sexta-feira, 21 de maio de 2010

O FIM DA 1ª TEMPORADA DE "V"

Após uma premiére recordista, a ponto de bater a estreia de Lost de 2004, V foi perdendo audiência, fato que se agravou após o retorno de um hiato de 3 meses. Mesmo com um alto custo de produção, ainda assim a rede americana ABC deu a preferência de permanência à série em sua grade de programação, optando pelo cancelamento de FlashForward.
Na última terça-feira, 18 de maio, foi ao ar o encerramento da 1ª temporada deste remake de ficção científica, que narra a invasão da Terra por visitantes de outro planeta. Parece que finalmente a história começou a acontecer, depois de 12 mornos episódios só de preparo.
A malvada Anna (Morena Baccarin) foi responsável por uma quantidade razoável de mortes e maldades ocorridas nesta reta inicial, em prol do objetivo maior de invasão da Terra - a cada investida, a baixeza de seu caráter se tornava mais evidente, a ponto de mandar quebrar as pernas da própria filha Lisa (Laura Vandervoort) ou de aplicar uma injeção letal em Val (Lourdes Benedicto) logo após a moça dar à luz ao bebê híbrido, metade humano/metade V. Pelas mãos de Anna foi dado também o comando de início da invasão, veiculado neste último episódio, entitulado Red Sky (Céu Vermelho).
Quanto aos mocinhos da trama, restou-lhes uma sucessão de pequenas conquistas e grandes derrotas e a promessa de traições e novas alianças. O acordo de Kyle Hobbes (Charles Mesure) com os V's, a virada a favor dos humanos feita por Lisa e a descoberta feita pelo insosso repórter Chad Decker (Scott Wolf) foram as grandes revelações deste final de temporada, que servirão de guia para a próxima fall season. Com a eminência da invasão, a expectativa será grande na continuação da série, quando finalmente os planos serão revelados, um rastro de sangue e destruição assolará nosso querido planeta e finalmente as máscaras cairão, revelando a horrível e escamosa pele de lagarto dos visitantes.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

CONDENAÇÃO OU ABSOLVIÇÃO? A SENTENÇA FINAL DE DAMAGES

Quem tem medo de Patty Hewes?
Na minha modesta opinião, Damages, dada como encerrada, foi uma das melhores séries, senão a melhor, que surgiu nos últimos tempos na televisão americana. O conjunto de atuações perfeitas, tramas instigantes e bem amarradas, diálogos inteligentes e personagens que se ama ou que se odeia formou uma composição tão perfeita que vai ser difícil surgir algo no mesmo nível tão de imediato. Uma coisa foi verdade: a série era lenta e, apesar de cheia de crimes e suspense, a ação era escassa e o que se exercitava, na verdade, era o pensamento, a dedução e a expectativa.
Com Glenn Close encabeçando o elenco na pele da inescrupulosa e poderosa advogada novaiorquina Patty Hewes (um ícone adorável do mal que vai ficar marcado na memória televisiva), a série apresentou, durante suas três temporadas, casos jurídicos extremamente complexos e cheios de pontas soltas, envolvendo crimes, violência, escândalos e mentiras. Nesse universo valia tudo, fosse roubar ou até matar, sem importar de que lado se estava. Ao lado de Patty atuavam seu braço direito Tom Shayes (Tate Donovan) e a novata Ellen Parsons (Rose Byrne), advogada recém formada e ambiciosa, por quem Patty sempre nutriu certa admiração, apesar dos constantes confrontos diretos entre as duas. Dramas pessoais e profissionais, além de conflitos de caráter dos personagens foram sempre levantados e abordados na série, mostrando outras faces dessas pessoas e enriquecendo ainda mais a trama.
A terceira temporada, terminada há algumas semanas nos EUA, foi um trabalho fantástico, quase equiparado com o primeiro ano, causador de um impacto tremendo. No mesmo formato dos anos anteriores, onde a história se passava em um tempo e vez ou outra eram mostrados fragmentos de um futuro próximo (poucas semanas ou meses à frente), a tensão aumentava com o avanço da temporada, onde esses fragmentos passavam a ser melhor explorados e a se encaixar com os fatos do tempo atual, muitas vezes enganando a audiência, que pensava saber a explicação, mas se deparava outra totalmente surpreendente. Como precaução, a produção tratou, além de resolver esta temporada, de amarrar todas as pontas soltas dos anos interiores e deixar a história às claras, com todos os mistérios explicados e o fim de cada personagem definido. Figuras do passado, como o salafrário Arthur Frobisher (Ted Danson, em mais uma grata aparição) também retornaram para cumprir suas partes.
Na cena final, uma pergunta ficou no ar entre Patty e Ellen: "Valeu a pena?". Para nós, fãs, valeu... E, poucos dias depois, a notícia sobre o cancelamento.
Embora ainda haja um pequeno fio de esperança da série ser abraçada por outra emissora, o canal FX já a deu por cancelada. O motivo do cancelamento foi o de quase sempre: baixa audiência. Ainda assim, há uma campanha bem forte na Internet, promovida por fãs, em prol do show - entitulada "savedamages", a campanha invadiu o Twitter, o Orkut e outras redes sociais. Há quem queira incondicionalmente o retorno da série, há quem tenha receio de queda da qualidade, achando melhor deixá-la encerrada em grande estilo. Ainda assim, a decisão sobre o futuro de Patty Hewes continua uma incógnita, desta vez a ser resolvida não nos grandes tribunais, mas sim nas rodas dos grandes executivos da TV.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

