domingo, 15 de novembro de 2009

2012

2012, o filme mais recente do diretor Roland Emmerich (responsável por "farofadas" como Godzilla, 10.000 A.C. e Independence Day), mostra toda a capacidade que Hollywood tem para destruir o mundo dentro de um estúdio. E também para destruir um blockbuster...
Um dos títulos mais esperados da fraca safra cinematográfica de 2009, 2012 baseou-se na história de que o calendário maia previa uma mudança geológica em nosso planeta de proporções apocalípticas e valeu-se da mesma clicheria encontrada em qualquer filme do gênero cinema-catástrofe, desde o heróico presidente americano até o ausente pai de família que busca conquistar o respeito dos filhos. E aqui vale tudo: o ônibus atingido por bolas de fogo e que segue andando, o cara com experiência de amador que pilota qualquer tipo de avião, as casualidades improváveis que acontecem a todo instante e, a pior de todas, os americanos salvado o mundo mais uma vez.
Quem vai ao cinema na expectativa de ver o mundo se desfazendo em pedacinhos (com direito ao desmoronamento do nosso Cristo Redentor, noticiado na fita por um golpe de merchandising descarado da Globo News), assiste majestosamente ao trágico espetáculo, com direito aos melhores efeitos visuais e sonoros imagináveis para nossa realidade - é realmente um show à parte. No entanto, paga com a arrastação de um filme com 2h e 36 minutos, que poderiam ter sido severamente reduzidos. Paga com historinhas pífias de testar a paciência sobre superação, heroísmo e senso de humanidade, em suas mais bregas essências.
Por mais irônico que seja, o único mérito de 2012 é exibir a própria destruição do planeta e de quase totalidade das espécies, incluindo a humana. Como filme, a história é lamentável, os atores (mesmo "feras" como John Cusack ou Danny Glover) não conseguem convencer na pele de personagens tão perfeitinhos e insuportáveis e, no fim de tudo, quando os tão sonhados créditos começam a subir, tudo o que fica é o arrependimento do espectador: sem uma lição, sem sequer um tema para refletir, sem nenhuma dúvida além de "gostei ou não gostei?" - eu não gostei e não recomendo, mas isso é só a minha resposta...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

JOGOS MORTAIS VI

Considerada a franquia cinematográfica de terror mais bem-sucedida de todos os tempos, Jogos Mortais chega em sua 6ª (e dispensável) edição. Como fã dos primeiros episódios, confesso que me fascinei com as engenhocas de tortura e com o desenrolar das investidas iniciais do serial killer Jigsaw (Tobin Bell). Já tem um bom tempo que a história se perdeu e se tornou uma maquininha caça-níqueis, sustentada por uma audiência ávida por derramamento de sangue à toa.
Por conta de uma boa reputação em sua fita de estréia e de uma rentável sequência, o olho grande dos produtores, assim como o ímpeto sangrento do serial killer, cresceu meteoricamente, transformando a série em uma triologia, que seguiu e já soma 6 filmes. Este que seria o derradeiro já não é mais: há uma promessa de Jogos Mortais VII para o ano que vem, possivelmente filmado em 3-D.
E, como bem se sabe, quanto mais se repete uma história que já não é lá grandes coisas, mais enfadonha ela se apresenta a cada iteração. Se tivesse sido dado um fim no terceiro filme, que já foi fraco, a saga terminaria bem e com méritos. Infelizmente, de lá para cá, a cada nova armadilha, a inteligência e a originalidade da franquia caem mais e mais. Sem propósito, cheio de reviravoltas e surpresas absurdas, Jogos Mortais tornou-se uma desculpa para expor bestialidade na tela. A cena inicial deste mais recente episódio é de uma violência tamanha que gera até mal estar na poltrona - e é o máximo que a fita consegue arrancar, pois, em seu restante resume-se a meras enrolações, tramas sem graça e personagens inexpressivos (sem contar a "canastrice" do elenco), lições de moral baratas e uma porção de flashbacks desinteressantes, a única forma encontrada pelos roteiristas para poder continuar mamando nessa vaca cada dia mais magrinha... Fora isso, sobram cenas de automutilação, feridas expostas, vísceras e sangue, muito sangue!

