quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

LUA NOVA

A onda dos vampiros definitivamente voltou com tudo! Segundo volume da quadrilogia da escritora Stephenie Meyer, Lua Nova (New Moon, 2009) é a primeira das 3 continuações cinematográficas do estrondoso sucesso de 2008 Crepúsculo (Twilight). A agora entitulada "saga" narra o romance entre a mortal Bella (a insossa Kristen Stewart) e o vampiro Edward (Robert "queridinho-do-momento" Pattinson). Tanto a obra literária quanto a cinematográfica são meras atualizações de tudo o que já se disse até hoje sobre vampiros - a grande jogada da escritora foi encaixar a história no contexto adolescente, fisgando uma grande parcela de consumidores infanto-juvenis e, na carona, um grande número de adultos curiosos e fãs do gênero.
Lua Nova é tal e qual seu antecessor - a continuação segue a história no mesmo ponto em que parou, dando continuidade aos fatos já conhecidos e preparando o terreno para os dois volumes que ainda estão por vir. Neste segundo filme, o vampiro Edward sai de cena durante boa parte do tempo para o desenvolvimento do personagem Jake (Taylor Lautner) - e não é novidade para ninguém que Jake se transforma em lobisomem e é também o principal rival do vampiro na disputa pelo amor de Bella.
A trama é morna, desenvolve-se lentamente e se arrasta para além da metade do filme até que algo comece a acontecer. Em tempos do excelente True Blood, aqui o romance humana-vampiro não convence muito, principalmente tendo uma protagonista apática e seu par vampiresco um genérico de galã da Malhação em versão andrógena. Não vou dizer que a fita é ruim; para mim foi uma boa distração cinematográfica, mas nada que justifique o barulho todo que se faz em torno da franquia.
Tecnicamente a produção evoluiu. Embora a maquiagem continue tão ruim quanto em Crepúsculo (aquela plasta branca no rosto deles parece Minâncora), a equipe desta vez investiu mais e caprichou na montagem, na fotografia e nos efeitos especiais, principalmente nas cenas em que aparecem os lobisomens e em que as duas espécies de criaturas lutam entre si. Qualquer semelhança com Anjos Da Noite (Underworld) é pura coincidência, ok?
Ah, uma novidade bacana foi a entrada da personagem Jane, vivida por Dakota Fanning, agora uma mocinha de 15 anos. Vale para revê-la.

»JUKEBOX: Para matar saudades, a trilha do dia ficou por conta de Tim Maia Ao Vivo, registro histórico de 1992.«

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O TECO-TECO DAS DESESPERADAS

ATENÇÃO: Este post contém spoilers!
Anunciavam os spoilers desde o início desta 6ª temporada de Desperate Housewives: um avião iria cair em Wisteria Lane! Os rumores eram de que este seria o final da temporada e o gancho para a próxima, mas minhas suspeitas se confirmaram. A queda do avião foi a tragédia da metade da temporada, seguindo a previsível tradição de anos anteriores, como aconteceu no ano do furacão, no ano do sequestro do supermercado e no ano passado, com o incêndio da boate. O episódio foi ao ar nos Estados Unidos neste último domingo e se chamou Boom Crunch.
Sem se apegar aos acontecimentos paralelos, vamos direto ao avião... O acidente foi decepcionante do início ao fim. A introdução do início do episódio entregou quase toda a cena da queda e como ela ocorreu. O tal avião não passava de um teco-teco, uma aviãozinho de nada e, o pior de tudo é que, quando caiu, nada mais fez além de se arrastar com força pelo meio da rua, destruir a decoração do festival de Natal da vizinhança e supostamente ter matado um ou dois personagens, dos quais possivelmente nenhum muito importante. Nenhuma explosão. Nenhum fogo. Nenhuma destruição significativa. Puro alarde. Perto do furacão, as consequencias deste espisódio poderiam ser comparadas a uma mera brisa.
O episódio foi válido pelos demais acontecimentos, alguns importantes no desenrolar desta temporada. Fora isso, o avião só serviu para deixar uma dúvida sobre quem morreu ou não. Se as previsões dos comentários que li no site TV.com se confirmarem, as desesperadas estão entrando em um pequeno recesso de final de ano e só voltarão a dar as caras na telinha em meados de 2010, com as respostas para o acidente e para todas as outras perguntas da temporada. Aguardemos...

