segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

POR ONDE ANDA VOCÊ?

Após quase 6 meses, exceto por algumas aparições tímidas no Twitter, o blog retoma suas atividades. Neste período muita coisa foi vista e descoberta, algumas muito boas, outras nem tanto, como é prache na vida... Antes de situar a nave no tempo presente, achei de bom grado me redimir dos meus 2 ou 3 leitores e fazer um resumo do que rolou de mais bacana na telinha, na telona e nos palcos, dentro daquilo que minha niqueleira pôde bancar. Então, sem muita enrolação, vamos lá!

-SHOWS MUSICAIS-
Adriana Partimpim: Dois É Show
Alter-ego da cantora Adriana Calcanhotto, a personagem de óculos de papelão e voz delicada pintou como uma das grandes atrações do Porto Alegre Em Cena deste ano. No repertório, músicas do mais recente álbum (Dois), mescladas com as do primeiro. Um show divertido e muito bem produzido, mas muito gessado e com pouca espontaniedade, praticamente idêntico ao que já se pode conferir no DVD lançado no mês de outubro.

Pedro Abrunhosa & Comitê Caviar
O cantor pop português foi um dos grandes destaques internacionais do Em Cena, apresentando no show seu último álbum e sucessos de sua carreira. A plateia, que o recebeu com frieza no início, foi sendo cativada aos poucos e saiu satisfeita com a performance competente do artista lusitano.

Luiz Tatit: Sem Destino
Ainda no Em Cena, o cantor paulista deu um banho de talento com sua simpatia, suas canções muito bem letradas, bons músicos e participações mais que especiais, como a da cantora Ná Ozzetti.

Green Day: 21st Century Breakdown Tour
Em turnê pelo Brasil, a banda californiana aportou em Porto Alegre (Gigantinho, 13 de outubro) com pirotecnia, som pesado, maquiagem borrada e um concerto com duração de quase 3 horas, onde desfilou sucessos de ontem e de hoje, de uma carreira de mais de 20 anos. Um grandioso espetáculo, cercado por muita expectativa, que terminou muito bem elogiado, embora a postura da banda tenha se tornado a de recreacionistas de playground, literalmente lotado de crianças. É fato, o tempo passou, mas a banda continuou se mantendo jovem a ponto de ter ficado pra trás em relação aos fãs, que envelheceram - a tática foi cativar o público da geração de hoje, o que, pelo que se comprovou, foi feito com maestria.

Black Eyed Peas: The E.N.D. Tour
No dia 30 de outubro, Will.i.am, Fergie e cia trouxeram pela terceira vez uma turnê do Black Eyed Peas a Porto Alegre. Foi um show magnífico, marcado por batidas eletrônicas (do hip-hop e do dance, a nova adesão da banda), muitos sucessos que marcaram a geração dos dias de hoje e um espetáculo visual de lasers, telões e efeitos especiais. Mais que sua música, a banda trouxe o futuro em sua turnê.

-CDs DE MÚSICA NACIONAL-
Dentre as coisas bacanas que surgiram no cenário nacional nos últimos meses, tem o novo de Vanessa Da Mata (Bicicletas, Bolos E Outras Alegrias), com a maioria das canções de autoria da própria cantora, tratando de infância, relacionamentos e "coisas de menina" - um trabalho que merece ser conferido.
O pernambucano Lenine compilou seus lados-B em Lenine.doc: Trilhas, reunindo trabalhos feitos para trilhas de especiais, novelas e filmes, entre outros - faixas nunca antes lançadas em seus álbuns. Tem muita coisa bacana a ser desbravada neste trabalho, de um artista de talento ímpar em nossa MPB.
Uma volta no túnel do tempo forma a coletânea Sabiá Marrom: O Samba Raro De Alcione, com gravações até então inéditas da "Marrom" no formato CD, incluindo compactos, lados-B, faixas ao vivo, covers, participações em trilhas e até versões de seus sucessos em espanhol. Uma boa pedida para quem é fã da cantora.
No formato ao vivo, sairam os registros mais recentes de Nando Reis (com seu Bailão Do Ruivão - uma mescla de celebração dos velhos tempos com o que há de mais brega no cancioneiro popular), Roupa Nova, Simone, Ivete Sangalo (com o show gravado em Nova York), Maria Gadú, Skank e Maria Bethânia, com seu vibrante Amor, Festa, Devoção.