»JUKEBOX: Trilha sonora do dia: Encanteria, um dos gêmeos recém-lançados de Maria Bethânia

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOW BIZARRE - A 6ª TEMPORADA DE NIP/TUCK

Foi dada a largada para a temporada derradeira de Nip/Tuck, a série de TV mais bizarra de todos os tempos, que inicia com algumas semanas de diferença em relação às suas companheiras de fall season. Com a dedicação do produtor Ryan Murphy e de boa parte da equipe de produção à série Glee, chegou a hora da dupla de cirurgiões Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon) pendurarem suas chuteiras, ou melhor, seus bisturis.
A crise financeira mundial foi o ponto de partida para o início desta que será a temporada final, onde a clínica McNamara/Troy encontra-se em uma situação de quase falência, assim como a vida de seus proprietários. De um lado, Christian está livre de seu câncer de mama e se livrando do casamento equivocado com a Dra. Liz Cruz (Roma Maffia), que está movendo um processo de divórcio que promete assolar as economias do cirurgião. Do outro, Sean está deprimido sem seus filhos caçulas, sob a guarda da ex-mulher Julia (Joely Richardson), com sérios problemas de insônia e envolvido emocionalmente com uma nova mulher, a sinistra anestesista Teddy (Rose McGowan, mais conhecida por sua participação como uma das irmãs bruxas de Charmed). Completando o elenco principal, Matt (John Hensley) abandonou a faculdade para se tornar mímico e Kimber (Kelly Carlson) continua espreitando a família, na tentativa silenciosa de reatar o relacionamento com Christian.
Nip/Tuck sempre foi uma série instigante que soube dosar o drama médico com o humor negro e o chocante, mas que já se encontra na hora de terminar. Os personagens, de um modo geral, já fizeram tantas bobagens e mostraram evidências nulas de aprendizado, de forma que só acumulam fracassos e decepções ao longo de cada temporada. A história tornou-se um grande déjà vu, onde só se mudam as moscas, mas a sujeira continua a mesma... Torço para um final digno para a produção, que em seus episódios mais recentes já deixou pistas do clima de despedida que veremos com mais intensidade nas próximas semanas.

»MAURICIOPÉDIA: How Bizarre (quão bizarro) é o título do único sucesso da banda neozelandesa OMC, lançado internacionalmente em 1996.«

domingo, 8 de novembro de 2009

OS FANTASMAS DE SCROOGE

A Christimas Carol, obra do escritor Charles Dickens, um dos contos natalinos mais conhecidos de todos os tempos, ganha sua versão em animação 3-D pelas mãos dos Estúdios Disney, sob a condução do diretor Robert Zemeckis e recebe o título brasileiro de Os Fantasmas De Scrooge.
Na história, Ebenezer Scrooge (Jim Carey) é um velho rico, avarento e solitário, desprovido de qualquer bondade e mantenedor de um ódio sem par pelo Natal. Suas principais vítimas são o empregado Bob Cratchit (Gary Oldman) e seu sobrinho Fred (Colin Firth), os quais o velho faz questão de humilhar e desprezar gratuitamente a todo instante. Eis que em uma véspera de Natal, o avarento recebe a visita de 3 fantasmas, que lhe mostram seus Natais do passado, do presente e do futuro, levando-o a refletir sobre suas atitudes, escolhas e as devidas consequencias.
O conto, de teor bobo e fácil compreensão, ganha aqui vida em uma animação computadorizada via captura de movimentos dos atores reais, aliada à tecnologia tridimensional. Zemeckis mostra um trabalho visual ainda mais surpreendente e competente do que em seus dois filmes anteriores de mesma natureza, O Expresso Polar e A Lenda De Beowulf. As expressões dos personagens e a captura dos movimentos aparecem mais perfeitas que nos trabalhos anteriores, e mais: Zemeckis não se deixou prender pela tradição inocente da Disney e produziu um filme, até certo ponto, inadequado para crianças, com direito a cenas tétricas, diálogos moralmente pesados e clima sombrio.
Jim Carey e suas tradicionais caretas se encaixam bem nos diversos papéis que o ator representa no filme, com destaque para o próprio Scrooge, de semblante assustador. A comédia, o terror e o melodrama convivem harmoniosamente, tornando a história interessante e gostosa de ser assistida, onde não se sente o peso dos 96 minutos de duração da fita.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

