segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOW BIZARRE - A 6ª TEMPORADA DE NIP/TUCK

Foi dada a largada para a temporada derradeira de Nip/Tuck, a série de TV mais bizarra de todos os tempos, que inicia com algumas semanas de diferença em relação às suas companheiras de fall season. Com a dedicação do produtor Ryan Murphy e de boa parte da equipe de produção à série Glee, chegou a hora da dupla de cirurgiões Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon) pendurarem suas chuteiras, ou melhor, seus bisturis.
A crise financeira mundial foi o ponto de partida para o início desta que será a temporada final, onde a clínica McNamara/Troy encontra-se em uma situação de quase falência, assim como a vida de seus proprietários. De um lado, Christian está livre de seu câncer de mama e se livrando do casamento equivocado com a Dra. Liz Cruz (Roma Maffia), que está movendo um processo de divórcio que promete assolar as economias do cirurgião. Do outro, Sean está deprimido sem seus filhos caçulas, sob a guarda da ex-mulher Julia (Joely Richardson), com sérios problemas de insônia e envolvido emocionalmente com uma nova mulher, a sinistra anestesista Teddy (Rose McGowan, mais conhecida por sua participação como uma das irmãs bruxas de Charmed). Completando o elenco principal, Matt (John Hensley) abandonou a faculdade para se tornar mímico e Kimber (Kelly Carlson) continua espreitando a família, na tentativa silenciosa de reatar o relacionamento com Christian.
Nip/Tuck sempre foi uma série instigante que soube dosar o drama médico com o humor negro e o chocante, mas que já se encontra na hora de terminar. Os personagens, de um modo geral, já fizeram tantas bobagens e mostraram evidências nulas de aprendizado, de forma que só acumulam fracassos e decepções ao longo de cada temporada. A história tornou-se um grande déjà vu, onde só se mudam as moscas, mas a sujeira continua a mesma... Torço para um final digno para a produção, que em seus episódios mais recentes já deixou pistas do clima de despedida que veremos com mais intensidade nas próximas semanas.

»MAURICIOPÉDIA: How Bizarre (quão bizarro) é o título do único sucesso da banda neozelandesa OMC, lançado internacionalmente em 1996.«

domingo, 8 de novembro de 2009

OS FANTASMAS DE SCROOGE

A Christimas Carol, obra do escritor Charles Dickens, um dos contos natalinos mais conhecidos de todos os tempos, ganha sua versão em animação 3-D pelas mãos dos Estúdios Disney, sob a condução do diretor Robert Zemeckis e recebe o título brasileiro de Os Fantasmas De Scrooge.
Na história, Ebenezer Scrooge (Jim Carey) é um velho rico, avarento e solitário, desprovido de qualquer bondade e mantenedor de um ódio sem par pelo Natal. Suas principais vítimas são o empregado Bob Cratchit (Gary Oldman) e seu sobrinho Fred (Colin Firth), os quais o velho faz questão de humilhar e desprezar gratuitamente a todo instante. Eis que em uma véspera de Natal, o avarento recebe a visita de 3 fantasmas, que lhe mostram seus Natais do passado, do presente e do futuro, levando-o a refletir sobre suas atitudes, escolhas e as devidas consequencias.
O conto, de teor bobo e fácil compreensão, ganha aqui vida em uma animação computadorizada via captura de movimentos dos atores reais, aliada à tecnologia tridimensional. Zemeckis mostra um trabalho visual ainda mais surpreendente e competente do que em seus dois filmes anteriores de mesma natureza, O Expresso Polar e A Lenda De Beowulf. As expressões dos personagens e a captura dos movimentos aparecem mais perfeitas que nos trabalhos anteriores, e mais: Zemeckis não se deixou prender pela tradição inocente da Disney e produziu um filme, até certo ponto, inadequado para crianças, com direito a cenas tétricas, diálogos moralmente pesados e clima sombrio.
Jim Carey e suas tradicionais caretas se encaixam bem nos diversos papéis que o ator representa no filme, com destaque para o próprio Scrooge, de semblante assustador. A comédia, o terror e o melodrama convivem harmoniosamente, tornando a história interessante e gostosa de ser assistida, onde não se sente o peso dos 96 minutos de duração da fita.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