-CDs GRINGOS-
A pop star Rihanna lançou seu mais recente álbum Loud na carona do sucesso que foi seu dueto com o rapper Eminem em "Love The Way You Lie" e, em pouco mais de 2 meses, já estourou com os singles "Only Girl (In The World)" e "What's My Name". O álbum é culminado pela batida eletrônica, com bem menos hip-hop e reggae, ritmos que marcaram presença forte em seus últimos trabalhos.
Katy Perry reforça o sucesso de seu álbum de estreia com seu recente Teenage Dream, tendo como carros-chefe "California Gurls" (considerado o grande hit do verão americano) e a faixa-título, que atualmente vem bombando nas paradas musicais. Trata-se de um álbum simples de cantora pop, gostoso de se ouvir, e, talvez até melhor que seu antecessor.
Shakira resolveu voltar um pouco às origens latinas com Sale El Sol, de resultado duvidoso: o álbum é uma mescla de canções curtinhas e alegrinhas, sem peso e com a maioria das letras descartáveis, longe da artista criativa que estourou no meio dos anos 90 e muito mais próxima da Barbie que ela se tornou quando sua carreira caiu nas mãos do produtos Emilio Estefan Jr.
O Black Eyed Peas soltou no finalzinho de novembro o álbum The Beggining, uma espécie de sequência de seu álbum anterior, The E.N.D., seguindo a linha dançante e recheado de loops, beats e samplers.
Glee, a atual sensação da Fox no mundo das séries, já despejou em seus primeiros 10 episódios, 3 álbuns: um chatíssimo em homenagem ao The Rock Horror Show, um cafona de Natal (até agora o único disponível para venda no Brasil) e o Volume 4 dos episódios regulares, um dos melhores até agora, recheado de sucessos radiofônicos atuais.
Tem ainda o novo de Sheryl Crow (100 Miles From Memphis) - com várias de participações especiais e com pouca pretensão comercial -, o debut do grupo country (e bem interessante) Lady Antebellum, Christina Aguilera em dose dupla, com seu pouco expressivo Bionic e com a trilha sonora do filme Burlesque (onde ela atua e canta ao lado da veterana Cher), os novos álbuns dos retomados Stone Temple Pilots e Creed. E segue a lista!

Amanhã eu volto para comentar sobre as séries de TV que rolaram neste hiato!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CINEMA: ECLIPSE

Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse, 2010), terceira parte da quadrilogia escrita por Stephenie Meyer, era um dos títulos cinematográficos mais aguardados para este ano, senão o principal. Em torno da história do romance entre a mortal Bella Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) formou-se um universo de produtos e histórias derivadas, arrebanhando milhões de fãs ao redor do globo terrestre. O público jovem, principalmente o adolescente, é o alvo principal da trama, que tem visual, som e enredo feitos sob medida para conquistar a molecada, sobretudo as meninas.
A constatação sobre Eclipse é subjetiva - para quem gosta, deve ser ótimo; para quem não gosta, é mais do mesmo. Apesar de todo o frisson gerado em torno do lançamento da fita, com promessas de menos inocência, mais ação e mais terror, na essência acaba sendo igual aos seus antecessores Crepúsculo (Twilight, 2008) e Lua Nova (New Moon, 2009): um romance juvenil, com direito a triângulos amorosos, promessas eternas, a chance de fazer o absurdo tornar-se real em nome desse amor e toda a sorte de malfeitores que querem acabar com a união. O que destaca a franquia desde seu primeiro volume é o emprego do caráter sobrenatural, envolvendo vampiros e lobisomens.
A presença do diretor David Slade (de Menina-má.com e 30 Dias De Noite) na condução do projeto garantiu um pouco mais de realismo às criaturas e às cenas de ação, mas é difícil realizar um trabalho mais intenso do que isso com o material em mãos. Além de ser muito mais um romance do que um thriller de horror, a autora dos livros aplicou à história doutrinas e valores tradicionais, como a defesa à virgindade e aos bons costumes, algo meio contraditório para um vampiro. É patética a cena em que Bella tenta fazer sexo com Edward e ele lhe responde que prefere respeitá-la até o casamento, pois ele é de um outro tempo e tem outros costumes... Vá saber!
As cenas com pitadas de terror são o que há de melhor no filme. Os atores melhoraram a performance, a maquiagem outrora estilo minâncora está bem melhor e a produção é impecável, cheia de locações bonitas e boa fotografia. A trilha sonora rock 'n' roll moderna é bacaninha também. O que falta à trama é movimento, ação: durante suas pouco mais de duas horas vai-se preparando uma guerra entre vampiros recém-nascidos contra o clã dos Cullen e a alcateia de lobisomens liderada por Jacob Black (Taylor Lautner), o rival de Edward na disputa por Bella. Tudo aponta para uma batalha apoteótica, mas na hora "H" é decepcionante, rapidamente resolvida e com muito pouco sangue. O mesmo acontece na luta final entre Edward e a vampira Victoria (Bryce Dallas Howard). Há provocação mas não há finalização.
Acima de qualquer impressão, Eclipse já está sendo um grande sucesso, quebrando diversos records, arrastando os fãs para o cinema e enchendo mais ainda o bolso dos produtores, mas opinião é opinião e cada um tem a sua.