(500) DIAS COM ELA

Uma coisa boa no cinema, assim como na vida, são as surpresas: quanto menos se espera algo bom de alguma coisa, maiores são as chances de uma surpresa positiva. (500) Dias Com Ela ((500) Days Of Summer, 2009) definitivamente se encaixa nesta categoria.
Me explico: fui ao cinema com expectativa mínima, esperando ver um filmezinho meloso sobre um cara e uma garota que se conhecem, ficam juntos por 500 dias e ele resolve relembrar todos os momentos pelos quais passaram - de uma forma resumida, esta é realmente a sinopse. Enfim, motivado pelo convite de colegas do trabalho e pelo generoso preço do ingresso a R$ 4,00 em pleno sábado (leia o rodapé do post), fui conferir e posso dizer que saí bem satisfeito.
A história se revelou divertida, irônica e engraçada, sem baixar o nível ou cair no besteirol - um humor quase adolescente e inteligente. Joseph Gordon-Levitt, egresso das séries de TV dos anos 90 é Tom Hansen, um escritor de cartões (como esses de Natal ou aniversário) que acredita no amor e é afixionado pela idéia de que existe uma única pessoa perfeita para ele - e então ele conhece a irreverente Summer Finn (Zooey Deschanel, carismática, bonita na medida e perfeita no papel, com expressões e trejeitos que dão brilho extra à personagem), totalmente seu oposto, que vira seu mundo e suas emoções de pernas pro ar.
O formato flashback funciona bem e não atrapalha o andamento da história, distingue nitidamente as emoções através dos dias bons (com sol) e dos ruins (com nuvens). A narração é imparcial e divide o espectador, uma hora fazendo-o execrar a indiferença e o descaso de Summer, outra hora fazendo-o se irritar com a persistência e as tolas ilusões do confuso Tom.
O diretor de clipes Marc Webb, quem tem Green Day e 3 Doors Down em seu currículo, aproveitou bem a simples premissa e transformou-a em um filme dinâmico e bem divertido. Trata-se de uma comédia romântica com muito mais ênfase na comédia, regada a pitadas de sofrimentos e descobertas pessoais. Eu recomendo!

»JUKEBOX: A trilha sonora do post foi Hard Candy, da Madonna, lançado no ano passado - um dos álbuns mais fraquinhos da carreira da loira.«


»MAURICIOPÉDIA: No Cinemark Bourbon Ipiranga (Porto Alegre) e no Cinemark Canoas (Canoas) rola uma promoção de ingressos a R$ 4,00 - toda semana um filme é escolhido para dar o desconto e, da sexta até a quinta da semana seguinte há uma sessão do filme às 15h00 (sempre e somente esta sessão), custando a bagatela já mencionada. Quem tem carteirinha de estudante paga R$ 2,00.«

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ABRAÇOS PARTIDOS

Em seu mais recente filme, Pedro Almodóvar dá alguns tropeços e produz uma obra inferior a tudo que havia feito nos últimos anos. Seria covardia aproximar Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009) de qualquer outra história contada pelo diretor espanhol nesta década.
A trama central: Lena (Penélope Cruz, em mais uma boa parceria com o diretor), mulher de origem humilde, mantém um caso com seu patrão, um velho rico e influente. Torna-se atriz, consegue o papel principal em um filme e envolve-se emocionalmente com o diretor (Lluís Homar). A partir daí, uma sucessão de perseguições, humilhações e tragédias atingem a todos os personagens, no pior estilo novela mexicana. O drama e a amargura fagulham pela tela de forma que não seria surpresa alguma se o vilão amarrasse a mocinha nos trilhos do trem no final - o que, felizmente, não se fez necessário. Os momentos dramáticos não empolgam o suficiente e a fita soa como uma piada fraca em que a pouca graça aparece oculta nos detalhes do percurso. Os atores estão afinadíssimos, a ambientação no tempo e no espaço é perfeita, mas não há como operar milagre em história ruim.
O resultado final desta química fica pendendo na fronteira entre o bom e o razoável. Abraços Partidos não passaria de uma história patética, não fosse a assinatura de Almodóvar na produção: as cores vivas, a sutileza para realçar pequenos detalhes, as boas histórias contadas em segundo plano, os coadjuvantes interessantes (preste atenção no personagem Judit, vivido grandiosamente por Blanca Portillo), o humor característico do diretor e a boa construção verbal do filme são as únicas garantias da sobrevivência do dramalhão no decorrer de seus 128 minutos.

