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terça-feira, 1 de novembro de 2011

CINEMA: O PALHAÇO

Em seu segundo longa-metragem como diretor, Selton Mello se redime da estranheza de sua estreia com Feliz Natal (Brasil, 2008) e brinda o público com o genial O Palhaço (Brasil, 2011).
Selton vive o palhaço Pangaré, filho do dono do circo, o também palhaço Puro-Sangue (Paulo José, em uma atuação majestosa). Por trás da maquiagem do divertido Pangaré, há Benjamim, um homem quieto que carrega nos ombros uma tristeza ímpar e uma inquietude sobre seu verdadeiro lugar no mundo. Esta jornada de descoberta pelo interior do Brasil conduz o roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Marcelo Vindicato.
Embora não seja explicitada na fita, a trama se ambienta no início da década de 80, proporcionando um clima nostálgico e cheio de memorabília para os que viveram aqueles tempos. O circo mambembe com o qual os personagens viajam é tão pobre quantos as cidades que visita, o que enriquece ainda mais a história - a simplicidade do povo, a piada ingênua, os personagens pitorescos, a alegria na tristeza e a tristeza na alegria compõem um mundo circense de magia, palmas e risos pagos com suor, sangue e lágrimas, em uma inspiração que se dá ao direito de beber na fonte de mestres do cinema, como Charlie Chaplin e Federico Fellini. Triste e divertido ao mesmo tempo, é um dos melhores lançamentos recentes do nosso cinema.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CINEMA: UM CONTO CHINÊS

Falar mal de argentino é quase tão típico de brasileiro quanto fazer piadas de português. Seja lá qual for o motivo, excetuando-se a rivalidade no futebol - a qual pouco me lixo - vejo que temos muito mais motivos para prestigiar os "hermanos" do que para avacalhá-los. Um deles é o seu cinema, cada vez mais interessante. Não que não tenhamos aqui no Brasil produções de qualidade excepcional e grandes sucessos de bilheteria, mas nos últimos anos muito tem-se falado (e geralmente bem) de produções advindas do país aqui do lado. Na onda de bons filmes portenhos vem Um Conto Chinês (Un Cuento Chino, 2011), que já está há algumas semanas em cartaz e tem sido sucesso de público e de crítica na base do boca-a-boca.
Fato que parte deste sucesso se deve à presença no elenco de Ricardo Darín (de O Segredo Dos Seus Olhos e O Filho Da Noiva, entre outros), possivelmente o ator mais importante do país na atualidade. Darín vive o protagonista Roberto, um solitário, solteirão e muito mal-humorado dono de ferragem de bairro que um dia socorre o recém-chegado chinês Jun (Ignacio Huang) de um ataque de ladrões. Sem nenhuma ideia de o que fazer, Roberto abriga o imigrante em sua casa, estabelecendo ali o fio condutor deste belo conto.
O mau humor do protagonista, as atrapalhadas do chinês e as situações difíceis de comunicação entre os dois são responsáveis por algumas das risadas da plateia, mas o filme vai muito além da comédia: as relações humanas, o surgimento da amizade, a dificuldade de adaptação ao novo e a instabilidade emocional do indivíduo são temas sutilmente pincelados que injetam vida à trama e fazem dela uma excelente lição de convívio, sem vocação alguma para o dramalhão. Tecnicamente o filme é simples, mas muito competente - nota-se que o esmero da produção está focado no desenrolar da história e de seus personagens pitorescos, que incluem ainda a prestativa pretendente de Roberto, Mari (Muriel Santa Ana). Dirigido por Sebastián Borensztein, egresso da TV, este conto chinês diverte, emociona e envolve, trata de forma carinhosa do choque cultural entre ocidente e oriente sem jamais cair no mau gosto ou no campo dos estereótipos para arrancar risadas fáceis do público, brinca com o surreal sem exagerar na dose (incluindo uma vaca que cai do céu), embora traga um pouco de instabilidade à narrativa, mas sem comprometer o resultado e é disparado uma das melhores opções em cartaz do momento.