CINEMA: ROBIN HOOD

Evite comparações deste Robin Hood (Robin Hood, 2010) com aquele de 1991, estrelado por Kevin Costner. Sim, o personagem é o mesmo, a história até é a mesma, porém, esta versão atual de Ridley Scott narra o surgimento do contraditório herói, aquele conhecido por tirar dos ricos para dar aos pobres.
Russell Crowe (parceiro do diretor em outros títulos como Gladiador e Rede De Mentiras) vive o protagonista, desde o soldado Robin Longstride até o forjado Robert Loxley, para finalmente tomar sua definitiva identidade junto à lenda que o cerca. Cate Blanchett (Elizabeth, O Senhor Dos Anéis) é Lady Marion, uma camponesa sem papas na língua e uma mulher visionária, atrevida demais para seu tempo. Seu envolvimento com Robin é de primeira importância para a evolução da história, que se passa logo após as cruzadas do violento Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston), onde o soberano é abatido em combate e seu trono é assumido por seu irmão João (Oscar Isaac), um tirano e injusto rei que, ao dispensar os serviços do fiel William Marshal (William Hurt, em um papel pequeno) cede o posto de conselheiro ao nefasto Godfrey (Mark Strong), um traidor que planeja instaurar uma guerra civil na Inglaterra entre a realeza e o povo, facilitando um ataque surpresa em conluio com o exército francês.
A arena da história que Scott tem para nos mostrar é um espetáculo de imagens, batalhas perfeitamente produzidas, cenários e figurinos perfeitos que remetem para a Inglaterra do século XII, efeitos sonoros ensurdecedores (ou era o som do cinema que estava desregulado) e uma boa trama que, apesar de longa, não deve ser recebida com cansaço ou preguiça. O roteiro contém alguns clichezinhos típicos de filmes de batalhas, como a caracterização piegas de Robin enquanto líder e a incursão do elenco na íntegra durante a luta, onde não faltam crianças e mulheres que sempre conseguem ir escondidas e, mesmo sem preparo algum, ainda vencem qualquer duelo. No mais, o filme se sai muito bem e termina na hora certa.
Se foi proposital ou não, a fita tem passagens que nos servem de metáfora e nos permitem traçar paralelos com nossos tempos. Basta observar as atitudes da coroa para com seus súditos, as motivações das batalhas e os absurdos cometidos em nome da igreja e em nome do rei. É, os tempos mudaram, mas o caráter humano, muito pouco: os pobres continuam sofrendo com fome e opressão, as guerras continuam matando aos milhares, mas agora com bombas e morteiros, as nações continuam querendo engolir umas às outras, mas com estratégias muito mais elaboradas do que séculos atrás. E os governantes... Esses continuam fazendo o que bem entendem, mentindo descaradamente e achando, assim como os reis antigos, que estão acima até mesmo de Deus. É pra rir ou pra chorar?

