a cada programa - a regra dita que, se perder o jogo, uma cabeça do grupo vai rolar...
Em termos de divertimento, o programa é bom: além das belas paisagens e da adrenalina das provas, é uma oportunidade para se avaliar do que o ser humano é capaz em situações extremas - e é cada situação de gente ficando doente, passando mal e até brigando por divisão de resto de macarrão sem molho! Obviamente não é a mesma tristeza que se vê nos programas de apelação que expõem a miséria alheia para gerar ibope (por que brasileiro gosta tanto disso?), tampouco o horror daquelas imagens tenebrosas que as pessoas insistentemente continuam a mandar em e-mails e apresentações de Power Point com títulos como "Para Refletir" e "Uma Lição de Vida", mas confesso que dá uma pena medonha das pessoas se matando por comida em programas como este, só para prover pão e circo à audiência do canal do falecido Dr. Roberto Marinho. Moralismos à parte, sabe-se que ninguém ali sai perdendo, pois, por mais sofrido que seja, todo mundo está lá por vontade própria, um deles vai sair meio mihão mais rico (ou rica) e, para as participantes do sexo feminino mais agraciadas pela natureza, as revistas pornográficas sempre têm na manga um contratinho esperando para um "ensaio sensual". E ainda em tempo, do jeito que as coisas andam, não me surpreende se algum deles não virar protagonista de novela.
O que me assustou mesmo foi a derrocada de nível no programa exibido no último domingo, onde a prova por imunidade e comida (leia-se por comida: dois sacos de macarrão, uns tomates e um minúsculo bolo de fubá) consistia em um jogo em que trios disputavam uma partida de "melhor de 3" com uma bola dentro de um charco que precisava ser arremessada em um cesto. O quebra-pau foi tão grande e o desespero daquelas pessoas se desmontando dentro d'água era tamanho que, em uma das rodadas, uma participante teve uma costela ferida (por sorte não quebrou) e o ponto foi, de improviso, trocado por arremessos livres. Para sádicos como eu/nós chega a ser divertido ver esse mata-mata por sobrevivência, mas a produção do programa poderia ter tido uma idéia menos infeliz para elaborar a prova: estimular a competição é uma coisa; violência gratuita é outra bem diferente.
Eu tenho uma teoria de que basta por dinheiro ou comida na frente das pessoas para se instituir a selvageria - e nem precisa fome ou miséria para tal - a gula e a ganância se encarregam disso. Para comprovar a teoria, não é necessário nenhum reality show: basta observar fila de buffet de casamento, o Sílvio Santos atirando aviõezinhos de dinheiro para o auditório ou o bolo quilométrico comemorativo do aniversário da cidade de São Paulo, que a cada ano é destroçado para dentro de imensos potes plásticos em menos segundos ainda que no ano anterior. Estes são pequenos e leves exemplos do que me refiro, em uma selva onde vale tudo: puxão de cabelo, mentira e traição, dedo no olho, chute nas partes baixas e até tiro na cara. Será que não somos nós que já estamos vivendo no limite?

»MAURICIOPÉDIA: "Lei Da Selva" é o título de uma canção de autoria e gravação do cantor Lulu Santos«

