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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CINEMA: AMANHECER - PARTE I

A exemplo do capítulo final da franquia Harry Potter, que produtores e fãs fervorosos juram de pés juntos que não havia como retratar em um único filme, a entitulada Saga Crepúsculo achou por bem (sobretudo de suas finanças) dividir o último livro também em duas partes. Amanhecer - Parte I (Breaking Dawn - Part I, EUA, 2011) poderia perfeitamente se chamar Aborrecer - Parte I, a julgar pela chatice que ocupa 90% da fita e promete mais uma dose cavalar de abobrinhas para a pretensiosa segunda parte que estreará somente em 2012.

Para um fechamento de franquia, a produção deixou muito a desejar: faltou emoção no tão esperado casamento entre Bella (a coelha Kristen Stewart) e o vampiro Edward (Robert Pattinson), a tão badalada passagem do casal em lua-de-mel pelo Rio de Janeiro foi um mero arremedo e se resumiu ao confinamento em uma ilha que poderia ser em qualquer lugar do planeta e, por fim, além de prometer uma guerra mal formada entre lobos e vampiros, na hora "H" tudo esmoreceu e durou pouco mais de dois minutos, resolvendo-se da maneira mais imbecil possível. O desenlace do triângulo amoroso entre a mortal, o vampiro e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner, que, apesar de meio canastra, sempre se sobressai nas interpretações dos filmes da franquia), que seria outra promessa da história, foi também pífio e mal aconteceu.

A única salvação desta primeira parte é a chegada do bebê de Bella e Edward. Não era nenhum segredo que isso aconteceria, pois o próprio trailer denunciava a gravidez, que, por sinal, acabou por se tornar um show de horrores, com direito a copos de refresco com sangue para Bella beber e cenas bizarras de parto. No mais, é o mesmo feijão com arroz que se viu nos três filmes anteriores: um discurso pudico e assexuado, vampiros bundões maquiados com pomada Minâncora, donzelas insossas, meninos-lobos rebeldes sem causa e diálogos toscos que se levam a sério. Não era de se esperar nada melhor de uma autora como Stephenie Meyer, seguidora de doutrinas religiosas que pregam virgindade e outras virtudes politicamente corretas, que pensa ser possível alterar toda uma mitologia macabra e sexual como a vampiresca sem soar, no mínimo, incoerente. O triste é saber que muita gente morde essa isca... Assim, em certos momentos não se pode culpar só o filme: a narrativa extraída do livro prefere solucionar tudo do modo mais fácil e bonitinho, sem maiores dramas ou qualquer vislumbre de inteligência.

O que se tem como produto final é um filme ruim, tampouco bom tecnicamente ou dramaturgicamente falando, mas que vai forrar o bolso de muita gente envolvida e vai continuar perpetuando uma cultura comercial mastigada e de fácil (porém amarga) digestão. Apesar das críticas negativas à franquia, as multidões peregrinam cada vez mais aos cinemas em cada lançamento - a maioria cinéfilos de ocasião - e ainda saem satisfeitas querendo mais. Não dá para negar que o filme contém todos os elementos pop chamativos para as grandes plateias da atualidade e usa isso ao seu favor: personagens jovens e bonitos, romance, lutas, tensão e piadinhas que, embora cretinas e muitas vezes constrangedoras e descabidas, ainda causam muitas gargalhadas nos espectadores.

Depois de ter assistido esta primeira parte, me pergunto se será realmente necessária a quebra em dois filmes, visto que quase todos os fatos importantes da trama foram resolvidos agora, restando aparentemente, somente o confronto final com o Clã Volturi - ao meu ver, um gancho fraco ao qual nenhum dos filmes anteriores deu muita importância. Mas isso é outra história para daqui a mais ou menos um ano!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CINEMA: MEDIANERAS - BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR DIGITAL