terça-feira, 29 de junho de 2010

CINEMA: TOY STORY 3

É incrível constatar que, mesmo após 15 anos do lançamento do primeiro filme e 11 do segundo, a parceria Disney/Pixar conseguiu dar continuidade mais uma vez à saga dos brinquedos de Toy Story, sem soar datada ou repetitiva. Quando se percebeu que as crianças que cresceram se divertindo no cinema com as peripécias do cowboy Woody (voz de Tom Hanks no orignal), do astronauta Buzz Lightyear (voz de Tim Allen) e sua turma de amigos, percebeu-se que era hora da franquia crescer também.
Agora, o garoto Andy (voz de John Morris) não é mais exatamente um garoto, e sim um jovem adulto na casa dos 17 anos, com o desafio da universidade a sua frente - um momento em que os brinquedos há muito perderam o significado em sua vida e devem lhe dar adeus, com um destino incerto, que pode ser tanto as mãos de outra criança, o esquecimento do sótão ou mesmo a lixeira. Este é o mote principal de Toy Story 3, uma trama cheia de despedidas e comoções em meio a um festival de cores, risos e fantasias de um mundo encantado que só os brinquedos poderiam nos proporcionar.
Este terceiro episódio pode até não ser o mais impressionante da triologia, uma vez que o primeiro filme foi um marco no mundo da animação tridimensional cinematográfica, mas certamente é a maior aventura vivida por nosso amigos de plástico até hoje. Da casa de Andy para uma creche e da creche para diversos outros lugares sinistros, a turma de Woody e Buzz precisam enfrentar a tristeza do abandono de seu dono, crianças destruidoras de brinquedos e uma conspiração liderada por um urso cor-de-rosa malvado com cheirinho de morango chamado Lotso (voz de Ned Beatty).
Sobra encanto em Toy Story 3: mesmo com algumas críticas negativas, as bilheterias têm mostrado que a fita está sendo um sucesso entre crianças e adultos. Com menos fundamentos inteligentes que outras recentes produções da Pixar, a trama dirigida por Lee Unkrich (de Procurando Nemo, Monstros S.A. e Toy Story 2) pega o espectador pelo coração e pelo saudosismo da infância. A história traz à tona, por meio de memórias, uma época feliz vivida pela maioria da nossa geração, dando aquela vontade de revirar o baú e puxar de volta aqueles velhos brinquedos que tanto nos acompanharam nos melhores anos de nossas vidas. Dos 8 aos 80, é difícil permanecer alheio às boas recordações e não se comover perante a evolução da vida no passar dos anos. Mas a história relembra ainda que é preciso seguir em frente, seja você um menino que virou homem ou um boneco de pano, aparentemente inanimado. E, para todos aqueles que sentem saudades, vale o consolo de que não importa a idade: brinquedos sempre serão brinquedos e crianças sempre serão eternas crianças...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