»JUKEBOX: Este post foi simultaneamente escrito com a primeira audição do novo álbum de Daniela Mercury, entitulado Canibália

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

IN(DIG)NAÇÃO

É indiscutível! O futebol é o esporte nacional, o ópio de uma grande parcela do povo, a única alegria de muita gente, a razão de viver de alguns, o ganha-pão de uns poucos privilegiados - no Brasil respira-se futebol e é difícil ficar indiferente a isso. Eu não gosto. Repito: eu não gosto, mas respeito, afinal, antes de qualquer outra coisa, futebol é esporte, é saúde, é educação, é profissão, é brincadeira, é competição, é dignidade. Ou era para ser?
O trechinho de Jornal Nacional que assisti no dia de hoje foi o suficiente para me motivar a escrever este tanto sobre o lamentável incidente, se é que assim pode-se chamar aquela barbárie, que ocorreu no Estádio Couto Pereira (Curitiba/PR) neste último domingo, após o empate de 1 a 1 do Coritiba, o time da casa, com o Fluminense, acarretando no rebaixamento do time paranaense para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Desde a senhora que voltava do trabalho em um ônibus que foi cercado por torcedores (ou melhor, terroristas) e que teve arrancados 3 dedos de sua mão na explosão de uma bomba, ao rapaz que levou um tiro na cabeça de um torcedor (leia-se bandido) dentro do próprio estádio, passando pelo árbitro da partida que foi agredido e o soldado da PM que foi atingido por um banco em pleno gramado, durante o cumprimento dever, o quebra-quebra mandou algumas dezenas de pessoas para o hospital, pouquíssimas para a cadeia e foi notícia no país inteiro, talvez até maior do que a conquista da vitória do campeonato pelo Flamengo.
O que pode pensar de um episódio desses? Como não se indignar, e... como não se envergonhar?
Eu não sou torcedor, acompanho futebol em terceiro ou quarto plano, nunca vou a jogos, mas temo pelo que acontece nos estádios. Das pequenas confusões às mobilizações de torcidas, a violência que se vê com frequencia não só é uma mancha no esporte, mas também um braço da criminalidade e da brutalidade que consomem nossas ruas. Bandidos, vândalos e assassinos na pele de torcedores encontram justificativas na devoção por um time para desencadear tragédias e ainda acham que está tudo bem. Conheço pessoas que adoram futebol mas nunca frequentam estádios por medo do que pode acontecer - um medo de suas próprias torcidas onde, para a casa cair, basta uma cerveja a mais, basta uma piada mal digerida, basta um empate do time. Ninguém está livre no Brasil. Como já disse no início, aqui respira-se futebol - mas já sufoca-se com tanta violência e ignorância.
Paz.
»MAURICIOPÉDIA: In(Dig)Nação, a canção cujo título emprestou-se para encabeçar este post, é de autoria de Samuel Rosa e Chico Amaral e foi sucesso no primeiro CD do Skank, lançado em 1993. O CD também foi a trilha sonora do dia.«

MARIA BETHÂNIA - AMOR, FESTA, DEVOÇÃO

Para divulgar seus mais novos discos, Tua e Encanteria, Maria Bethânia viaja o país com sua turnê Amor, Festa, Devoção - no título, os ingredientes principais da dobradinha produzida em estúdio. No último dia 03 de dezembro foi a vez de conferirmos aqui em Porto Alegre a apresentação.
No repertório, aparecem em maioria as novas canções: o romantismo de Tua misturado com a celebração e a devoção religiosa que formam Encanteria. A cantora relembra canções de seus discos setentistas, como o sucesso Explode Coração (Luiz Gonzaga Jr.) e a pouco conhecida Bom Dia (Herivelto Martins / Aldo Cabral), além de resgatar Vida de Chico Buarque e a inexplicável É O Amor de Zezé Di Camargo, com direito a esquecimento da letra, seguido de uma mea culpa merecidamente aplaudida. O irmão Caetano Veloso, embora cada vez mais ausente como compositor nos últimos álbuns da cantora, aparece com a cortante Drama, as até então inéditas na voz de Bethânia Queixa e Dama Do Cassino; depois Não Identificado, para prestar homenagem ao patriarca e à matriarca da família Telles Veloso, respectivamente Seu Zeca e Dona Canô. Das novidades, merece destaque a bela Balada De Gisberta (Pedro Abrunhosa), um dos melhores momentos do show.
Bethânia se entrega por completo ao palco e às canções. Sente o amor e a saudade, eleva-se em oração nos momentos de evocar a fé e os santos, demonstra o sentimento, solta a poesia. A intérpetre, na flor de seus 63 anos, traz uma forte carga dramática em suas feições, evidencia o peso dos anos no rosto e na expressão - às vezes meio cansada, às vezes meio distraída -, aparenta uma certa amargura, uma certa indiferença. A dama leva a platéia ao delírio, comove e enche a casa com sua linda voz, com seu semblante de artista e sua bela seleção de canções.
Tecnicamente o show é impecável, desde a bela cenografia até a harmônica banda comandada pelo habilidoso maestro Jaime Além, desta vez composta pela pequena soma de 6 músicos. Derrapadas da diva à parte (mencionando a grosseria de esnobar os fãs e atender somente meia dúzia deles no camarim após a apresentação, mandando o resto embora), pode-se dizer que uniu-se mais uma vez a técnica com o bom gosto e a competência de Maria Bethânia e foi mostrado um excelente show do início ao fim, abençoado por uma salva de palmas dos gaúchos.