Solidão e desconforto nas grandes cidades são efeitos. Construções, tecnologia e Internet são causas. Assim se forma o cenário para Medianeras - Buenos Aires Na Era Do Amor Digital (Medianeras, Argentina, 2011), um romance/drama ambientado na capital portenha, fato que se torna conhecido com o subtítulo bobo, comercial e desnecessário que também aparece na tradução para o inglês.
Javier Drolas é Martín, um webdesigner que sofre de síndrome do pânico, por isso vive enclausurado em seu apartamento minúsculo, sua comunicação com o mundo real é praticamente pela Internet e suas únicas visitas são praticamente os motoqueiros de telentrega. Pilar López de Ayala é Mariana, uma arquiteta frustrada que ganha a vida como vitrinista e vem de um casamento fracassado que lhe custou 4 anos e a deixou sem chão. Os dois são vizinhos e moradores da famosa Avenida Santa Fé, possuem destinos que apontam em uma mesma direção, mas ainda assim nunca se cruzaram.
Através de narrações em off dos próprios personagens e com passagens de tempo marcadas por estações do ano, a história dos dois jovens é contada em paralelo, com bom humor, ironia e uma pitada de reflexão que remete às nossas próprias realidades quando o assunto é o afastamento cada vez maior que temos do convívio das pessoas por conta do ritmo frenético e das mudanças de comportamento do mundo moderno. A frase de Martín "A Internet me aproximou do mundo, mas me afastou da vida" representa bem algumas das mensagens deixadas pelo filme, que foi escrito e dirigido por Gustavo Taretto, estreante em longas metragens.
Há muitas referências, sugestões e mensagens subliminares que contribuem para o enriquecimento da narrativa - logo no início da fita, o suícidio de um cachorro e a imagem de um menino andando para a frente e para trás de triciclo em uma sacada minúscula deixam pistas de onde a história quer chegar. A referência ao livro Onde Está Wally? é outra grande e importante sacada. O diretor soube aproveitar bem a capital argentina para mostrar tanto o belo quanto o feio que ela pode oferecer, sem exaltações ou critícas específicas - Buenos Aires representa todas as grandes metrópoles do planeta, que sofrem dos mesmos problemas em diferentes proporções, sem ser diretamente o alvo das críticas proferidas.
Medianeras é um bom filme, com o mérito de ter uma história interessante para contar, de saber contá-la com o bom uso de símbolos e representações que são facilmente captadas pelo espectador e de ainda usar essa história mais como meio do que como fim para expor um ponto de vista, deixando ainda uma pulguinha de dúvida atrás da orelha sobre para onde estamos levando nosso planeta e como está nosso estilo de vida. Ah, o que são as medianeras do título? É melhor assistir para obter a explicação, pois contar aqui seria estragar parte do desfecho do filme, embora ele seja bem previsível.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CINEMA: ECLIPSE

Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse, 2010), terceira parte da quadrilogia escrita por Stephenie Meyer, era um dos títulos cinematográficos mais aguardados para este ano, senão o principal. Em torno da história do romance entre a mortal Bella Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) formou-se um universo de produtos e histórias derivadas, arrebanhando milhões de fãs ao redor do globo terrestre. O público jovem, principalmente o adolescente, é o alvo principal da trama, que tem visual, som e enredo feitos sob medida para conquistar a molecada, sobretudo as meninas.
A constatação sobre Eclipse é subjetiva - para quem gosta, deve ser ótimo; para quem não gosta, é mais do mesmo. Apesar de todo o frisson gerado em torno do lançamento da fita, com promessas de menos inocência, mais ação e mais terror, na essência acaba sendo igual aos seus antecessores Crepúsculo (Twilight, 2008) e Lua Nova (New Moon, 2009): um romance juvenil, com direito a triângulos amorosos, promessas eternas, a chance de fazer o absurdo tornar-se real em nome desse amor e toda a sorte de malfeitores que querem acabar com a união. O que destaca a franquia desde seu primeiro volume é o emprego do caráter sobrenatural, envolvendo vampiros e lobisomens.
A presença do diretor David Slade (de Menina-má.com e 30 Dias De Noite) na condução do projeto garantiu um pouco mais de realismo às criaturas e às cenas de ação, mas é difícil realizar um trabalho mais intenso do que isso com o material em mãos. Além de ser muito mais um romance do que um thriller de horror, a autora dos livros aplicou à história doutrinas e valores tradicionais, como a defesa à virgindade e aos bons costumes, algo meio contraditório para um vampiro. É patética a cena em que Bella tenta fazer sexo com Edward e ele lhe responde que prefere respeitá-la até o casamento, pois ele é de um outro tempo e tem outros costumes... Vá saber!
As cenas com pitadas de terror são o que há de melhor no filme. Os atores melhoraram a performance, a maquiagem outrora estilo minâncora está bem melhor e a produção é impecável, cheia de locações bonitas e boa fotografia. A trilha sonora rock 'n' roll moderna é bacaninha também. O que falta à trama é movimento, ação: durante suas pouco mais de duas horas vai-se preparando uma guerra entre vampiros recém-nascidos contra o clã dos Cullen e a alcateia de lobisomens liderada por Jacob Black (Taylor Lautner), o rival de Edward na disputa por Bella. Tudo aponta para uma batalha apoteótica, mas na hora "H" é decepcionante, rapidamente resolvida e com muito pouco sangue. O mesmo acontece na luta final entre Edward e a vampira Victoria (Bryce Dallas Howard). Há provocação mas não há finalização.
Acima de qualquer impressão, Eclipse já está sendo um grande sucesso, quebrando diversos records, arrastando os fãs para o cinema e enchendo mais ainda o bolso dos produtores, mas opinião é opinião e cada um tem a sua.

sábado, 26 de junho de 2010

CINEMA: PLANO B

Mulher solteira engravida por inseminação artificial e encontra no mesmo dia o homem de seus sonhos. Somente pela premissa, Plano B (The Back-up Plan, 2010) não precisaria existir, pois não passaria de mais uma comediazinha romântica morna para entupir prateleira de locadora, com direito a beijinhos, clímax, lágrimas e final feliz. O que salva a fita dirigida por Alan Poul (estreante na telona e egresso da TV - tem no currículo a direção de séries como A Sete Palmos e Roma) e foge um pouco do convencional é o tom cômico e até meio estúpido empregado nesta comédia estrelada pela atriz e cantora Jennifer Lopez, em seu retorno ao show business após uma pausa para a gravidez real de seus filhos gêmeos.
A história de Zoe (Lopez) é exatamente a mencionada na premissa: o roteiro não se prende muito a rodeios e prefere partir para o desenrolar do enlace romântico entre ela e seu pretendente Stan (Alex O'Loughlin, astro de duas séries de TV recentes que não vingaram - Moonlight e Three Rivers). A trama se concentra basicamente nos dois protagonistas e no dilema de Stan assumir uma paternidade que não é sua em prol da mulher amada. Os personagens secundários têm pouca relevância e mal servem de apoio para alguns momentos, assumindo papéis quase de figurantes.
O melhor de Plano B é o riso, provocado por cenas que mostram um lado da gravidez menos bonito do que estamos acostumados a ver na ficção, mesmo que para isso os personagens tenham que se valer, sem muito exagero, de algumas pitadas de grotesquice e escatologia - o diretor achou o tom certo para tirar graça desses artifícios já saturados sem soar nojento. Vale destacar as cenas em que aparece Nuts, o adorável cachorrinho deficiente de Zoe, que sempre rouba as atenções para si.
É claro que Plano B reza pela cartilha da comédia romântica, mas isso não chega a ser prejudicial para o resultado final. Jennifer Lopez, embora não possua grandes atributos como atriz, está em plena forma, linda e engraçada, fazendo uma Zoe carismática, pela qual é impossível não torcer por um final feliz ao lado de Stan. A química com O'Loughlin funciona bem e salva o filme enquanto romance, embora ainda seja muito mais interessante como comédia.