QUANDO MICHAEL JACKSON ERA SÓ UM REI

Em torno de um ano atrás, exatamente em 25 de junho de 2009, o mundo pop despedia-se de seu rei. Michael Jackson morria precocemente aos 50 anos, acidentalmente por abuso de remédios, deixando para trás um legado que dificilmente será esquecido em consecutivas gerações.
Em uma época que os noticiários se voltam para o primeiro aniversário de falecimento do cantor e ainda especulam fatos sobre as causas de sua morte, fãs no mundo inteiro continuam a perpetuar sua arte: é a celebração constante da memória de um grande artista, o resgate à ingenuidade da criança crescida e atordoada por um mundo que a criou e depois a engoliu de forma voraz, o agradecimento pelos frutos de uma mente brilhante e meio louca para os padrões de nossos tempos. Ele foi tudo isso e muito mais - não só o homem, Michael Jackson, ontem um nome, hoje um mito. Diante da figura do herói contraditório, Michael foi um defensor da natureza e dos direitos humanos, um admirador das crianças, um ser humano complicado e muitas vezes incompreendido - embora sua arte tenha sido alegre quase que em totalidade, seu revés ocultava a alma obscura de um homem solitário e conturbado, a quem foi permitido existir mais como imagem do que como carne e osso.
O grande desafio da vida é seguir adiante e a máquina não pára. Hoje é um pouco triste lembrar de um Michael Jackson decadente, quase irreconhecível pelas dezenas de cirurgias plásticas as quais se submeteu, acusado de atos que não se puderam provar, mas que contribuiram para parte da degradação de seu nome. Foi irônico ver toda aquela novidade dos tempos de Thriller e o luxo visual dos tempos de Dangerous se desintegrar em uma carreira que tinha tudo para ser brilhante e que quase terminou reduzida a pó, em meio a escândalos e excentricidades. Michael Jackson, ainda que sem intenção, saiu de cena exatamente no momento em que todos os olhos do mundo voltavam-se para ele com sua turnê de despedida. O que ele seria a partir dali como artista não se saberá. O que se conhece é só o que se viveu - e todos sabemos como Michael viveu, quais foram suas escolhas e quais foram suas consequências. Sem julgamentos.
Os últimos dias foram para rever seus shows, seu clipes e curtir mais um pouquinho de sua obra. Incansável hoje, seu nome continua em nossas lembranças. Sua música perpetua na história da música. Sua presença fica guardada em cada um de seus fãs como um videoclipe, como uma letra bem escrita, como uma melodia ou como a recordação do grave da sua voz. Na forma em que cada um ainda o reconhece, o aprecia e o saúda.

sábado, 26 de junho de 2010

CINEMA: PLANO B

Mulher solteira engravida por inseminação artificial e encontra no mesmo dia o homem de seus sonhos. Somente pela premissa, Plano B (The Back-up Plan, 2010) não precisaria existir, pois não passaria de mais uma comediazinha romântica morna para entupir prateleira de locadora, com direito a beijinhos, clímax, lágrimas e final feliz. O que salva a fita dirigida por Alan Poul (estreante na telona e egresso da TV - tem no currículo a direção de séries como A Sete Palmos e Roma) e foge um pouco do convencional é o tom cômico e até meio estúpido empregado nesta comédia estrelada pela atriz e cantora Jennifer Lopez, em seu retorno ao show business após uma pausa para a gravidez real de seus filhos gêmeos.
A história de Zoe (Lopez) é exatamente a mencionada na premissa: o roteiro não se prende muito a rodeios e prefere partir para o desenrolar do enlace romântico entre ela e seu pretendente Stan (Alex O'Loughlin, astro de duas séries de TV recentes que não vingaram - Moonlight e Three Rivers). A trama se concentra basicamente nos dois protagonistas e no dilema de Stan assumir uma paternidade que não é sua em prol da mulher amada. Os personagens secundários têm pouca relevância e mal servem de apoio para alguns momentos, assumindo papéis quase de figurantes.
O melhor de Plano B é o riso, provocado por cenas que mostram um lado da gravidez menos bonito do que estamos acostumados a ver na ficção, mesmo que para isso os personagens tenham que se valer, sem muito exagero, de algumas pitadas de grotesquice e escatologia - o diretor achou o tom certo para tirar graça desses artifícios já saturados sem soar nojento. Vale destacar as cenas em que aparece Nuts, o adorável cachorrinho deficiente de Zoe, que sempre rouba as atenções para si.
É claro que Plano B reza pela cartilha da comédia romântica, mas isso não chega a ser prejudicial para o resultado final. Jennifer Lopez, embora não possua grandes atributos como atriz, está em plena forma, linda e engraçada, fazendo uma Zoe carismática, pela qual é impossível não torcer por um final feliz ao lado de Stan. A química com O'Loughlin funciona bem e salva o filme enquanto romance, embora ainda seja muito mais interessante como comédia.

terça-feira, 22 de junho de 2010

TRUE BLOOD, 3ª TEMPORADA

ATENÇÃO: o texto a seguir pode conter spoilers.