TRANCADO

Com o passar do tempo, comecei a me adaptar a ter um blog, a gostar de escrever nele e a dividir com amigos e desconhecidos alguns pequenos momentos vividos, além de divulgar minhas constantes críticas e opiniões sobre o que ando assistindo e ouvindo ultimamente. Tão bacana quanto isso é poder participar de uma rede e "linkar" meu blog com outros blogs, de modo a ter a rede sempre atualizada com as novidades mais recentes de cada um. Para isso serve a sessão Visite Também que disponibilizo aos meus visitantes na barra lateral do »MAU« na foto.
Este blog é também linkado por outros, e eis que de uns tempos para cá tenho me deparado com um problema que já havia detectado em outro blog de um amigo, o qual visito esporadicamente: as minhas atualizações não são mais computadas nos blogs que apontam para cá e fica sempre um mesmo post trancado como o mais recente. Por mais de um mês fiquei com "O ELO PERDIDO NO CINEMA" como o mais recente e, após fazer uns "mexes", trocando o nome do post, re-inserindo o post mais atual, consegui que o "ALÔ, ALÔ, TEREZINHA" aparecesse atualizado no dia em que o postei. O problema é que agora ele ficou trancado também, e este já é o segundo post que escrevo depois dele e que não aparece como mais recente. E isso vai jogando a divulgação do meu blog cada vez mais para o final da lista, abaixo dos outros que se atualizam sem problemas, além de despertar cada vez menos o interesse de novos visitantes - afinal, quem quer visitar um blog aparentemente desatualizado?
Já revirei a ajuda do blogger.com e não encontro um espaço sequer para contatar o suporte através de uma mensagem de texto. Já escrevi no fórum e a única resposta que obtive foi de uma pessoa com o mesmo problema que eu e que meu amigo já mencionado anteriormente. Aqui fica o meu protesto e, caso algum leitor saiba como me ajudar, por favor...
Um bom final de semana a todos!

»JUKEBOX: A trilha sonora de hoje ficou por conta de Afterglow, álbum de 2003 da canadense Sarah McLachlan


»MAURICIOPÉDIA: O título do post foi inspirado no nome da canção Trancado, composta por Ana Carolina e presente no álbum de estréia da cantora.«

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

V

A primeira impressão é a que fica, dizem por aí... Para não deixar passar nada, encerrei minha sessão de séries de hoje para sentar frente ao computador e escrever sobre a estréia que acabei de assistir: V. O remake da série homônima dos anos 80 (1983-1984) debutou no dia de ontem na televisão americana, sem muitas novidades e tampouco originalidade.
Em meio a naves espaciais, teorias da conspiração, provas de fé e traições, a série narra a chegada de extraterrestres em nosso planeta. A princípio parecendo pacíficos, logo os Visitantes (daí o título "V") revelam-se agressivos e mostram suas verdadeiras intenções de dominar a Terra, trabalho que, a vir a se descobrir em seguida, já vinha sendo preparado secretamente há muito tempo por espiões disfarçados entre os humanos.
Os seres, com aparência idêntica à humana, assim como no original, escondem uma estrutura escamosa, como lagartos. São inteligentes, avançados tecnologicamente, bem armados e convincentes, pois iniciam a execução de seu plano pela conquista da confiança dos terráqueos, para em breve dar seu bote. A partir daí, deve se desencadear uma guerra entre humanos e extraterrestres, com direito a vitórias, baixas, traições e reviravoltas mil. O piloto apenas acendeu a chama da história, mostrando a chegada das naves, apresentando os personagens e dando as primeiras impressões do que está por vir.
No elenco, uma compilação de alguns "ex" de outras séries conhecidas nossas, como Elizabeth Mitchell (a Juliet de Lost), Joel Gretsch (o Tom Baldwin de The 4400) e Scott Wolf (já passado por Party Of Five e The Nine, entre outras).
Impressões? Eu gostei! Bastante ação, fácil compreensão da história, bons efeitos visuais - nada mais que entretenimento puro. Verdade que ainda tenho lembranças de parte da série original e posso dizer que essa diferença de 25 anos foi gratificante para renovar pelo menos visualmente a trama. Quanto ao roteiro e ao andamento da história, é preciso um tempo mais para analisar os rumos que serão tomados.
Trabalhar em um remake é algo complicado, pois é preciso oferecer um diferencial em relação ao original, e esta nova/velha série, apesar de ter levado ao ar um episódio piloto bem movimentado, não mostra sinais de que terá força para durar por muito tempo. A idéia é interessante e é válido reviver um bom momento televisivo de uma década tão querida como a de 80, mas se a insistência pelos moldes e pela linguagem da época persistir, os alienígenas dificilmente se manterão no ar por mais de uma temporada.