A 2ª TEMPORADA DE UNITED STATES OF TARA

Personalidades múltiplas: esta parece ser a única aflição na vida de Tara Gregson (Toni Collette) e de sua família. Com tal premissa, United States Of Tara fez uma bela temporada de apresentação em 2009 e agora está em exibição de seu segundo ano nos EUA. Com o humor negro como aliado, as desventuras dessa dona de casa cheia de alter egos chocam e divertem ao mesmo tempo, sem poupar críticas à sociedade e à estrutura familiar dos dias de hoje.
Veiculada no canal Showtime, um canal adulto que exibe suas séries somente após um determinado horário da noite, Tara tem boas doses de sexo, palavrões e situações polêmicas, o que auxilia no desenvolvimento de seus personagens. Tara parece ser a problemática da casa, mas outras impressões surgem quanto entram em cena seu marido dedicado e de pavio curto Max (John Corbett, de Casamento Grego e da série Sex And The City), sua tresloucada irmã Charmaine (Rosemarie DeWitt) e seu casal de filhos adolescentes, formado pela indecisa e malvada Kate (Brie Larson) e pelo sexualmente confuso Marshall (Keir Gilchrist).
Se no primeiro ano Tara já sofria ao lidar com o veterano de guerra Buck, a vadia adolescente T., a dona de casa à moda antiga Alice e o selvagem Gimmy, agora a psicóloga riponga Sooshanna surge para dividir o espaço na mente da protagonista e, pior, para tratar a ela mesma do distúrbio - parece confuso, mas acaba sendo muito engraçado. Com a família cada vez mais em pandarecos (Max emocionalmente descontrolado, Charmaine noiva e grávida de outro homem, Kate encarnando uma princesa dos quadrinhos para ganhar dinheiro fácil e Max se descobrindo sexualmente com meninas e meninos), os alters de Tara fluem automaticamente a cada episódio, a cada conflito ou a cada hostilidade, o que, numa família como esta, não é nada difícil de acontecer. Resta acompanhar essa teia de confusões e torcer pela sanidade da nossa heroína e pela permanência desta divertida série no ar por mais um ano.

CINEMA: ANTES QUE O MUNDO ACABE

Um envelope pardo e uma disputa amorosa são as peças-chaves para a trama de Antes Que O Mundo Acabe (Brasil, 2009), uma incursão sutil e certeira no complexo universo da adolescência. Na fictícia Pedra Grande, no interior do Rio Grande do Sul, onde o meio de transporte predominante é a bicicleta, vive Daniel (Pedro Tergolina), um adolescente de 15 anos sem muitas ambições, cujo tempo divide entre as aulas no colégio católico, o melhor amigo Lucas (Eduardo Cardoso) e a namoradinha Mim (apelido para Jasmim, papel da atriz Bianca Menti). A vida do garoto começa a sacudir quando um envelope remetido da Tailândia chega para ele pelo correio, quase ao mesmo tempo em que Mim resolver lhe pedir um tempo, abrindo espaço para o amigo Lucas entrar na disputa pelo coração da garota.
Alguns eventos são desencadeados a partir desses episódios, e o modo com que Daniel passa a encarar o mundo e as pessoas a sua volta é a essência da história contada pela diretora Ana Luiza Azevedo, estreante em longas metragens. Forma-se então um jogo de atos, consequências e responsabilidades interessante e cativante. De forma simples e direta, o filme se desenrola e evolui com graça, divertindo e comovendo. Produzida pela Casa de Cinema de POA, a fita acerta o tom e transforma em um enredo criativo um tema tão comum e em parte já banalizado pelo cinema contemporâneo.
Com belas locações naturais e externas filmadas em Porto Alegre (destacando pontos famosos do Centro), além de uma trilha sonora "bacaninha", Antes Que O Mundo Acabe mostra o mundo sob o olhar destes jovens, com seus conflitos internos, seus becos sem saída, seus medos e suas indecisões, e comprova que ser jovem hoje em dia não é tão fácil quanto possa parecer. O elenco, formado por atores desconhecidos, dá um tempero extra na trama através de boas interpretações e passa em muitas cenas um ar familiar e nostálgico: impossível não se reconhecer em várias situações cotidianas que acontecem conosco constantemente, mas que chegam com outra graça na tela de cinema, quando aqui, delas somos os voyeurs. As cenas dramáticas são tiradas de eventos que nos soariam triviais, mas que na fita, bem trabalhados, ganham força. As cenas mais divertidas aparecem para fazer o equilíbrio, dentre as quais, a menina Maria Clara (Caroline Guedes), irmã caçula de Daniel, é a protagonista-mor.
Ponto para a equipe, que soube conduzir o bom roteiro, escrito pela diretora em parceria com Paulo Halm, baseado no livro homônimo de Marcelo Carneiro Da Cunha, sem introduzir reviravoltas surpreendentes, apelar para a polêmica ou para a comoção fácil, e ainda assim prender o espectador e agradá-lo em cheio.