sábado, 26 de junho de 2010

CINEMA: PLANO B

Mulher solteira engravida por inseminação artificial e encontra no mesmo dia o homem de seus sonhos. Somente pela premissa, Plano B (The Back-up Plan, 2010) não precisaria existir, pois não passaria de mais uma comediazinha romântica morna para entupir prateleira de locadora, com direito a beijinhos, clímax, lágrimas e final feliz. O que salva a fita dirigida por Alan Poul (estreante na telona e egresso da TV - tem no currículo a direção de séries como A Sete Palmos e Roma) e foge um pouco do convencional é o tom cômico e até meio estúpido empregado nesta comédia estrelada pela atriz e cantora Jennifer Lopez, em seu retorno ao show business após uma pausa para a gravidez real de seus filhos gêmeos.
A história de Zoe (Lopez) é exatamente a mencionada na premissa: o roteiro não se prende muito a rodeios e prefere partir para o desenrolar do enlace romântico entre ela e seu pretendente Stan (Alex O'Loughlin, astro de duas séries de TV recentes que não vingaram - Moonlight e Three Rivers). A trama se concentra basicamente nos dois protagonistas e no dilema de Stan assumir uma paternidade que não é sua em prol da mulher amada. Os personagens secundários têm pouca relevância e mal servem de apoio para alguns momentos, assumindo papéis quase de figurantes.
O melhor de Plano B é o riso, provocado por cenas que mostram um lado da gravidez menos bonito do que estamos acostumados a ver na ficção, mesmo que para isso os personagens tenham que se valer, sem muito exagero, de algumas pitadas de grotesquice e escatologia - o diretor achou o tom certo para tirar graça desses artifícios já saturados sem soar nojento. Vale destacar as cenas em que aparece Nuts, o adorável cachorrinho deficiente de Zoe, que sempre rouba as atenções para si.
É claro que Plano B reza pela cartilha da comédia romântica, mas isso não chega a ser prejudicial para o resultado final. Jennifer Lopez, embora não possua grandes atributos como atriz, está em plena forma, linda e engraçada, fazendo uma Zoe carismática, pela qual é impossível não torcer por um final feliz ao lado de Stan. A química com O'Loughlin funciona bem e salva o filme enquanto romance, embora ainda seja muito mais interessante como comédia.

domingo, 20 de junho de 2010

O FINAL DA 2ª TEMPORADA DE UNITED STATES OF TARA

Tara Gregson (Toni Collette) e suas personalidades múltiplas já estão garantidas em um terceiro ano televisivo para 2011. Até lá, uma espera um tanto longa após o término desta 2ª temporada de United States Of Tara.
Embora curta, com meros 12 episódis de meia hora cada, a série é no mínimo intensa. Povoada de personagens conturbados e instáveis, recebeu um desfecho merecido até o momento em que se situa a trama. Após uma descoberta bombástica sobre sua infância, Tara agora encontra-se mais perto de obter uma explicação para suas manifestações psicóticas, que se apresentam em forma de adolescente, dona de casa, veterano de guerra, e, mais recentemente, de psicóloga e de criança.
Ao seu redor tudo parece desabar, desde o relacionamento com o marido Max (John Corbett) até as centenas de problemas trazidos por seus filhos e por sua problemática irmã Charmaine (Rosemarie DeWitt). Ainda assim, Tara representa a mulher forte e resistente aos contratempos, reagindo de maneiras surpreendentes a cada queda. A (mais uma vez) excelente atuação de Toni Collete garante vida e carisma à personagem e as suas múltiplas variações, balanceando a série entre o pesado e o cômico. Com um final conturbado, no mesmo tom de sempre, seguido de um alívio doce e quase digno de habitar um conto de fadas, a 2ª temporada terminou de maneira excepcional, deixando um gostinho de "quero mais" que vai durar até o ano que vem.