TRANCADO

Com o passar do tempo, comecei a me adaptar a ter um blog, a gostar de escrever nele e a dividir com amigos e desconhecidos alguns pequenos momentos vividos, além de divulgar minhas constantes críticas e opiniões sobre o que ando assistindo e ouvindo ultimamente. Tão bacana quanto isso é poder participar de uma rede e "linkar" meu blog com outros blogs, de modo a ter a rede sempre atualizada com as novidades mais recentes de cada um. Para isso serve a sessão Visite Também que disponibilizo aos meus visitantes na barra lateral do »MAU« na foto.
Este blog é também linkado por outros, e eis que de uns tempos para cá tenho me deparado com um problema que já havia detectado em outro blog de um amigo, o qual visito esporadicamente: as minhas atualizações não são mais computadas nos blogs que apontam para cá e fica sempre um mesmo post trancado como o mais recente. Por mais de um mês fiquei com "O ELO PERDIDO NO CINEMA" como o mais recente e, após fazer uns "mexes", trocando o nome do post, re-inserindo o post mais atual, consegui que o "ALÔ, ALÔ, TEREZINHA" aparecesse atualizado no dia em que o postei. O problema é que agora ele ficou trancado também, e este já é o segundo post que escrevo depois dele e que não aparece como mais recente. E isso vai jogando a divulgação do meu blog cada vez mais para o final da lista, abaixo dos outros que se atualizam sem problemas, além de despertar cada vez menos o interesse de novos visitantes - afinal, quem quer visitar um blog aparentemente desatualizado?
Já revirei a ajuda do blogger.com e não encontro um espaço sequer para contatar o suporte através de uma mensagem de texto. Já escrevi no fórum e a única resposta que obtive foi de uma pessoa com o mesmo problema que eu e que meu amigo já mencionado anteriormente. Aqui fica o meu protesto e, caso algum leitor saiba como me ajudar, por favor...
Um bom final de semana a todos!

»JUKEBOX: A trilha sonora de hoje ficou por conta de Afterglow, álbum de 2003 da canadense Sarah McLachlan


»MAURICIOPÉDIA: O título do post foi inspirado no nome da canção Trancado, composta por Ana Carolina e presente no álbum de estréia da cantora.«

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

V

A primeira impressão é a que fica, dizem por aí... Para não deixar passar nada, encerrei minha sessão de séries de hoje para sentar frente ao computador e escrever sobre a estréia que acabei de assistir: V. O remake da série homônima dos anos 80 (1983-1984) debutou no dia de ontem na televisão americana, sem muitas novidades e tampouco originalidade.
Em meio a naves espaciais, teorias da conspiração, provas de fé e traições, a série narra a chegada de extraterrestres em nosso planeta. A princípio parecendo pacíficos, logo os Visitantes (daí o título "V") revelam-se agressivos e mostram suas verdadeiras intenções de dominar a Terra, trabalho que, a vir a se descobrir em seguida, já vinha sendo preparado secretamente há muito tempo por espiões disfarçados entre os humanos.
Os seres, com aparência idêntica à humana, assim como no original, escondem uma estrutura escamosa, como lagartos. São inteligentes, avançados tecnologicamente, bem armados e convincentes, pois iniciam a execução de seu plano pela conquista da confiança dos terráqueos, para em breve dar seu bote. A partir daí, deve se desencadear uma guerra entre humanos e extraterrestres, com direito a vitórias, baixas, traições e reviravoltas mil. O piloto apenas acendeu a chama da história, mostrando a chegada das naves, apresentando os personagens e dando as primeiras impressões do que está por vir.
No elenco, uma compilação de alguns "ex" de outras séries conhecidas nossas, como Elizabeth Mitchell (a Juliet de Lost), Joel Gretsch (o Tom Baldwin de The 4400) e Scott Wolf (já passado por Party Of Five e The Nine, entre outras).
Impressões? Eu gostei! Bastante ação, fácil compreensão da história, bons efeitos visuais - nada mais que entretenimento puro. Verdade que ainda tenho lembranças de parte da série original e posso dizer que essa diferença de 25 anos foi gratificante para renovar pelo menos visualmente a trama. Quanto ao roteiro e ao andamento da história, é preciso um tempo mais para analisar os rumos que serão tomados.
Trabalhar em um remake é algo complicado, pois é preciso oferecer um diferencial em relação ao original, e esta nova/velha série, apesar de ter levado ao ar um episódio piloto bem movimentado, não mostra sinais de que terá força para durar por muito tempo. A idéia é interessante e é válido reviver um bom momento televisivo de uma década tão querida como a de 80, mas se a insistência pelos moldes e pela linguagem da época persistir, os alienígenas dificilmente se manterão no ar por mais de uma temporada.