»JUKEBOX: A trilha sonora do post ficou por conta de Strange Little Girls, álbum de covers da cantora Tori Amos lançado em 2001.«

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA

O documentário Alô, Alô, Terezinha, estréia deste último final de semana, tem por premissa mostrar um pouco da vida daquele que é considerado um dos maiores comunicadores brasileiros de todos os tempos, Abelardo Barbosa, conhecido popularmente como Chacrinha.
Falecido em 1988, aos 72 anos, Chacrinha ficou marcado na memória nacional como apresentador de programas musicais e de calouros. Com um jeito pitoresco de se vestir, de se comunicar com as massas e de tratar seus convidados, o também chamado Velho Guerreiro deixou bordões inesquecíveis, popularizou marchinhas de carnaval, lançou calouros e fez a fama de muitos artistas, dos quais boa parte está até hoje na ativa.
Do filme roteirizado e dirigido pelo jornalista, produtor e diretor de televisão Nelson Hoineff esperava-se um apanhado que contasse a trajetória do homem, do artista e do comunicador, mas não é bem assim que o carro anda... Formado basicamente por depoimentos e entrevistas com artistas e pessoas próximas do Velho Guerreiro, Alô, Alô, Terezinha não mostra mais que uma pequena ponta da faceta do apresentador Chacrinha e passa a maior parte de seus 90 minutos brincando de "Por Onde Anda Você?" com cantores (muitos deles já esquecidos pela mídia), ex-calouros e as famosas ex-dançarinas de seus programas, as Chacretes, muitas delas em situações de vida difíceis.
Egresso da TV, o diretor teve em sua carreira programas veiculados em diversas emissoras, alguns de gosto duvidoso, nos quais a prioridade era chocar o espectador - torna-se fácil a dedução de porquê seu filme de estréia no cinema tomou o rumo que tomou...
Em termos de resgate da memória de Chacrinha, o documentário deixa muito a desejar. É interessante pela nostalgia, por algumas curiosidades mostradas e pela temática musical. Dispensável pelo teor de humor negro ao qual o diretor covardemente submete muitos de seus entrevistados: cenas constrangedoras como a filmagem de uma parede danificada na casa do cantor Wanderley Cardoso, a invasão e exposição de cultos religiosos, um duelo de leitura de versos entre ex-calouros gagos e uma ex-chacrete caidaça dançando nua com adereços de índia dentro de um chafariz público são apenas algumas das apelações que o senhor Nelson Hoineff deveria ter pensado duas vezes antes de incluir na fita.
Como nem tudo são rosas, aqui nem tudo são espinhos: há também boas oportunidades para se matar saudades de uma época, visitar artistas sumidos e se deliciar com depoimentos interessantes, como os do rei Roberto Carlos e de um desaforado Aguinaldo Timóteo descendo a lenha em João Gilberto. Mais que isso: por menos material que tenha sido mostrado, é uma boa chance para rever bons momentos daquele apresentador que por muito ainda será lembrado quando alguém buzinar um calouro, oferecer-lhe um troféu abacaxi ou mandar um "alô" para a Terezinha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CINEMA 4-D

Neste feriadão de Finados experimentei uma novidade que gostaria de compartilhar com meus leitores: assisti a uma sessão de cinema em quatro dimensões e posso afirmar que, além de emocionante, foi muito divertida para não dizer "vertiginosa"!
Para quem tem como novidade as salas 3-D, que pouco a pouco têm crescido em número pelos cinemas, não imagina quão bacana é incrementar essa experiência com mais uma dimensão - a sensorial. Na animação exibida, A Ilha Perdida, um explorador cai por acidente em uma ilha misteriosa, cheia de perigos e animais assustadores. A história é carente de conteúdo, mas aqui é o que menos importa, pois trata-se de uma sequência com o propósito de dar ao espectador uma pista do que o cinema 4-D pode oferecer.
Além da melhoria visual em relação às projeções 3-D, proporcionada por uma tela côncava de 180°, outras sensações também são estimuladas no 4-D, com o lançamento de pequenos jatos de água na platéia, bufadas de vento, cócegas nas pernas, cadeiras que tremem e que despencam sem sair do lugar. Os sustos seguidos de risadas são inevitáveis!
Recomendo e deixo como dica para quem for visitar a serra gaúcha, principalmente para quem é vidrado em cinema, animações e gosta de estar sempre por dentro do que há de mais bacana em termos de novidades tecnológicas. Fui esperando coisas que não aconteceram, como o estímulo olfativo e um trabalho mais elaborado com o áudio, mas ao mesmo tempo me admirei com outros aparatos que não imaginava que fossem me pregar tantas surpresas e sustos. Posso vislumbrar que essa amostra que tive é apenas o começo de um filão que pode ser muito bem explorado e render experiências incríveis para o futuro.

»JUKEBOX: Este post teve como trilha sonora Black Gives Way To Blue, o recém-lançado álbum de retorno da banda Alice In Chains


»MAURICIOPÉDIA: O cinema 4-D localiza-se no Alpen Park, na cidade de Canela/RS. O ingresso para a sessão, que dura aproximadamente 20 minutos, custa R$ 15,00.«