Entrando no terceiro ano de loucuras vampirescas, True Blood, a atual série do ousado produtor e roteirista Alan Ball, retoma o exato instante onde parou na temporada anterior.
Com tudo meio desajustado na caipiresca Bon Temps, grande parte dos personagens parece estar meio perdida ainda no contexto. Jason (Ryan Kwanten) está se punindo pelo assassinato de Eggs (Mehcad Brooks), mesmo após o policial Andy (Chris Bauer) ter assumido a culpa em seu lugar, fato que desencadeou depressão e fúria em Tara (Rutina Wesley). Jessica (Deborah Ann Woll) meteu-se em maus lençóis após ter matado, mesmo sem querer, um homem que usou para tentar afogar as mágoas de seu rompimento com Hoyt (Jim Parrack). Sam (Sam Trammell) segue em uma busca sem muito sucesso por sua família, enquanto Sookie (Anna Paquin) sai à procura de Bill (Stephen Moyer), sequestrado logo após fazer um pedido de casamento à moça.
Ao que tudo indica, haverá uma forte exploração dos conflitos entre Bill e o maquiavélico Eric (Alexander Skarsgård), que descobriu-se, assim como a rainha Sophie (Evan Rachel Wood, em participação especial), estar envolvido com o sequestro de Bill e o tráfico de V - sangue de vampiro -, do qual Lafayette (Nelsan Ellis) é, forçadamente, um de seus distribuidores.
Cenas com insinuações pra lá de gays e a aparição do que aparentam ser lobisomens também marcaram a premiére da nova temporada no dia 13 de junho, dando uma febre do que virá por aí nas próximas 11 semanas e deixando uma pergunta no ar: True Blood rendeu-se à saga Crepúsculo ou os lobisomens já estavam planejados?
Após o sucesso de estreia da 3ª temporada, True Blood já está renovada para um quarto ano em 2011.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PERSONS UNKNOWN: NOVA SÉRIE

Um grupo de pessoas acorda em um hotel de uma pequena cidade deserta sem saber onde está, como foi parar lá e porque está lá. No teto câmeras de vigilância, por toda parte mensagens subliminares que levam a lugar algum e presenças misteriosas no ambiente - muitas delas passam sem serem vistas. Alguma dessas coisas parece familiar? Basta juntar produções conhecidas como Lost, Jogos Mortais (em uma mortal semelhança com o segundo filme da franquia), o péssimo O Olho Que Tudo Vê e até mesmo O Show De Truman e tem-se Persons Unknown, a nova série da rede americana NBC.
Christopher McQuarrie é o nome por trás da criação desta nova trama. Anunciado como roteirista de X-Men Origins: Wolverine 2, McQuarrie tem ainda em seu currículo de escritor Os Suspeitos e, mais recentemente, Operação Valquíria. No elenco, nomes pouco conhecidos, encabeçados por Jason Wiles (no papel do misterioso Joe), Daisy Betts (a desesperada mãe Janet) e Chadwick Boseman (Sargento McNair). O foco principal da história é desvendar o mistério da abdução dos personagens e descobrir um meio de sair daquele lugar que, além do hotel, conta com uma delegacia, uma loja e alguns outros prédios.
Para tentar disfarçar a cópia descarada de outros títulos, foram introduzidos personagens serviçais de carne e osso que interagem com os sequestrados, seguindo uma série de regras e sem saber porque estão lá trabalhando. Foi criada uma trama paralela no que se pode chamar de "mundo real", onde um repórter investigativo, sem motivo algum resolve bisbilhotar o sumiço da personagem Janet.
Veiculada no ar desde o dia 07 de junho e projetada para ter 13 episódios, dos quais se promete um final fechado, talvez até sem a possibilidade de uma continuação, Persons Unknown é batida e repleta de clichês e personagens estereotipados que habitam séries e filmes do gênero, mas seus primeiros episódios foram intrigantes e atualmente é uma das melhores opções para download na escassez típica da mid-season americana, onde as séries principais estão descansando para retornar somente após o término do verão no hemisfério norte.