»JUKEBOX: A trilha sonora do post ficou por conta de Strange Little Girls, álbum de covers da cantora Tori Amos lançado em 2001.«

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA

O documentário Alô, Alô, Terezinha, estréia deste último final de semana, tem por premissa mostrar um pouco da vida daquele que é considerado um dos maiores comunicadores brasileiros de todos os tempos, Abelardo Barbosa, conhecido popularmente como Chacrinha.
Falecido em 1988, aos 72 anos, Chacrinha ficou marcado na memória nacional como apresentador de programas musicais e de calouros. Com um jeito pitoresco de se vestir, de se comunicar com as massas e de tratar seus convidados, o também chamado Velho Guerreiro deixou bordões inesquecíveis, popularizou marchinhas de carnaval, lançou calouros e fez a fama de muitos artistas, dos quais boa parte está até hoje na ativa.
Do filme roteirizado e dirigido pelo jornalista, produtor e diretor de televisão Nelson Hoineff esperava-se um apanhado que contasse a trajetória do homem, do artista e do comunicador, mas não é bem assim que o carro anda... Formado basicamente por depoimentos e entrevistas com artistas e pessoas próximas do Velho Guerreiro, Alô, Alô, Terezinha não mostra mais que uma pequena ponta da faceta do apresentador Chacrinha e passa a maior parte de seus 90 minutos brincando de "Por Onde Anda Você?" com cantores (muitos deles já esquecidos pela mídia), ex-calouros e as famosas ex-dançarinas de seus programas, as Chacretes, muitas delas em situações de vida difíceis.
Egresso da TV, o diretor teve em sua carreira programas veiculados em diversas emissoras, alguns de gosto duvidoso, nos quais a prioridade era chocar o espectador - torna-se fácil a dedução de porquê seu filme de estréia no cinema tomou o rumo que tomou...
Em termos de resgate da memória de Chacrinha, o documentário deixa muito a desejar. É interessante pela nostalgia, por algumas curiosidades mostradas e pela temática musical. Dispensável pelo teor de humor negro ao qual o diretor covardemente submete muitos de seus entrevistados: cenas constrangedoras como a filmagem de uma parede danificada na casa do cantor Wanderley Cardoso, a invasão e exposição de cultos religiosos, um duelo de leitura de versos entre ex-calouros gagos e uma ex-chacrete caidaça dançando nua com adereços de índia dentro de um chafariz público são apenas algumas das apelações que o senhor Nelson Hoineff deveria ter pensado duas vezes antes de incluir na fita.
Como nem tudo são rosas, aqui nem tudo são espinhos: há também boas oportunidades para se matar saudades de uma época, visitar artistas sumidos e se deliciar com depoimentos interessantes, como os do rei Roberto Carlos e de um desaforado Aguinaldo Timóteo descendo a lenha em João Gilberto. Mais que isso: por menos material que tenha sido mostrado, é uma boa chance para rever bons momentos daquele apresentador que por muito ainda será lembrado quando alguém buzinar um calouro, oferecer-lhe um troféu abacaxi ou mandar um "alô" para a Terezinha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CINEMA 4-D

Neste feriadão de Finados experimentei uma novidade que gostaria de compartilhar com meus leitores: assisti a uma sessão de cinema em quatro dimensões e posso afirmar que, além de emocionante, foi muito divertida para não dizer "vertiginosa"!
Para quem tem como novidade as salas 3-D, que pouco a pouco têm crescido em número pelos cinemas, não imagina quão bacana é incrementar essa experiência com mais uma dimensão - a sensorial. Na animação exibida, A Ilha Perdida, um explorador cai por acidente em uma ilha misteriosa, cheia de perigos e animais assustadores. A história é carente de conteúdo, mas aqui é o que menos importa, pois trata-se de uma sequência com o propósito de dar ao espectador uma pista do que o cinema 4-D pode oferecer.
Além da melhoria visual em relação às projeções 3-D, proporcionada por uma tela côncava de 180°, outras sensações também são estimuladas no 4-D, com o lançamento de pequenos jatos de água na platéia, bufadas de vento, cócegas nas pernas, cadeiras que tremem e que despencam sem sair do lugar. Os sustos seguidos de risadas são inevitáveis!
Recomendo e deixo como dica para quem for visitar a serra gaúcha, principalmente para quem é vidrado em cinema, animações e gosta de estar sempre por dentro do que há de mais bacana em termos de novidades tecnológicas. Fui esperando coisas que não aconteceram, como o estímulo olfativo e um trabalho mais elaborado com o áudio, mas ao mesmo tempo me admirei com outros aparatos que não imaginava que fossem me pregar tantas surpresas e sustos. Posso vislumbrar que essa amostra que tive é apenas o começo de um filão que pode ser muito bem explorado e render experiências incríveis para o futuro.