»JUKEBOX: Este post foi escrito enquanto passava na TV o show Live At Black Island Studios, da banda Oasis«


»MAURICIOPÉDIA: Post originalmente escrito em 05 de dezembro, revisado e formatado em 07 de dezembro.«

domingo, 15 de novembro de 2009

2012

2012, o filme mais recente do diretor Roland Emmerich (responsável por "farofadas" como Godzilla, 10.000 A.C. e Independence Day), mostra toda a capacidade que Hollywood tem para destruir o mundo dentro de um estúdio. E também para destruir um blockbuster...
Um dos títulos mais esperados da fraca safra cinematográfica de 2009, 2012 baseou-se na história de que o calendário maia previa uma mudança geológica em nosso planeta de proporções apocalípticas e valeu-se da mesma clicheria encontrada em qualquer filme do gênero cinema-catástrofe, desde o heróico presidente americano até o ausente pai de família que busca conquistar o respeito dos filhos. E aqui vale tudo: o ônibus atingido por bolas de fogo e que segue andando, o cara com experiência de amador que pilota qualquer tipo de avião, as casualidades improváveis que acontecem a todo instante e, a pior de todas, os americanos salvado o mundo mais uma vez.
Quem vai ao cinema na expectativa de ver o mundo se desfazendo em pedacinhos (com direito ao desmoronamento do nosso Cristo Redentor, noticiado na fita por um golpe de merchandising descarado da Globo News), assiste majestosamente ao trágico espetáculo, com direito aos melhores efeitos visuais e sonoros imagináveis para nossa realidade - é realmente um show à parte. No entanto, paga com a arrastação de um filme com 2h e 36 minutos, que poderiam ter sido severamente reduzidos. Paga com historinhas pífias de testar a paciência sobre superação, heroísmo e senso de humanidade, em suas mais bregas essências.
Por mais irônico que seja, o único mérito de 2012 é exibir a própria destruição do planeta e de quase totalidade das espécies, incluindo a humana. Como filme, a história é lamentável, os atores (mesmo "feras" como John Cusack ou Danny Glover) não conseguem convencer na pele de personagens tão perfeitinhos e insuportáveis e, no fim de tudo, quando os tão sonhados créditos começam a subir, tudo o que fica é o arrependimento do espectador: sem uma lição, sem sequer um tema para refletir, sem nenhuma dúvida além de "gostei ou não gostei?" - eu não gostei e não recomendo, mas isso é só a minha resposta...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

JOGOS MORTAIS VI

Considerada a franquia cinematográfica de terror mais bem-sucedida de todos os tempos, Jogos Mortais chega em sua 6ª (e dispensável) edição. Como fã dos primeiros episódios, confesso que me fascinei com as engenhocas de tortura e com o desenrolar das investidas iniciais do serial killer Jigsaw (Tobin Bell). Já tem um bom tempo que a história se perdeu e se tornou uma maquininha caça-níqueis, sustentada por uma audiência ávida por derramamento de sangue à toa.
Por conta de uma boa reputação em sua fita de estréia e de uma rentável sequência, o olho grande dos produtores, assim como o ímpeto sangrento do serial killer, cresceu meteoricamente, transformando a série em uma triologia, que seguiu e já soma 6 filmes. Este que seria o derradeiro já não é mais: há uma promessa de Jogos Mortais VII para o ano que vem, possivelmente filmado em 3-D.
E, como bem se sabe, quanto mais se repete uma história que já não é lá grandes coisas, mais enfadonha ela se apresenta a cada iteração. Se tivesse sido dado um fim no terceiro filme, que já foi fraco, a saga terminaria bem e com méritos. Infelizmente, de lá para cá, a cada nova armadilha, a inteligência e a originalidade da franquia caem mais e mais. Sem propósito, cheio de reviravoltas e surpresas absurdas, Jogos Mortais tornou-se uma desculpa para expor bestialidade na tela. A cena inicial deste mais recente episódio é de uma violência tamanha que gera até mal estar na poltrona - e é o máximo que a fita consegue arrancar, pois, em seu restante resume-se a meras enrolações, tramas sem graça e personagens inexpressivos (sem contar a "canastrice" do elenco), lições de moral baratas e uma porção de flashbacks desinteressantes, a única forma encontrada pelos roteiristas para poder continuar mamando nessa vaca cada dia mais magrinha... Fora isso, sobram cenas de automutilação, feridas expostas, vísceras e sangue, muito sangue!