domingo, 13 de junho de 2010

O SUCESSO DE GLEE

No início de setembro passado Glee estreava na TV americana como uma aposta alta e ousada da rede Fox e do produtor de séries Ryan Murphy, responsável também pela recém findada Nip/Tuck. Lembro que na ocasião dediquei um post a meditações sobre as possibilidades de sucesso e fracasso da série, lançando a pergunta "Glee: será que vai pegar?". Justamente 9 meses depois, uma gestação, só há uma resposta a ser dada: "Pegou!".
Fenômeno de sucesso nos EUA, a série já expandiu sua fama mundo afora e cativou adolescentes e adultos com a dramédia musical que tem como pano de fundo um clube de cantoria em uma escola de ensino médio no interior do estado de Ohio. Formado por alunos excluídos e impopulares, o clube enfrenta dificuldades e preconceitos, assim como seus membros, que veem na música um meio de se integrarem e de fazerem novas amizades, se apaixonarem, se aceitarem e se encontrarem no mundo.
O sucesso televisivo foi tamanho que, inicialmente prevista para ter 13 episódios, a história ganhou outros 9, retornando de um hiato que durou de dezembro a abril e fechando na última terça-feira, 8 de junho, pouco depois do final oficial da fall season. A produção se saiu muito bem no mercado fonográfico também: neste curto período de 9 meses foram lançados nada menos que 5 álbuns com as músicas apresentadas na TV, sendo que dois deles foram EP's específicos de episódios e, dos outros 3, um saiu em versão normal e em versão deluxe, com direito a faixas adicionais. As vendas foram boas e tanto os álbuns quanto os singles atingiram posições respeitosas nas paradas da Billboard - um feito grandioso para um repertório exclusivo de covers variadas em estilos, artistas e épocas.
Finalizada com o episódio Journey, fazendo alusão à banda de mesmo nome e também ao termo "jornada", a primeira temporada encerrou deixando saudades e levando consigo um desafio para o setembro próximo de manter o padrão de qualidade e o sucesso obtidos até aqui. Com renovação garantida por pelo menos mais dois anos, a equipe de produção, que já teve até a permissão de Madonna para fazer um episódio só com suas canções (veiculado lá fora em 20/04 e entitulado The Power Of Madonna), tem um universo musical inteiro para explorar e para adaptar ao canto dos competentes atores cantantes do elenco. Que as imitações mantenham-se longe e que, mesmo com toda a inocência jovial e instável que rege a atmosfera da trama, possamos nos deleitar por bastante tempo ainda com os "losers" cantores, suas desventuras e até mesmo com seus divertidos vilões.
(No Brasil já está disponível para venda o box em DVD com os primeiros 13 episódios e somente os volumes 1 e 2 em CD. A estreia da segunda parte da temporada na TV a cabo é prevista para o mês de julho).

terça-feira, 8 de junho de 2010

CINEMA: O GOLPISTA DO ANO

Na revista Piauí de uns 2 meses atrás saiu uma pequena nota a respeito de traduções de títulos de filmes para o português, justificando que muitas vezes o título original não significa nada quando traduzido e também deixando claro que muitas vezes o título pode ser totalmente modificado (ou receber subtítulos) em prol do apelo comercial. Tudo muito compreensível, uma vez que nossos filmes também recebem títulos estapafúrdios quando vão para o exterior. Ainda assim, fica difícil entender (e chega a ser engraçado) como I Love You Phillip Morris foi se transformar em O Golpista Do Ano.
Fechando parênteses, vamos ao filme em si. Protagonizado por Jim Carrey e Ewan McGregor, a intenção é contar a história de Steven Russell (Carrey), um homem que, em certo ponto de sua vida, assume a homossexualidade e parte para uma vida de luxo e consumo, onde a saída para seu sustento se torna a prática de pequenos golpes, o que o leva à cadeia, onde lá conhece o tal Phillip Morris do título (McGregor), e por ele se apaixona. A partir desse ponto, a vida torna-se ainda mais cheia de confusões para o sujeito, onde a quantidade e a gravidade de seus golpes aumentam gradativamente, assim como suas mentiras e suas novas idas, vindas e fugas da cadeia.
O filme é ruim de modo geral: embora com uma premissa diferente, o que há de bom a ser mostrado são os golpes e os detalhes com que são aplicados - talvez daí se possa tirar algum sorriso. No mais, Jim Carrey está afetado e careteiro em demasia e não consegue mais uma vez fugir de seu estigma característico de O Máskara. Ewan McGregor tem pouca projeção na fita e não faz nada mais do que bancar o(a) mocinho(a) sofrido(a). Ah, tem também o Rodrigo Santoro no elenco - mais uma vez o brasileiro é escalado para aparecer durante míseros 5 minutos e ainda teve que sofrer com um super emagrecimento para parecer um doente terminal por uma única e curta cena. Pelo menos deram falas para ele...
O que fica é uma mensagem confusa. A questão homossexualidade X caráter acaba pesando na história e cutuca em certas feridas da sociedade - o que se vê de Steven Russell é só uma reviravolta para pior após sua "saída do armário", mostrando somente o lado negro de sua personalidade. Apesar da trama se apresentar uns anos no passado, o fator preconceito é pouco explorado, até porque o próprio filme já se encarrega disso, com uma concepção caricata dos personagens e da incursão de situações que só incentivam a chacota. Se o filme era uma bandeira a ser levantada, tornou-se um desserviço. Se era uma crítica, tornou-se uma apelação.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CINEMA: SEX AND THE CITY 2