»JUKEBOX: Este post teve como trilha sonora Black Gives Way To Blue, o recém-lançado álbum de retorno da banda Alice In Chains


»MAURICIOPÉDIA: O cinema 4-D localiza-se no Alpen Park, na cidade de Canela/RS. O ingresso para a sessão, que dura aproximadamente 20 minutos, custa R$ 15,00.«

sábado, 31 de outubro de 2009

BILLBOARD NO BRASIL

Após um longo período sem uma revista especializada em música, os leitores brasileiros podem comemorar a chegada da Billboard por aqui. A revista é uma das mais respeitadas mundialmente e suas paradas musicais são referência incontestável na comprovação de vendas e de sucesso de artistas de todos os gêneros da música. Diferente da Rolling Stone, a recém-chegada foca suas matérias unicamente no universo musical, abrindo um pequeno espaço para tratar de outros assuntos do mundo pop, como moda, cinema e artes.
A número 1, já nas bancas neste mês de outubro, traz o Rei Roberto Carlos na capa e uma matéria central sobre sua megaturnê comemorativa de 50 anos de carreira. Entre outras reportagens bacanas, tem ainda Katy Perry, os ressucitados do Alice In Chains, Quentin Tarantino e seu gosto impecável para montar as trilhas sonoras de seus filmes, críticas de CDs, DVDs e shows, além do famoso paradão, incluindo as principais categorias norte-americanas e o lançamento da parada nacional.
Em formato grande e custando a bagatela de R$ 8,90, a revista está bem eclética e interessante. Nesses tempos de recessão, desejo sucesso e longa vida para a novidade, que vem em boa hora para preencher um lugar há muito deixado nas bancas de revista pela saudosa Revista Bizz.

»JUKEBOX: Este post teve como trilha sonora o primeiro álbum solo do cantor Gavin Rossdale, de 2008, entitulado Wanderlust. Rossdale foi vocalista da banda inglesa Bush e é marido da cantora Gwen Stefani

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MICHAEL JACKSON'S THIS IS IT

Em 25 de junho passado o mundo musical deu adeus ao seu Rei do Pop, Michael Jackson. Na ocasião, o cantor estava a 8 dias de iniciar uma turnê de 50 shows em Londres, que seriam os últimos de sua carreira, segundo o próprio confirma em uma cena de seu epitáfio cinematográfico, This Is It, que estreou mundialmente nos cinemas nesta quarta-feira.
Uma mescla de documentário e musical, This Is It mostra, no decorrer de seus 110 minutos, os preparativos e os ensaios do que seriam as apresentações de Michael. Trata-se de uma compilação de videos, passagens de som e cenas de bastidores de MJ, como o astro é chamado carinhosamente pela equipe em diversas passagens do filme. Como declarado no início da película, essas filmagens seriam usadas como acervo pessoal do cantor e eventualmente veiculadas também nos telões dos shows. Por uma ironia do destino, acabaram servindo para um propósito muito maior...
Vemos um Michael Jackson desgastado, franzino, com ares de cansado e com um semblante assustador, por conta de suas múltiplas intervenções cirúrgicas no rosto. Apesar dos sinais de fraqueza, nota-se que o cantor continua dançando bem, cantando bem, distribuindo simpatia e comandando a produção e a equipe técnica com maestria, exigência nos mínimos detalhes e muita criatividade.
O diretor Kenny Ortega soube aproveitar bem o material que tinha em mãos e conseguiu encadear tudo de forma harmoniosa. O diretor vai além, omitindo qualquer sentimentlismo barato que poderia ser facilmente arrancado com a menção da morte do pop star e dando também atenção, em pequenos depoimentos, à equipe de produção da turnê, aos músicos e aos dançarinos que acompanhariam Michael.
Desse modo, o espectador pode se deliciar com a execução completa de diversas músicas do ensaio, uma seleção de hits e confirmadas. Pode ainda ver vídeos muito bacanas que seriam veiculados nos telões, como uma versão moderna em 3D de Thriller e uma montagem especial do filme Gilda, com direito a Rita Hayworth e tudo mais, exibida na sequencia de Smooth Criminal.
Ao subir dos créditos, ficam duas sensações: uma primeira de saudade do cantor e de lamento por uma turnê tão magnífica que jamais será vista por alguém, seguida de uma segunda de satisfação, obtida através de um filme honesto que prestou um tributo à altura de um ser humano e de um artista do calibre de Michael Jackson.