terça-feira, 18 de maio de 2010

CINEMA: O IMAGINÁRIO MUNDO DO DR. PARNASSUS

O Imaginário Mundo Do Dr. Parnassus (The Imaginarium Of Doctor Parnassus, 2009) causa certo desconforto e estranheza a quem o assiste e levanta questões do tipo "o que estou fazendo aqui?" e "será que alguém está entendendo?". Antes de qualquer outro comentário, o filme é chato - com uma barreira de real X imaginário quebrada cada vez que os personagens atravessam um espelho falso colocado no palco onde se apresenta o decrépito Dr. Parnassus (Christopher Plummer) do título, forma-se uma confusão de quem é quem e do que está acontecendo na história.
A trama retrata a história do Dr. Parnassus, um homem com o poder de manipular a mente das pessoas. Séculos atrás ele fez uma aposta com o diabo (o cantor Tom Waits) cujo prêmio foi a vida eterna. Mais apostas vieram, e eis que Parnassus aposta a alma de sua filha Valentina (Lily Cole), perde e vê-se desesperado a tentar recuperá-la. Junto de Valentina e do jovem Anton (Andrew Garfield), Parnassus percorre as ruas de Londres com seu hoje fracassado show de encantamento, até que em uma noite deparam-se com Tony (Heath Ledger, o Coringa de O Cavaleiro Das Trevas), um homem enforcado embaixo de uma ponte. Após o salvamento, o misterioso Tony passa a integrar a trupe e suas habilidades de persuasão tornam-se essenciais na disputa do Dr. com o cínico diabo pela alma de Valentina. O grande mistério do filme encontra-se em compreender as verdadeiras intenções de cada personagem e saber separar o que é real do que é a mente do Dr. Parnassus - tarefa árdua que, por volta da metade do filme torna-se desistência e logo converte-se em prece para que os créditos subam logo.
Dirigido por Terry Gilliam (o mesmo de Os Irmãos Grimm), ex-integrante do grupo cômico Monty Python, o que mais chama a atenção para a fita é o fato de ela ter sido o último trabalho de Ledger e mais um item na coleção de má sorte e contratempos das produções que envolvem o diretor, cujo histórico com problemas é famoso no meio cinematográfico. Desta vez o problema foi bem grave, devido ao falecimento do ator durante as filmagens. Para contornar a situação, a saída encontrada foi substituí-lo nas cenas em que Tony penetra no mundo imaginário - um revezamento entre os tarimbados Jude Law, Johnny Depp e Collin Farrell - cujo resultado saiu confuso e desastroso.
De bacana mesmo, o filme possui boas interpretações e um visual bacana. Com ares ciganos e circenses, o figurino e os cenários são supreendentes, com uma beleza de cores e detalhes imagináveis apenas na mente do Dr. Parnassus. Eis um título que, por mais tentador que pareça o trailer e o cartaz, é melhor passar longe.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A DESPEDIDA DE NIP/TUCK