As meninas, desde que o mundo é mundo, costumam sonhar com princesas, castelos, cavaleiros e outros elementos retirados dos contos de fadas. Por séculos, ao crescer elas descobriam que a maioria desses finais felizes só existia mesmo nos contos: que o príncipe tinha mau hálito, que a princesa engordava, que às vezes era preferível beijar o sapo, e assim por diante. Muito tempo depois, as mulheres de nosso tempo descobriram que há um novo conto de fadas para elas sonharem: a Nova York de Sex And The City, habitada por Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) e suas amigas. O conto pode nem sempre acabar com o "felizes para sempre", mas é repleto de moda, glamour, independência e, como o próprio título sugere, sexo. Mais que uma resposta ao mundo masculino, a série, que perdurou por 6 anos, foi o grito máximo de independência da mulher moderna no universo pop e até hoje serve como referência.
Para contentar os fãs com saudades da série (e, de quebra, fazer uma caixinha), a ideia foi transferí-la para a telona do cinema. O filme de 2008 foi um tremendo sucesso e agora ganha sua sequência com Sex And The City 2 (EUA, 2010). Com o enredo deixado em segundo plano, o filme é uma mera desculpa para relembrar os personagens e para apresentar mais um desfile de vestidos, penteados, lugares glamourosos e situações, em sua maioria, divertidas.
Esta sequência foge mais da realidade da série e se concentra na viagem de Carrie, Charlotte (Kristin Davis), Miranda (Cynthia Nixon) e Samantha (Kim Cattrall) a Abu Dabhi, um dos Emirados Árabes. Desta vez Samantha está às voltas com uma terapia de hormônios para manter-se jovem, Charlotte com dificuldades em criar suas duas filhas pequenas, Miranda em firmar-se profissionalmente, e, Carrie, como sempre, envolvida com suas habituais crises emocionais com Mr. Big (Chris Noth) e, para dar uma apimentada no conflito, ressurge Aidan (John Corbett), um amor do passado.
História há muito pouca - todo aquele envolvimento presente na série e no primeiro filme dão lugar ao visual, às paisagens e aos figurinos. Mais cômica do que dramática, a fita é quase que dedicada exclusivamente ao público feminino, exibindo homens semi-nus, uma centena de roupas que vão do inovador ao esquisito, um festival de cabelos e maquiagens que mudam a cada cena, além das boas e velhas confusões em que se envolvem o quarteto de amigas. De duração longa (146 minutos), o filme não pesa no relógio, entretém e faz rir bastante. É válido pela nostalgia da série em si, como trama deixa um pouco a desejar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A 2ª TEMPORADA DE UNITED STATES OF TARA

Personalidades múltiplas: esta parece ser a única aflição na vida de Tara Gregson (Toni Collette) e de sua família. Com tal premissa, United States Of Tara fez uma bela temporada de apresentação em 2009 e agora está em exibição de seu segundo ano nos EUA. Com o humor negro como aliado, as desventuras dessa dona de casa cheia de alter egos chocam e divertem ao mesmo tempo, sem poupar críticas à sociedade e à estrutura familiar dos dias de hoje.
Veiculada no canal Showtime, um canal adulto que exibe suas séries somente após um determinado horário da noite, Tara tem boas doses de sexo, palavrões e situações polêmicas, o que auxilia no desenvolvimento de seus personagens. Tara parece ser a problemática da casa, mas outras impressões surgem quanto entram em cena seu marido dedicado e de pavio curto Max (John Corbett, de Casamento Grego e da série Sex And The City), sua tresloucada irmã Charmaine (Rosemarie DeWitt) e seu casal de filhos adolescentes, formado pela indecisa e malvada Kate (Brie Larson) e pelo sexualmente confuso Marshall (Keir Gilchrist).
Se no primeiro ano Tara já sofria ao lidar com o veterano de guerra Buck, a vadia adolescente T., a dona de casa à moda antiga Alice e o selvagem Gimmy, agora a psicóloga riponga Sooshanna surge para dividir o espaço na mente da protagonista e, pior, para tratar a ela mesma do distúrbio - parece confuso, mas acaba sendo muito engraçado. Com a família cada vez mais em pandarecos (Max emocionalmente descontrolado, Charmaine noiva e grávida de outro homem, Kate encarnando uma princesa dos quadrinhos para ganhar dinheiro fácil e Max se descobrindo sexualmente com meninas e meninos), os alters de Tara fluem automaticamente a cada episódio, a cada conflito ou a cada hostilidade, o que, numa família como esta, não é nada difícil de acontecer. Resta acompanhar essa teia de confusões e torcer pela sanidade da nossa heroína e pela permanência desta divertida série no ar por mais um ano.