»JUKEBOX: Post escrito ao som intermitente da música Thong Song, do cantor Sisqo

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DISTRITO 9

Assisti ao fenômeno cinematográfico do momento, Distrito 9. Bem recebido pela crítica e pelo público, a história narra um episódio em que ET's chegam à Terra, mais precisamente em Johanesburgo, na África do Sul, no início dos anos 80. Sua nave quebra e eles obrigam-se a viver entre os humanos, terminando marginalizados, isolados em uma favela gigante (o tal Distrito 9 do título) e perseguidos pelas autoridades.
Se você notou algumas pistas e ligou os pontos, bingo! A história serve como metáfora para ilustrar o problema do racismo, da segregação e da marginalização, sobretudo em países pobres como a África do Sul. Uma bela premissa, representada por alienígenas perfeitamente compostos pela equipe de efeitos especiais e por uma trama cheia de surpresas e reviravoltas.
Com uma mescla de falso documentário e filme de ação e ares de produção independente, a cria do diretor Neill Blomkamp, estreante em longas, embora de interessantíssima premissa, peca pelas referências descaradas a outros filmes. Em diversos momentos, Distrito 9 me soou como "A Mosca encontra O Fugitivo, que encontra Cidade De Deus, que encontra Tropa De Elite, e assim segue...". E nessa reciclagem foram sugadas tanto as situações de êxito (como o drama "mosqueiro" da metamorfose do personagem Wikus Van De Merwe, vivido pelo competente ator Sharlto Copley) quanto as clicherias (como o clone de Capitão Nascimento que persegue o protagonista com uma bazuca, no bom estilo Rambo).
Há quem diga que o trunfo maior de Distrito 9 foi ter conquistado o diretor Peter Jackson, que terminou por abraçar a ideia e produzir o filme. Fora isso, o filme se segura sozinho e ainda tem a seu favor a ambientação fora dos Estados Unidos (o pouso preferido dos ET's no cinema) e uma qualidade muito mais artística do que puramente comercial. Possui ainda efeitos visuais convincentes, uma bela trilha sonora, bons atores e um roteiro bacana, embora pouco original. Distrito 9, de um modo geral é um bom filme e creio que sua fama o levará longe, mas podia levá-lo muito além, não fosse a falta de surpresas e o excesso de "mais do mesmo" em diversas situações.

BASTARDOS INGLÓRIOS

Após o fiasco do desastroso Prova De Morte (Death Proof, 2007), o diretor Quentin Tarantino acerta novamente a mão em Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009) e transpõe para o cinema de guerra seus diálogos inteligentes, seus personagens transgressores e sua marca única de direção.
A trama, ambientada na França, gira em torno da personagem Shosanna Dreyfus (vivida por Mélanie Laurent), uma judia que viu sua família ser executada pelos soldados nazistas e desde então nutre uma raiva mortal pelo regime. Já adulta e proprietária de um cinema, vê em suas mãos uma oportunidade de vingança, paralelamente a um plano de ataque dos aliados que visa bater de frente com seus propósitos.
Como saídos de um gueto, os aliados americanos comandados pelo abusado Aldo Raine (Brad Pitt) são desprovidos de qualquer sutileza e conseguem tornar irônicas ou engraçadas até mesmo as situações mais macabras da película, como os escalpos aos inimigos abatidos e as execuções feitas com taco de baseball pelo "Urso Judeu" Donny Donowitz (Eli Roth). Junte a isso um Coronel alemão cínico e inescrupuloso (interpretado brvamente pelo ator Christoph Waltz), um Adolf Hitler (Martin Wuttke) completamente afetado e caricato e uma atriz que nas horas vagas é agente dupla a favor dos aliados (interpretda por Diane Krüger) e pronto: tem-se a nova loucura tarantinesca!
O filme contém toda a marca de Tarantino, mas sobressai-se a tudo que já foi feito pelo diretor até aqui. Embora prejudicado pela duração demasiada de 153 minutos e não se tratando de seu melhor filme (fica devendo, pelo menos, para Pulp Fiction, Jackie Brown e para o primeiro Kill Bill), a valorização de planos e paisagens, a troca de ambientação e a (mais uma vez) boa trilha sonora, escolhida pelo próprio Tarantino, contribuiram para uma inovação em seu trabalho e para deixar uma boa impressão na péssima safra de filmes que tem culminado em 2009, segundo alguns, motivada pela greve dos roteiristas ocorrida no ano passado.