quarta-feira, 15 de julho de 2009

RUFFLES DO SEU JEITO

Como bom curioso (e gordo) que sou, sempre que aparece uma guloseima nova no mercado que me apetece, dou um jeito de experimentar. Cheguei a ponto de certa vez trazer um pet de refrigerante de melancia de Palhoça/SC para experimentar - um trem tetradoce, mas que geladinho até desce - "mas não era isso que eu queria falar", imitando o bordão do cantor Oswaldo Montenegro...
Rebobinando a fita: outro dia me mostraram na Internet dois vídeos promocionais bem bacanas da batatinha Ruffles, da promoção de seus dois novos sabores. O de cream cheese seria para as meninas e o de costelinha barbecue para os meninos. Demorou alguns dias para aparecer no mercado, até que hoje, garimpando um engana-estômago nas Lojas Americanas, me deparei com os ditos pacotes. Comprei uma embalagem pequena de cada para provar de uma única vez. Não preciso nem dizer que comi as duas em uma sentada (feição de vergonha), embora isso não signifique que gostei de alguma - muito pelo contrário.
Comecei pelo de cream cheese. Para começo de conversa, violentaram o formato da batata e a deixaram lisa tal e qual a Chips Tradicional. O gosto? Bem, parecia muito com manteiga, mas de uma forma muito enjoativa.
Findado o primeiro pacote, abri, já sem muita vontade, o de costelinha. Se alguém aí alguma vez já comeu Pringles sabor churrasco, já adianto que é quase a mesma coisa - só mudou para o formato ondulado e talvez seja um pouco menos carregado no tempero (uma coisa meio ácida-azeda-picante que não consigo definir). Embora menos pior que o de cream cheese, não achei grandes coisas também.
No fim das contas, tudo que ficou foi uma sede galopante e a convicção de nunca mais consumir Ruffles nesses sabores. Fico com a tradicional ou com com a de churrasco. E, falando em sede, bem que um refrigerante de melancia caia bem agora...


»JUKEBOX: Este foi mais um post embalado por uma seleção de MP3 do rei Roberto Carlos.«

terça-feira, 14 de julho de 2009

VAMOS FAZER UM FILME

Recebi via e-mail neste final de semana um link para um vídeo do Youtube que me chamou muito o atenção: um trailer falso de um suposto filme dos "Thundercats". O vídeo foi todo montado a partir de outros filmes, com intervenção de software para a criação dos figurinos e das maquiagens dos personagens. O resultado é impressionante! Para um desavisado, o trailer poderia passar por verídico. Assista abaixo:



No embalo dos Thundercats, achei depois um clipe falso de "Gremlins 3". Segundo o autor da façanha, ele pegou o vídeo de "Gremlins 2" para extrair os bonecos e os inseriu em diversas cenas de filmes famosos, incluindo "Batman", "O Exorcista" e "Os Goonies". Divertidíssimo. - confira abaixo:




»JUKEBOX: Esta rapidinha foi escrita aos embalos de alguns MP3 variados do Rei Roberto Carlos


»MAURICIOPÉDIA: "Vamos fazer um filme" é uma canção da Legião Urbana de autoria de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá, presente no álbum "O Descobrimento Do Brasil", de 1993.«

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ROCK AND ROLL - CELEBRAÇÃO AO DIA MUNDIAL DO ROCK

Hoje, 13 de julho, comemora-se o Dia Mundial do Rock, uma homenagem a um dos ritmos mais populares de nosso planeta e, certamente aquele que possui mais adeptos e fiéis. Na verdade, não sei de nenhum outro ritmo musical que tenha seu próprio dia comemorativo...
O rock and roll, em sua mais pura essência, é guitarra, baixo, bateria e, opcionalmente, um vocal para dar palavras à melodia. Em cima disso, uma série de experiências já foram feitas, desde o flerte com a eletrônica até arranjos inteiros acompanhados por orquestras sinfônicas, produzindo as mais diversas variações imagináveis. Derivado do blues, o rock é mais uma das grandes invenções do século XX que veio para ficar.
Esse ritmo que tem a guitarra como símbolo maior e encontra em nomes como Bob Dylan e Jimmy Hendrix algumas de suas referências máximas, disseminou a formação de bandas, ditou por inúmeras vezes na moda e o comportamento das pessoas e deu cria a tribos, como por exemplo, os punks, os metaleiros e os emos dos dias de hoje. Pode-se dizer que o rock, assim como muitos de seus ícones, é um verdadeiro camaleão - com o passar do tempo ele foi assumindo diferentes formas e mudando as tendências, mas sempre deixando marcas por onde passou.
Desde os primórdios de Chuck Berry, passando pelo fenômeno Elvis Presley, o estouro dos Beatles e dos Rolling Stones, o rock foi crescendo com força e produzindo grandes nomes. O Festival de Woodstock no final dos anos 60 e toda a década de 70 foram marcados pela formação de verdadeiras lendas, das quais muitas ainda estão na ativa. Foi ainda a a época do surgimento das grandes bandas, do nascimento do punk e de perdas indesperadas de diversos ídolos que, por conta de vícios e de uma febre chamada sucesso, entraram na onda do "viva intensamente, morra jovem".
Seguiram-se os anos 80 com o rock disputando espaço com o pop e tendo seu grande momento no heavy metal, onde a onda dos cabelos compridos e das camisetas pretas do Iron Maiden contrastava com o visual extravagente da juventude que seguia astros em ascenção como Michael Jackson e Madonna nos videoclipes da recém-nascida MTV. Nos anos 90, o rock já não era mais o rei absoluto no mercado musical, batendo de frente com o pop pré-fabricado e com o crescimento constante das músicas negra e eletrônica - ainda assim, ele viveu grandes momentos através da instantânea cena grunge e do fenômeno Kurt Cobain, através do ressurgimento e de uma boa fase criativa de inúmeros nomes egressos dos anos 70 e 80 que estouraram nas paradas e ainda de uma avalanche de novos artistas que vieram para produzir um par de sucessos e desaparecerem logo em seguida, mas que muito contribuiram para firmar o que hoje chamamos de pop-rock.
Já passados quase 10 anos deste novo milênio, a música negra (principalmente o hip-hop e o rhythm 'n' blues) e o pop adolescente tomaram conta das grandes paradas mundiais. O rock permance em pé e seus fãs continuam consumindo muita coisa boa que surgiu nos últimos anos, em harmonia com o punk, o heavy, o industrial, os grandes clássicos de todos os tempos e todas as variações desse estilo que, por mais sutil que seja, está presente em tudo que se faz na música atualmente.
Vida longa ao rock and roll e aos grandes nomes que fizeram sua história tão interessante, a ponto de lhe fazer merecedor de um dia só seu para comemorar... Ao som de bons acordes de guitarra, é claro! ;-)