Ninguém pode acusar o produtor Ryan Murphy e sua equipe de produção em Nip/Tuck por falta de originalidade: a série conseguiu polemizar, chocar e ao mesmo tempo apresentar sob um ângulo no mínimo curioso o universo das relações interpessoais, tendo como pano de fundo uma clínica de cirurgia plástica. No ar desde 2003 e tendo como protagonistas a dupla de sócios/amigos/rivais/co-irmãos isseparáveis e icorrigíveis Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon), a trama dá adeus aos fãs neste início de 2010, em uma sequência que não se definiu ao certo ser a 7ª temporada ou a 6ª dividida em duas partes.
Ao contrário de muitas séries que são canceladas sem aviso prévio, Nip/Tuck já tivera seu final planejado durante a exibição da 5ª temporada, deixando tempo e ideias de sobra para os roteiristas e produtores planejarem o destino de seus personagens. Talvez por boa parte da equipe ter se debandado para a produção de Glee, a nova série de Murphy e uma das maiores sensações desta fall season, Nip/Tuck foi bastante prejudicada em sua reta final, principalmente no que disse respeito ao roteiro.
A falta de motivação e o sumiço longo de alguns dos personagens, as reviravoltas sem fim na trama e o grotesco em escalas superlativas causaram marasmo à série e produziram episódios totalmente desnecessários, onde nada acontecia e nada contribuia para dar qualquer rumo à história. Figuras antes importantes, como a inconstante Kimber (Kelly Carlson), o filho problemático Matt (John Hensley) e a própria Dra. Liz Cruz (Roma Maffia) mudaram tanto em tão curto tempo que se tornaram estorvos ao invés de pivôs de algo mais importante. Julia (Joely Richardson), que um dia fora o terceiro nome do elenco, simplesmente não existiu nos últimos dois anos da série: apareceu vez ou outra só para incendiar, causar desconforto na trama e sumir na cena seguinte. E, quanto os protagonistas, tornaram-se algo próximo de um casal de meia-idade com crise no casamento, brigando por qualquer bobagem e reatando para voltar a brigar de novo...
Pode-se dizer que depois de 7 anos, o final da série veio tardio. O longo hiato da 5ª temporada teria sido suficiente para o planejamento de um final no mínimo mais digno e melhor resolvido, sem a necessidade de uma longa espera e de uma longa enrolação. A conclusão da trama terminou não sendo boa para quase ninguém, mas, após tantas desventuras, não tinha como ser diferente. Como mérito louvável, foi selado o destino de cada um dos personagens e reforçados os laços de afeto que tanto os ligaram e separaram no decorrer de todo esse tempo, sempre envolvendo o flerte com o bizarro, com a pornografia, com a violência e com o que havia de mais sombrio no ser humano, onde o limite sempre foi a imaginação.

domingo, 16 de maio de 2010

CINEMA: TUDO PODE DAR CERTO

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009), o mais recente filme de Woody Allen (responsável aqui pelo roteiro e pela direção), traz o comediante Larry David no papel de Boris, um velho solitário e ranzinza. Boris se julga uma mente privilegiada e, com uma carga colossal de mau humor e intolerância, ele é desprovido de qualquer pudor ou trava na língua quando o negócio é criticar ou ofender diretamente as pessoas, sejam adultos ou crianças - sua estupidez é tão ácida que chega a ser engraçada em diversas passagens. O que Boris não contava era com a chegada de Melody (Evan Rachel Wood) em sua vida.
Melody, por sua vez, é uma pós-adolescente simplória e de miolo mole. Fugida das garras da mãe dominadora (Marietta, vivida por Patricia Clarkson, presença constante nos filmes de Allen), a moça vem do interior para se aventurar na cidade grande e é justamente aí que seu caminho se cruza com o de Boris. A química que surge entre os dois, mesmo que inusitada, causa diálogos divertidíssimos, irônicos e com um quê de inteligência, outra marca característica da carreira do diretor. Contar o segmento da história seria estragar a surpresa para quem ainda não assistiu, mas pode-se dizer que são consideráveis as mudanças dadas na trama.
Longe de ser um dos melhores filmes de Allen, mesmo dentre os mais recentes, Tudo Pode Dar Certo é mediano e se salva pelo fator cômico da trama. Embora o diretor cultive um teor cômico bobo, às vezes cedendo espaço ao pastelão e ao absurdo, muito de seu trabalho se deve à repetição de fórmula, algo que tem dado certo até hoje. Nas poucas escapadas do formato, o diretor se saiu bem, mas é no chão da comédia que ele parece ainda mais à vontade. E, aqui, apesar da simplicidade da fita, pode-se considerar bem contada sua visão sobre mudanças de atitudes e suas devidas consequências.