domingo, 16 de maio de 2010

CINEMA: TUDO PODE DAR CERTO

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009), o mais recente filme de Woody Allen (responsável aqui pelo roteiro e pela direção), traz o comediante Larry David no papel de Boris, um velho solitário e ranzinza. Boris se julga uma mente privilegiada e, com uma carga colossal de mau humor e intolerância, ele é desprovido de qualquer pudor ou trava na língua quando o negócio é criticar ou ofender diretamente as pessoas, sejam adultos ou crianças - sua estupidez é tão ácida que chega a ser engraçada em diversas passagens. O que Boris não contava era com a chegada de Melody (Evan Rachel Wood) em sua vida.
Melody, por sua vez, é uma pós-adolescente simplória e de miolo mole. Fugida das garras da mãe dominadora (Marietta, vivida por Patricia Clarkson, presença constante nos filmes de Allen), a moça vem do interior para se aventurar na cidade grande e é justamente aí que seu caminho se cruza com o de Boris. A química que surge entre os dois, mesmo que inusitada, causa diálogos divertidíssimos, irônicos e com um quê de inteligência, outra marca característica da carreira do diretor. Contar o segmento da história seria estragar a surpresa para quem ainda não assistiu, mas pode-se dizer que são consideráveis as mudanças dadas na trama.
Longe de ser um dos melhores filmes de Allen, mesmo dentre os mais recentes, Tudo Pode Dar Certo é mediano e se salva pelo fator cômico da trama. Embora o diretor cultive um teor cômico bobo, às vezes cedendo espaço ao pastelão e ao absurdo, muito de seu trabalho se deve à repetição de fórmula, algo que tem dado certo até hoje. Nas poucas escapadas do formato, o diretor se saiu bem, mas é no chão da comédia que ele parece ainda mais à vontade. E, aqui, apesar da simplicidade da fita, pode-se considerar bem contada sua visão sobre mudanças de atitudes e suas devidas consequências.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

COMÉDIAS: CADÊ OS MORGAN? / CAÇADOR DE RECOMPENSAS

Para o dia de hoje, duas dicas de comédias que foram conferidas recentemente. Embora diferentes, são visivelmente notáveis, mesmo pela descrição, as semelhanças entre as duas fitas - desde o enredo até a estrutra da história. Tendência ou repetição, os dois títulos abaixo são recomendados para garantir boas gargalhadas - e ainda estão em cartaz, basta correr até o cinema e aproveitar!



Comediazinha romântica básica, Cadê Os Morgan? (Did You Hear About the Morgans?, 2009) junta dois pesos-pesados do gênero: Sarah Jessica Parker e Hugh Grant. Na trama, o casal novaiorquino Meryl (Parker) e Paul (Grant) vivem um momento de crise no casamento, e, eis que em uma noite, testemunham um assassinato e, por conta disso, são obrigados a integrar um programa de proteção às testemunhas que os leva para viver no interior do estado americano do Wyoming, na companhia de um xerife casca-grossa e sua esposa linha-dura. A partir daí não é difícil adivinhar o que se segue: trapalhadas rurais, mistérios policiais envolvendo o crime que o casal testemunhou e todo aquele redescobrimento do romance dos dois. O diretor Marc Lawrence (Miss Simpatia 1 e 2, Letra E Música), já experiente no gênero, é quem comanda a festa.



Mais divertido, mais frenético e menos refinado, Caçador De Recompensas (The Bounty Hunter, 2010) traz o galã da vez Gerard Butler (300, O Fantasma Da Ópera) na companhia da sempre queridinha da América Jennifer Aniston (Amigas Com Dinheiro, Marley E Eu). Butler vive um ex-policial que ganha a vida caçando foragidos de julgamentos e vê a sorte grande no dia que recebe como missão capturar sua ex-mulher, vivida por Aniston. A trama central ainda envolve uma investigação jornalística sobre um suposto suicídio, que traz à história bastante ação, correrias e tiroteios. Esta comédia romântica pseudo-policial, dirigida por Andy Tennant (o mesmo de Hitch - Conselheiro Amoroso) é uma boa pedida com bastante ação para rir e se divertir.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CINEMA: É PROIBIDO FUMAR