CINEMA: OLHOS AZUIS

Embora seja falada em inglês quase que na íntegra, Olhos Azuis é uma produção brasileira - e boa, por sinal. Ambientada parte em um aeroporto norte-americano, parte no estado de Pernambuco (entre as cidades de Recife e Petrolina), a trama narra o último dia de trabalho do fiscal de imigração Marshall (David Rasche), que decide complicar a vida de um grupo de latino-americanos que pretendem ingressar no país, ainda que legalmente.
Com o elenco pouco conhecido e cheio de boas atuações, o filme é tenso, sobretudo nas cenas do aeroporto, onde a humilhação dos imigrantes por parte da polícia é escancarada e revoltante. As cenas gravadas em Pernambuco são suavizadas pelo contexto regional muito bem destacado na filmagem e pela presença da divertida prostituta Bia (Cristina Lago), com seu inglês de improviso e sua malandragem inocente.
Com direção de José Joffily (de Achados E Perdidos e 2 Perdidos Numa Noite Suja), a trama só é prejudicada pela montagem. A alternância de ambientes é constante demais, causando cortes televisivos à fita nos momentos em que era necessária uma continuação, acabando com o clima e tornando o final um pouco óbvio para quem já conhecia a sinopse ou já havia assistido ao trailer. Tirando este fato, trata-se de um título bem interessante enquanto cinema e enquanto crítica social.

domingo, 20 de junho de 2010

O FINAL DA 2ª TEMPORADA DE UNITED STATES OF TARA

Tara Gregson (Toni Collette) e suas personalidades múltiplas já estão garantidas em um terceiro ano televisivo para 2011. Até lá, uma espera um tanto longa após o término desta 2ª temporada de United States Of Tara.
Embora curta, com meros 12 episódis de meia hora cada, a série é no mínimo intensa. Povoada de personagens conturbados e instáveis, recebeu um desfecho merecido até o momento em que se situa a trama. Após uma descoberta bombástica sobre sua infância, Tara agora encontra-se mais perto de obter uma explicação para suas manifestações psicóticas, que se apresentam em forma de adolescente, dona de casa, veterano de guerra, e, mais recentemente, de psicóloga e de criança.
Ao seu redor tudo parece desabar, desde o relacionamento com o marido Max (John Corbett) até as centenas de problemas trazidos por seus filhos e por sua problemática irmã Charmaine (Rosemarie DeWitt). Ainda assim, Tara representa a mulher forte e resistente aos contratempos, reagindo de maneiras surpreendentes a cada queda. A (mais uma vez) excelente atuação de Toni Collete garante vida e carisma à personagem e as suas múltiplas variações, balanceando a série entre o pesado e o cômico. Com um final conturbado, no mesmo tom de sempre, seguido de um alívio doce e quase digno de habitar um conto de fadas, a 2ª temporada terminou de maneira excepcional, deixando um gostinho de "quero mais" que vai durar até o ano que vem.

CINEMA: ESQUADRÃO CLASSE A

Derivado da série oitentista de mesmo nome, Esquadrão Classe A (The A-Team, EUA 2010) é puro exagero. Protagonizado por Liam Neeson (A Lista De Schindler), Bradley Cooper (Ele Não Está Tão Afim De Você), Jessica Biel (O Ilusionista), Patrick Wilson (Watchmen), Sharlto Copley (Distrito 9) e pelo lutador Quinton "Rampage" Jackson, o filme narra o encontro de um grupo de militares do exército americano que são atraídos para uma emboscada no Iraque envolvendo uma maleta cheia de placas com modelos para fabricação de dinheiro falsificado e acabam sendo considerados traidores e, consequentemente, fugitivos.
É o tipo de filme que faz escorrer adrenalina e testosterona pela tela do cinema. Até aí nenhum problema, não fosse a sucessão de absurdos contidos na fita, que vão desde tanques de guerra despencando do céu e derrubando caças a tiros até toneladas de contâiners gigantescos despencando por cima de pessoas que escapam sem um arranhão sequer. Os efeitos especiais são bem aplicados e as cenas de ação são assombrosas, mas nada mais se salva.
Apesar do elenco estrelar, a direção de Joe Carnahan não conta muito no produto final, onde nada mais é trabalhado além da pancadaria, do corre-corre e das piadinhas sem graça a que já estamos acostumados em filmes similares. Falta um mínimo de coerência ao roteiro, aos diálogos e até mesmo às mil reviravoltas dadas pela história. Esquadrão Classe A não só falha como filme, mas também como homenagem à matriz, transformando em um grande circo pirotécnico a série tão querida e lembrada até hoje por uma legião de fãs.