»MAURICIOPÉDIA: "Rock And Roll" (Jimmy Page/Robert Plant/John Paul Jones/John Bonham) é um dos grandes clássicos da banda Led Zeppelin

domingo, 12 de julho de 2009

DOCE VAMPIRO - A 2ª TEMPORADA DE TRUE BLOOD

A primeira temporada da série "True Blood" da HBO foi um dos grandes eventos da Fall Season 2008/2009: entre agosto e outubro de 2008 a série vampiresca conquistou uma legião de fãs, bombou na web e garantiu uma segunda temporada ainda em seu primeiro mês. De quebra, conquistou no Globo de Ouro 2009 o prêmio de melhor atriz em série dramática para Anna Paquin.
O consagrado autor Alan Ball, criador da série "Six Feet Under" e roteirista do filme "Beleza Americana", baseou-se na série de livros Sookie Stackhouse e criou um novo universo onde o humor negro, o trash, o sensual e o deboche trabalham em harmonia. A temporada inicial foi de uma excelência grandiosa, cheia de curiosidades, sustos e cenas impressionantes.
Como era previsto, formou-se uma grande expectativa em torno do gancho deixado pelo final da primeira temporada, onde muitas perguntas ficaram no aguardo de respostas, prometidas para esta segunda temporada, que hoje exibirá nos EUA o quarto de 12 episódios.
Não vou me ater a spoilers, apenas fazer alguns comentários para não entregar as novidades. De um modo geral, até agora a nova temporada não me empolgou tanto quanto a primeira: entraram muitos exageros, tanto no critério "bizarro" quanto no critério "reviravoltas" - algumas novidades chegaram de sopetão e estão infernizando geral na série, ocupando a maior parte do enredo. Pra quem teve o desprazer de ter algum contato com a trilogia novelesca de mutantes exibida na Rede Record, vai facilmente identificar semelhanças e fórmulas aparentemente batidas aplicadas nesta temporada. Torçamos para que Alan Ball esteja somente tecendo a ponta do novelo e saiba exatamente para onde está levando a história.
Permaneçamos sintonizados...

»JUKEBOX: Este post foi escrito com a trilha sonora de "Recollection: The Best Of Concrete Blonde", coletânea de 1999 que inclui os maiores sucessos da banda Californiana.«


»MAURICIOPÉDIA: "Doce Vampiro" é de autoria de Rita Lee e compõe o rol dos maiores sucessos da roqueira.«