SUPERNATURAL: O FINAL DA 5ª TEMPORADA

Era para ser o final definitivo da saga dos irmãos Winchester - tão verdade é que, após o anúncio de renovação para uma 6ª temporada, o produtor e criador da série Eric Kripke pulou fora do barco. Deste ponto em diante, será o que Deus quiser, ou, para entrar no contexto atual da série, o que o diabo quiser...
Desde o início da temporada tudo levava a crer que em maio deste ano o Impala preto 1971 finalmente descansaria em paz na garagem, mas os bons índices de audiência, a legião crescente de fãs da série e a máxima sempre válida no show business de "sugar tudo até a última gota", levaram os executivos do canal CW a renová-la por mais um ano, mesmo com os rumos da história apontando para um final a partir do qual se tornaria bem difícil retomá-la. Na verdade, Supernatural estava empacada em um mesmo tema há pelo menos 3 temporadas: foi-se o tempo em que haviam episódios isolados da trama principal e que os irmãos se deparavam com criaturas e monstros sobrenaturais diferentes de demônios ou anjos. Criou-se desde lá um universo céu-inferno cheio de criaturas ambíguas, lugares inimagináveis, fronteiras tênues entre a vida e a morte e situações tempo-espaço difíceis de se compreender. A cada temporada, a série estava se tornando uma encheção constante de linguiça, o que provou sua mais recente fall season, encerrada nesta última quinta-feira.
Tamanhos foram os artifícios empregados na produção para não terminar a série de acordo com o planejado e deixar gordura para queimar por pelo menos mais um ano, que houve uma série de episódios desnecessários e de títulos desconexos, com tramas e personagens enxertados à força para atrasar o desenlace dos destinos dos irmãos Sam (Jared Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) Winchester. As participações mais constantes do amigo Bob (Jim Beaver) e do anjo Castiel (Misha Collins), embora muito bem-vindas, contribuiram com novas tramas paralelas que mais ajudaram a enrolar o desenvolvimento da temporada do que a evoluir. No fim das contas, obteve-se um saldo positivo, com um final satisfatório e um gancho no mínimo interessante para stembro/outubro próximo. O receio maior vem do que será feito com isso e de quanto mais a série vai segurar firme até sair de controle e permanecer no ar apenas para faturar. O histórico de sua co-irmã Smallville, rumando para uma 10ª temporada, dá pistas do que pode acontecer, mas agora é hora de descansar a cabeça de tantos anjos e demônios e rezar para a próxima fall nos trazer boas novas.

sábado, 15 de maio de 2010

CINEMA: CHICO XAVIER

Brasil, o país com a maior população de espíritas do mundo, tem na figura do médium Chico Xavier (1910 - 2002) seu maior representante. A cinebiografia entitulada Chico Xavier (2010) e dirigida por Daniel Filho faz um apanhado geral sobre a vida e a trajetória do mineiro, desde sua sofrida infância até seu reconhecimento como o maior médium que o país já conheceu, tendo publicado mais de 400 obras psicografadas.
Nos moldes tradicionais de toda adaptação biográfica, a história contada por Daniel Filho mostra Chico Xavier em 3 fases de sua trajetória: quando criança (o ator mirim Matheus Costa), quando jovem adulto (Ângelo Antônio, a melhor das 3 interpretações) e na etapa mais madura de sua vida (Nelson Xavier). Amparada por um elenco estrelar da Rede Globo, a fita calça a narrativa sobre duas entrevistas dadas por Chico em 1971 no programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi. Há espaço ainda para retratar suas primeiras experiências mediúnicas, o preconceito sofrido pelo espiritismo, a caridade por Chico praticada (o auxílio aos pobres e o consolo dado através de psicografias para pessoas desoladas pela morte de entes queridos) e sua relação com o espírito Emmanuel (André Dias), seu mentor.
Não há como negar que o filme, de certa forma, celebra o espiritismo, mas seria impossível separar a doutrina da história do médium. De qualquer forma, a narrativa é desenvolvida em um nível de fácil entendimento, o tom do drama não é apelativo ou sobrenatural, chegando a ser abrandado com alívios cômicos em algumas partes, para, além de contar a história, também divertir a audiência: tudo foi meticulosamente ajustado para o formato família, para agradar da criança à vovó. Sem julgar o teor propositadamente comercial, o filme tem o seu valor e é no mínimo interessante como biografia e homenagem respeitosa à memória do grande ser humano que foi Chico Xavier, independente de crenças ou intenções.