Em É Proibido Fumar (Brasil, 2009), Glória Pires vive Baby, uma professora de violão, mulher comum e fumante compulsiva. Baby leva uma vida meio vazia, afogada em meio a quinquilharias e móveis velhos do apartamento onde mora, herança de sua falecida mãe. Ela se apaixona fácil, e não foi diferente com o novo inquilino do apartamento ao lado, o misterioso Max (Paulo Miklos). Max é músico e professor - cheio de gírias e de um estilo meio bicho-grilo. Não leva muito até que ele e Baby se envolvam em um romance cheios de altos e baixos, com direito a reaparecimentos de ex-namoradas, desconfianças e ciúmes por parte de Baby e um incidente que virá a dar uma guinada diferente na história.
A diretora Anna Muylaert, a mesma do maluco Durval Discos e também escritora do excelente O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias, dosa bem a história e ao mesmo tempo faz uma brincadeira e uma homenagem à classe média baixa, maioria dominante de grandes cidades brasileiras como São Paulo, onde o filme é ambientado. Basta uma mínima atenção para detectar sinais de breguice, de saudosismo e de simplicidade nos personagens e em seus habitats - as caracterizações e os diálogos estão ótimos: sem finésse, sem artificialidades e sem rodeios, típicos do brasileiro comum e alheios à tendência dos filmes com cara de novela, comumente produzidos no país. Ao contrário do que possa parecer, não há um discurso anti-tabagista, muito em evidência nos dias atuais - muito pelo contrário: o cigarro é um personagem com papel definitivo na história.
É Proibido Fumar é um filme direto e divertido, que não se leva muito a sério e está ali para mostrar o comum, para contar pequenas histórias, muitas delas velhas conhecidas do nosso cotidiano. O filme consegue tirar graça da rotina de forma inteligente e prova que em tudo pode haver relevância ou beleza, desde que haja uma boa história por trás para ser contada.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

(500) DIAS COM ELA

Uma coisa boa no cinema, assim como na vida, são as surpresas: quanto menos se espera algo bom de alguma coisa, maiores são as chances de uma surpresa positiva. (500) Dias Com Ela ((500) Days Of Summer, 2009) definitivamente se encaixa nesta categoria.
Me explico: fui ao cinema com expectativa mínima, esperando ver um filmezinho meloso sobre um cara e uma garota que se conhecem, ficam juntos por 500 dias e ele resolve relembrar todos os momentos pelos quais passaram - de uma forma resumida, esta é realmente a sinopse. Enfim, motivado pelo convite de colegas do trabalho e pelo generoso preço do ingresso a R$ 4,00 em pleno sábado (leia o rodapé do post), fui conferir e posso dizer que saí bem satisfeito.
A história se revelou divertida, irônica e engraçada, sem baixar o nível ou cair no besteirol - um humor quase adolescente e inteligente. Joseph Gordon-Levitt, egresso das séries de TV dos anos 90 é Tom Hansen, um escritor de cartões (como esses de Natal ou aniversário) que acredita no amor e é afixionado pela idéia de que existe uma única pessoa perfeita para ele - e então ele conhece a irreverente Summer Finn (Zooey Deschanel, carismática, bonita na medida e perfeita no papel, com expressões e trejeitos que dão brilho extra à personagem), totalmente seu oposto, que vira seu mundo e suas emoções de pernas pro ar.
O formato flashback funciona bem e não atrapalha o andamento da história, distingue nitidamente as emoções através dos dias bons (com sol) e dos ruins (com nuvens). A narração é imparcial e divide o espectador, uma hora fazendo-o execrar a indiferença e o descaso de Summer, outra hora fazendo-o se irritar com a persistência e as tolas ilusões do confuso Tom.
O diretor de clipes Marc Webb, quem tem Green Day e 3 Doors Down em seu currículo, aproveitou bem a simples premissa e transformou-a em um filme dinâmico e bem divertido. Trata-se de uma comédia romântica com muito mais ênfase na comédia, regada a pitadas de sofrimentos e descobertas pessoais. Eu recomendo!

»JUKEBOX: A trilha sonora do post foi Hard Candy, da Madonna, lançado no ano passado - um dos álbuns mais fraquinhos da carreira da loira.«


»MAURICIOPÉDIA: No Cinemark Bourbon Ipiranga (Porto Alegre) e no Cinemark Canoas (Canoas) rola uma promoção de ingressos a R$ 4,00 - toda semana um filme é escolhido para dar o desconto e, da sexta até a quinta da semana seguinte há uma sessão do filme às 15h00 (sempre e somente esta sessão), custando a bagatela já mencionada. Quem tem carteirinha de estudante paga R$ 2,00.«