»JUKEBOX: Trilha sonora do dia: Encanteria, um dos gêmeos recém-lançados de Maria Bethânia

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOW BIZARRE - A 6ª TEMPORADA DE NIP/TUCK

Foi dada a largada para a temporada derradeira de Nip/Tuck, a série de TV mais bizarra de todos os tempos, que inicia com algumas semanas de diferença em relação às suas companheiras de fall season. Com a dedicação do produtor Ryan Murphy e de boa parte da equipe de produção à série Glee, chegou a hora da dupla de cirurgiões Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon) pendurarem suas chuteiras, ou melhor, seus bisturis.
A crise financeira mundial foi o ponto de partida para o início desta que será a temporada final, onde a clínica McNamara/Troy encontra-se em uma situação de quase falência, assim como a vida de seus proprietários. De um lado, Christian está livre de seu câncer de mama e se livrando do casamento equivocado com a Dra. Liz Cruz (Roma Maffia), que está movendo um processo de divórcio que promete assolar as economias do cirurgião. Do outro, Sean está deprimido sem seus filhos caçulas, sob a guarda da ex-mulher Julia (Joely Richardson), com sérios problemas de insônia e envolvido emocionalmente com uma nova mulher, a sinistra anestesista Teddy (Rose McGowan, mais conhecida por sua participação como uma das irmãs bruxas de Charmed). Completando o elenco principal, Matt (John Hensley) abandonou a faculdade para se tornar mímico e Kimber (Kelly Carlson) continua espreitando a família, na tentativa silenciosa de reatar o relacionamento com Christian.
Nip/Tuck sempre foi uma série instigante que soube dosar o drama médico com o humor negro e o chocante, mas que já se encontra na hora de terminar. Os personagens, de um modo geral, já fizeram tantas bobagens e mostraram evidências nulas de aprendizado, de forma que só acumulam fracassos e decepções ao longo de cada temporada. A história tornou-se um grande déjà vu, onde só se mudam as moscas, mas a sujeira continua a mesma... Torço para um final digno para a produção, que em seus episódios mais recentes já deixou pistas do clima de despedida que veremos com mais intensidade nas próximas semanas.

»MAURICIOPÉDIA: How Bizarre (quão bizarro) é o título do único sucesso da banda neozelandesa OMC, lançado internacionalmente em 1996.«

domingo, 8 de novembro de 2009

OS FANTASMAS DE SCROOGE

A Christimas Carol, obra do escritor Charles Dickens, um dos contos natalinos mais conhecidos de todos os tempos, ganha sua versão em animação 3-D pelas mãos dos Estúdios Disney, sob a condução do diretor Robert Zemeckis e recebe o título brasileiro de Os Fantasmas De Scrooge.
Na história, Ebenezer Scrooge (Jim Carey) é um velho rico, avarento e solitário, desprovido de qualquer bondade e mantenedor de um ódio sem par pelo Natal. Suas principais vítimas são o empregado Bob Cratchit (Gary Oldman) e seu sobrinho Fred (Colin Firth), os quais o velho faz questão de humilhar e desprezar gratuitamente a todo instante. Eis que em uma véspera de Natal, o avarento recebe a visita de 3 fantasmas, que lhe mostram seus Natais do passado, do presente e do futuro, levando-o a refletir sobre suas atitudes, escolhas e as devidas consequencias.
O conto, de teor bobo e fácil compreensão, ganha aqui vida em uma animação computadorizada via captura de movimentos dos atores reais, aliada à tecnologia tridimensional. Zemeckis mostra um trabalho visual ainda mais surpreendente e competente do que em seus dois filmes anteriores de mesma natureza, O Expresso Polar e A Lenda De Beowulf. As expressões dos personagens e a captura dos movimentos aparecem mais perfeitas que nos trabalhos anteriores, e mais: Zemeckis não se deixou prender pela tradição inocente da Disney e produziu um filme, até certo ponto, inadequado para crianças, com direito a cenas tétricas, diálogos moralmente pesados e clima sombrio.
Jim Carey e suas tradicionais caretas se encaixam bem nos diversos papéis que o ator representa no filme, com destaque para o próprio Scrooge, de semblante assustador. A comédia, o terror e o melodrama convivem harmoniosamente, tornando a história interessante e gostosa de ser assistida, onde não se sente o peso dos 96 minutos de duração da fita.